Brasília sedia marcha histórica das mulheres negras por reparação

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Brasília se prepara para receber uma grande manifestação nesta terça-feira, com a realização da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. O evento, que reunirá mulheres de todas as regiões do Brasil e de mais de 40 países, marca uma década da mobilização histórica contra o racismo que levou mais de 100 mil mulheres negras às ruas da capital federal.

A marcha terá início com uma sessão solene no Congresso Nacional às 9h. Em seguida, às 10h, milhares de mulheres marcharão pela Esplanada dos Ministérios, em um ato de resistência e luta por direitos.

Dona Maria dos Santos Soares, um símbolo do feminismo negro com 100 anos de idade, marcará presença na marcha. Para ela, o evento representa uma oportunidade crucial para protestar contra as injustiças enfrentadas pela população negra. “A emoção agora foi muito mais forte, porque, além do Brasil, inúmeros países, principalmente aqui da América Latina, presentes aqui. Então, eu vejo que a nossa força está se expandindo por todo lado. Temos conseguido muito pouco, mas esse movimento me dá esperança que a gente vai conseguir mudar essa realidade cruel que atinge o povo negro”, afirma Dona Maria.

A militante, que atua desde a juventude, ressalta a importância contínua da luta para que as mulheres negras conquistem espaços de poder e maior representatividade na sociedade. “Eu sou muito audaciosa, e eu tenho um espírito político desde pequena. Eu não tinha essa consciência que tenho hoje, conhecimento, mas desde o interior que eu já via algo de errado em relação a negros e brancos. Não só no movimento negro, qualquer coisa que eu vejo que eu não concordo, eu não sei ficar passiva, eu vou falar, eu vou intervir.”

A programação da marcha culminará com uma audiência às 19h30, onde representantes do movimento serão recebidas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Durante o encontro, a comitiva apresentará ao STF a urgência de se enfrentar a política de segurança pública no Brasil, em especial após a recente chacina ocorrida na Penha, no Rio de Janeiro.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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