Ajuda internacional sofre corte de 23,1% em 2025, o maior da história

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A cooperação global para o desenvolvimento enfrenta um revés sem precedentes, com a ajuda internacional de países ricos para nações em desenvolvimento e instituições multilaterais projetada para sofrer um corte drástico de 23,1% na transição de 2024 para 2025. Esta é a maior redução já registrada no volume de assistência, marcando um período preocupante para a estabilidade e o progresso em escala mundial. No ano anterior, o auxílio totalizou US$ 174,3 bilhões, o que representa uma diminuição de US$ 52,4 bilhões em termos reais, já descontada a inflação. É o segundo ano consecutivo de declínio, e as projeções indicam uma nova queda em 2026, sinalizando uma tendência alarmante para a capacidade de resposta a crises globais e a promoção da prosperidade em regiões vulneráveis.

A retração histórica da ajuda oficial ao desenvolvimento

Volume e contexto global

Os dados mais recentes indicam que o volume da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD), que consiste em recursos públicos destinados por governos para promover o desenvolvimento econômico e a prosperidade em outras nações, entrou em uma trajetória de diminuição acentuada. Após o auxílio dos países desenvolvidos ter alcançado US$ 174,3 bilhões no ano passado, espera-se que o corte de 23,1% para 2025 resulte na maior retração já observada. Esta redução de US$ 52,4 bilhões, ajustada pela inflação, sucede um ano de declínio e é seguida por uma projeção de nova queda de 6,9% em 2026. Caso essa tendência se confirme, a ajuda internacional atingirá patamares semelhantes aos de 2014, revertendo anos de esforços para fortalecer o suporte às economias emergentes. A AOD pode ser direcionada bilateralmente, de um país para outro, ou multilateralmente, através de instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial, que gerenciam seus próprios programas de desenvolvimento.

Mudança de prioridades e os principais responsáveis

Os grandes doadores e a reorientação estratégica

A análise da redução da ajuda internacional revela que os cinco maiores doadores globais — França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — são responsáveis por impressionantes 95,7% do corte previsto para o biênio 2024-2025. Em particular, os Estados Unidos diminuíram sua contribuição em mais da metade (56,9%), respondendo sozinhos por três quartos (75,1%) da diminuição total. O último ano também foi a primeira vez em que todos os grandes doadores reduziram simultaneamente o volume de doações por dois anos consecutivos, com a Alemanha registrando -17,4%, a França -10,9%, o Reino Unido -10,8% e o Japão -5,6%.

Essa retração está ligada a uma série de fatores, incluindo uma possível mudança de política nos Estados Unidos, onde uma postura mais cética em relação ao multilateralismo tem ganhado força. Além disso, observa-se um redirecionamento significativo de recursos para áreas como segurança energética e defesa. Nos EUA, os gastos com defesa aumentaram de US$ 822,8 bilhões em 2024 para US$ 845,3 bilhões. Na União Europeia, o aumento nos gastos com defesa foi de 11%, atingindo 381 bilhões de euros. O investimento total em energia na UE quase dobrou, passando de US$ 215 bilhões em 2015 para aproximadamente US$ 420 bilhões em 2025, impulsionado pela busca por segurança energética após o conflito na Ucrânia.

A retração seletiva e o caso da Ucrânia

A dinâmica de corte na ajuda internacional não é uniforme e pode ser descrita como uma “retração seletiva”. Enquanto o financiamento para o sistema da ONU registrou a maior queda histórica, com 27% a menos, o apoio ao Banco Mundial teve um aumento de 6,4%, e aos bancos regionais de desenvolvimento, 11,9%. Isso sugere que os governos doadores estão redefinindo suas prioridades, avaliando quais engajamentos multilaterais são considerados estratégicos e dignos de preservação.

Nesse cenário de cortes generalizados, a Ucrânia emerge como uma exceção notável. Apesar de uma drástica redução de 91% na ajuda dos EUA ao país, a Ucrânia tornou-se o maior recebedor individual de AOD na história, com cerca de R$ 44,9 bilhões recebidos. Esse montante foi compensado por um aumento de assistência financeira de 23 países e, em particular, de instituições da União Europeia, que incrementaram seus envios em 65,2%. O volume de recursos destinados à Ucrânia supera os US$ 28,1 bilhões direcionados a todos os 44 Países Menos Desenvolvidos (PMD) juntos, sublinhando uma prioridade estratégica clara em meio à guerra em curso.

Impactos humanos e desafios futuros

Consequências devastadoras e regiões mais afetadas

As consequências dessa redução na ajuda internacional são projetadas para serem severas, com estimativas sombrias. Especialistas apontam que os cortes somente em 2025 poderiam ser responsáveis por 695.238 mortes em excesso. Se a tendência de cortes persistir, essa cifra alarmante poderia atingir 9.416.417 mortes até 2030, revelando um custo humano inaceitável para a diminuição do auxílio.

A África Subsaariana é a região mais vulnerável e afetada, enfrentando uma diminuição de 23% nos recursos para 2025, totalizando US$ 29,2 bilhões. Para 2026, a projeção é de mais uma queda de 11,6%, o que resultaria em US$ 11,8 bilhões a menos para essas nações. É crucial notar que 32 dos 49 países da África Subsaariana também estão classificados como Países Menos Desenvolvidos, tornando-os duplamente vulneráveis. Este cenário de escassez de recursos contrasta drasticamente com a necessidade de mobilizar US$ 1,3 trilhão para o financiamento climático, um valor que muitos consideram inatingível, destacando a desconexão entre as necessidades globais e a disponibilidade de fundos.

Caminhos para a cooperação internacional

Diante da retração sem precedentes na ajuda internacional, torna-se imperativo reavaliar e recalibrar as estratégias de cooperação. Para mitigar os impactos negativos nos países mais dependentes, são sugeridos alguns caminhos. Primeiro, direcionar os recursos escassos prioritariamente para as nações mais pobres, especialmente aquelas que dependem excessivamente de poucos doadores. Segundo, planejar saídas de financiamento de forma responsável e coordenada, evitando rupturas bruscas que possam desestabilizar economias frágeis. Por fim, é fundamental tornar a ajuda mais eficaz, garantindo que os investimentos gerem maior impacto no desenvolvimento sustentável e na melhoria das condições de vida das populações mais vulneráveis. O futuro da cooperação internacional dependerá da capacidade dos países doadores de equilibrar suas prioridades internas com a responsabilidade global.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD)?
A Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) refere-se a recursos públicos fornecidos por governos de países desenvolvidos com o objetivo principal de promover o desenvolvimento econômico e a prosperidade em países em desenvolvimento. Pode ser bilateral (diretamente para um país) ou multilateral (via instituições como a ONU ou o Banco Mundial).

Qual o principal motivo para o corte na ajuda internacional?
Os cortes são atribuídos a uma combinação de fatores, incluindo uma reorientação estratégica de alguns dos maiores doadores (como os EUA) para pautas domésticas ou outras prioridades, como segurança energética e defesa, além de uma postura mais cética em relação ao multilateralismo.

Quais regiões serão as mais afetadas por essa redução?
A África Subsaariana é a região mais impactada pela redução da ajuda internacional. Muitas das nações nessa área são classificadas como Países Menos Desenvolvidos, tornando-as extremamente vulneráveis aos cortes nos financiamentos.

A urgência de uma reavaliação global é inegável, à medida que a ajuda internacional se contrai em um momento de crescentes desafios globais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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