Um estudo inédito revelou um panorama preocupante sobre os fatores que levam indivíduos ao envolvimento com atividades criminosas no Brasil. Intitulado “Raio-X da Vida Real”, o levantamento, conduzido pelo instituto de pesquisa Data Favela, traçou um perfil detalhado dessas pessoas, com base em quase 4 mil entrevistas realizadas em 23 estados brasileiros.
A pesquisa revelou que a grande maioria dos envolvidos com o crime, em especial o tráfico de drogas, é composta por homens (aproximadamente 80%), com predominância da população negra (74%). Um dado alarmante é a constatação de que metade desses indivíduos são jovens, com idades entre 13 e 26 anos.
O estudo buscou compreender as dinâmicas sociais que sustentam as redes criminosas, partindo da perspectiva dos próprios envolvidos. As entrevistas abordaram diversos aspectos da vida dessas pessoas, incluindo perfil, renda, trajetória, saúde, profissão, sonhos, família, consumo e expectativas.
Ao analisar o perfil sociodemográfico dos entrevistados, a pesquisa constatou que 80% nasceram e cresceram em favelas, 70% se declaram religiosos e metade possui companheiro(a). A pesquisa também aponta que 63% dos entrevistados sobrevivem com até dois salários mínimos e apenas 22% concluíram o ensino médio.
A baixa escolaridade emerge como um fator determinante para a renda e, consequentemente, para a vulnerabilidade ao crime. Segundo a pesquisa, uma parcela significativa dos entrevistados não possui o ensino médio completo, o que dificulta o acesso a empregos melhores remunerados e aumenta a probabilidade de envolvimento com atividades ilegais.
Quando questionados sobre as razões que os levaram a entrar para o mundo do crime, quase metade (49%) dos entrevistados justificou a decisão pela necessidade econômica e falta de dinheiro. Outras motivações tradicionalmente associadas ao crime, como violência doméstica, uso de drogas ou alcoolismo no lar, desejo de admiração ou ostentação de roupas de marca, mostraram-se menos relevantes do que a questão financeira.
A pesquisa também revelou que, apesar de se dedicarem a atividades criminosas, um terço dos entrevistados (36%) busca complementar a renda com outras atividades laborais. Isso indica que a renda obtida com o crime, muitas vezes, não é suficiente para suprir as necessidades básicas e garantir uma vida digna.
Um dado animador da pesquisa é que 58% dos entrevistados manifestaram o desejo de abandonar a vida no crime, caso tivessem a oportunidade. Esse dado reforça a importância de políticas públicas que ofereçam alternativas de renda, educação e capacitação profissional para jovens em situação de vulnerabilidade, a fim de romper o ciclo de violência e criminalidade.
A pesquisa completa “Raio-X da Vida Real” está disponível para consulta no site datafavela.com.br/. Os dados foram coletados entre 15 de agosto e 20 de setembro deste ano.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

