Uma exposição fotográfica que busca transformar a percepção pública sobre os manguezais foi inaugurada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. A mostra, intitulada “Manguezal”, apresenta o trabalho do oceanógrafo, ambientalista e fotógrafo Enrico Marone, que retrata a riqueza ecológica, cultural e econômica desses ecossistemas costeiros.
A exposição, que permanecerá em cartaz até 2 de fevereiro de 2026, é gratuita e reúne fotografias capturadas por Marone em diversas regiões do Brasil. O objetivo é contrastar a visão tradicional dos manguezais como áreas marginalizadas e insalubres, revelando sua importância vital para o meio ambiente e para as comunidades que dependem deles.
“Essa exposição cumpre o papel de aproximar as pessoas da riqueza que esses ambientes representam. São ambientes únicos, muito importantes”, explica Marone. Ele ressalta a mudança de paradigma em curso, com um crescente reconhecimento do valor dos manguezais.
O projeto da exposição teve origem no livro homônimo, o quinto volume da Coleção Década do Oceano (2021–2030), idealizada e produzida em parceria com a Cátedra Unesco do Instituto Oceanográfico da USP. A curadoria é assinada por Marcelo Campos e a produção é da Andrea Jakobsson Estúdio.
Marone destaca que projetos que envolvem a participação de comunidades locais e pescadores têm contribuído para mudar a percepção sobre os manguezais. Ele enfatiza as múltiplas funções ecológicas desses ecossistemas, como a filtragem de nutrientes, a proteção da costa contra a erosão e tempestades, e o papel fundamental na manutenção da vida marinha.
O fotógrafo também ressalta a importância dos manguezais no combate às mudanças climáticas, devido à sua capacidade de sequestrar e armazenar grandes quantidades de carbono. “Os manguezais retêm entre quatro e cinco vezes mais carbono que outras florestas tropicais”, afirma. “Por isso, são chamados de ecossistemas de carbono azul, nova denominação da ONU.”
Além da sustentabilidade climática, Marone aponta a relevância socioeconômica dos mangues para as comunidades, uma vez que o ciclo de vida de muitas espécies pescadas tem início nesses ambientes. “Os manguezais são muito importantes para a manutenção da biodiversidade e sustentam cadeias importantes de pescadores, que dependem desses ambientes saudáveis para a sua sobrevivência e geração de renda”, conclui.
A exposição apresenta cerca de 50 obras de 25 artistas brasileiros, de diferentes gerações e linguagens, que têm o mangue como inspiração. A mostra inclui ainda uma instalação dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, baseada nas caruanas, seres mitológicos dos manguezais, e fantasias inéditas para o carnaval de 2026, desenhadas por Antônio Gonzaga.
A “Manguezal” é uma realização do Ministério da Cultura, do CCBB RJ e da MaisArte, com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Instituto Prio, com copatrocínio da TGS e apoio da EnvironPact, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

