Cantos ancestrais e rituais históricos marcaram a concentração para a Marcha Global dos Povos Indígenas, que tomou as ruas de Belém nesta segunda-feira. Povos originários de diversos continentes uniram vozes e tradições em busca de apoio para suas reivindicações territoriais.
A capital paraense sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
A marcha, que contou com milhares de participantes, teve início às 8h30 na Aldeia COP, base da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) na Universidade Federal do Pará (UFPA), e se estendeu até as 11h30 no Bosque Rodrigues Alves.
Sob o lema “A Resposta Somos Nós”, os manifestantes centraram suas demandas em cinco pontos cruciais: reconhecimento territorial como política climática, fim do desmatamento e da exploração de combustíveis fósseis e mineração em territórios indígenas, proteção dos defensores, acesso direto ao financiamento climático e participação efetiva com poder real.
Kleber Karipuna, coordenador executivo da APIB, destacou a presença massiva de indígenas nesta edição da COP, a maior já vista no Brasil. Ele ressaltou a importância da mobilização diante da pressão de grupos com interesses contrários, como representantes do setor de petróleo, mineração e agronegócio. Karipuna enfatizou a urgência na demarcação e homologação de terras indígenas, sinalizando a necessidade de um posicionamento claro do governo federal.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, participou ativamente da marcha, prometendo que o governo anunciará em breve novas demarcações de territórios indígenas. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reiterou o compromisso do governo com a homologação de terras indígenas nas próximas semanas.
Irleusa Robertino, presidente da Associação Indígena Apiaká Iakunda’Y, cobrou celeridade das autoridades na demarcação do território do povo Apiaká, que ainda não foi totalmente concluída, sofrendo invasões de madeireiros e atividades ilegais de mineração.
Representantes de povos originários de outras partes do mundo também marcaram presença na marcha. Calvin Wisan, do povo Minahasa, na Indonésia, destacou a luta contra estruturas coloniais persistentes e a discriminação religiosa enfrentada por seu povo. Joan Carling, da Filipinas, discursou contra a violência territorial e a favor da responsabilização de criminosos que invadem territórios indígenas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

