Um advogado de 46 anos foi tragicamente executado em São Vicente, litoral de São Paulo, durante o cumprimento de uma cobrança judicial envolvendo a penhora de bens. Maurício Almeida de Albuquerque, a vítima, foi surpreendido por dois indivíduos armados e encapuzados que o atacaram dentro de uma empresa de contêineres. O crime chocante, ocorrido na Rua João Chancharulo, no bairro Jardim Rio Branco, na última sexta-feira (27), mobilizou as autoridades e deixou a comunidade jurídica em alerta. Este ato de violência brutal, perpetrado contra um profissional no exercício de suas funções, levanta sérias questões sobre a segurança durante diligências legais, a impunidade e o respeito à advocacia, demandando uma apuração rigorosa.
O trágico desfecho de uma diligência judicial
O advogado Maurício Almeida de Albuquerque foi alvejado mortalmente enquanto realizava uma diligência de penhora de bens, um procedimento legal que visa garantir o pagamento de uma dívida através da apreensão de patrimônio do devedor. A ação ocorria em uma empresa de contêineres, em São Vicente, quando o inesperado e brutal ataque ocorreu. Momentos antes da fatalidade, o próprio Maurício havia publicado um vídeo em suas redes sociais, registrando a atividade no local, um detalhe que adiciona uma camada de particularidade e melancolia ao caso, mostrando a rotina de um dia de trabalho que terminou em tragédia.
Os momentos que antecederam o crime e o ataque brutal
De acordo com relatos registrados no boletim de ocorrência, a situação de tensão escalou após a saída da oficial de justiça e da equipe de Polícia Judiciária que prestava apoio à diligência. Foi nesse instante que dois homens armados e encapuzados emergiram de uma área de mata próxima à empresa, aproximando-se do local da penhora. Testemunhas descreveram que um dos suspeitos vestia um moletom bege e calça jeans, enquanto o outro estava inteiramente de preto, evidenciando uma possível intenção de ocultar suas identidades e dificultar o reconhecimento.
O alvo direto dos disparos foram os advogados presentes. Além de Maurício, que morreu no local, seu irmão, um estagiário de Direito, também foi atingido e encaminhado ao Hospital do Vicentino em estado estável. Um terceiro advogado conseguiu se esconder sob uma empilhadeira e, apesar de ter sido atingido de raspão no dedo, conseguiu acionar a Polícia Militar, contribuindo para o rápido início das operações de socorro e investigação. Após os disparos, o profissional ferido esperou cerca de quatro minutos, temendo que os agressores ainda estivessem por perto, antes de sair do abrigo e encontrar Maurício sem vida, enquanto o estagiário pedia por ajuda. Um quarto envolvido, outro irmão da vítima, também advogado, havia se ausentado momentaneamente para buscar água e escapou ileso do atentado, por um acaso do destino.
A investigação em curso e as ramificações do caso
O procedimento de penhora em questão fazia parte de um processo trabalhista oriundo da 2ª Vara do Trabalho de Guarujá, evidenciando a complexidade e a delicadeza de muitas ações judiciais que envolvem disputas financeiras e patrimoniais. A presença inicial de apoio policial é comum em diligências de alto risco, mas a rápida e calculada ação dos criminosos, que esperaram o momento exato da saída das autoridades para agir, sublinha a natureza premeditada do ataque, sugerindo um planejamento prévio e um conhecimento da dinâmica da diligência.
O processo de penhora de bens e a resposta das autoridades
Imediatamente após o crime, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou o óbito de Maurício Almeida de Albuquerque no local, prestando também os primeiros socorros aos outros feridos. A Polícia Militar, por sua vez, agiu prontamente, com equipes da Força Tática do 39º BPM/I e do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) intensificando o patrulhamento na região. O caso foi formalmente registrado no 3º Distrito Policial (DP) de São Vicente, onde as investigações estão em andamento. As autoridades trabalham incansavelmente para identificar os dois suspeitos encapuzados e armados que fugiram após os disparos, sendo a elucidação do crime uma prioridade dada a sua gravidade e o contexto em que ocorreu. A coleta de depoimentos, a análise de possíveis imagens de segurança e outras provas técnicas são etapas cruciais neste processo investigativo para que os responsáveis sejam devidamente identificados e levados à justiça. Importa ressaltar que o sigilo médico impede a divulgação do estado de saúde atualizado do irmão de Maurício, ferido no ataque, sem consentimento formal, conforme o Código de Ética Médica.
A repercussão e o posicionamento da OAB
Diante da brutalidade do ataque e da morte de um de seus membros, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Guarujá, manifestou seu profundo pesar e sua firme atuação. A entidade informou que está acompanhando de perto o desdobramento do caso, já tendo iniciado contato com a Comissão de Prerrogativas para a adoção de todas as medidas cabíveis, visando garantir a defesa das prerrogativas profissionais e a segurança dos advogados. Um membro da diretoria da subseção foi enviado ao local para prestar apoio imediato e colher informações, demonstrando a proximidade da entidade com o caso.
Em nota oficial, a OAB Guarujá reafirmou seu compromisso inabalável com a defesa da advocacia, da legalidade e do pleno exercício da profissão, destacando que permanece à disposição para colaborar ativamente com as autoridades no esclarecimento completo do caso. A entidade também expressou sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Maurício Almeida de Albuquerque, oferecendo todo o apoio institucional necessário neste momento de dor e consternação. O episódio reforça a discussão sobre a segurança dos profissionais do direito no desempenho de suas funções e a necessidade de medidas mais robustas para proteger aqueles que atuam na garantia da justiça, prevenindo que tragédias como esta se repitam.
Perguntas frequentes sobre o caso
Quem foi a vítima fatal em São Vicente?
A vítima fatal foi o advogado Maurício Almeida de Albuquerque, de 46 anos, executado durante uma diligência de penhora de bens.
Qual era o contexto da diligência em que o advogado foi morto?
A diligência se referia a uma ordem judicial de penhora de bens, parte de um processo trabalhista da 2ª Vara do Trabalho de Guarujá. O procedimento visa à apreensão de patrimônio do devedor para garantir o pagamento de uma dívida.
Houve outras vítimas no ataque?
Sim. O irmão de Maurício, que é estagiário de Direito, foi baleado e levado ao hospital em estado estável. Um terceiro advogado foi atingido de raspão no dedo, mas conseguiu se esconder e não precisou de atendimento médico.
Como a OAB está atuando diante deste caso?
A OAB Guarujá está acompanhando o caso, entrou em contato com a Comissão de Prerrogativas e enviou um membro da diretoria ao local para prestar apoio. A entidade se solidarizou com a família e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Para se manter informado sobre este e outros casos relevantes, ou para colaborar com qualquer informação que possa auxiliar na investigação, acompanhe as atualizações das autoridades e da imprensa local.
Fonte: https://g1.globo.com

