Haddad reitera túnel Santos-Guarujá como realidade inalterável.

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Em um cenário de efervescência política e debates sobre o futuro do estado de São Paulo, o candidato Fernando Haddad (PT) fez declarações contundentes sobre o projeto do túnel Santos-Guarujá, uma obra de infraestrutura há quase um século aguardada. Segundo o político, o resultado das eleições, tanto para o governo estadual quanto para a presidência da República, não terá o poder de alterar o rumo desse empreendimento vital para a Baixada Santista. A afirmação, realizada durante entrevista com candidatos, reforça a percepção de que o projeto, com previsão de entrega para 2031, já alcançou um ponto de não retorno. Impulsionado por investimentos e licitações consolidadas, o túnel representa um marco inadiável para a mobilidade e a logística da região, independentemente das composições governamentais futuras.

Obras do túnel Santos-Guarujá: Um projeto irreversível

A construção do túnel Santos-Guarujá, que conectará as duas importantes cidades do litoral paulista sob o canal do Porto de Santos, é vista por Fernando Haddad como um projeto consolidado e irreversível. Com um histórico de quase cem anos de promessas e reviravoltas, a obra finalmente ganhou um contorno definitivo, com prazos e financiamento estabelecidos. A complexidade do empreendimento, que será o primeiro túnel submerso do Brasil, exige uma colaboração robusta entre diferentes esferas governamentais e o setor privado. A expectativa é que, ao ser concluída em 2031, a estrutura desafogue o tráfego de balsas, melhore a conectividade e impulsione o desenvolvimento econômico local, oferecendo uma nova alternativa de travessia para veículos e pedestres, otimizando o fluxo de cargas e passageiros na região portuária.

Garantias de financiamento e cronograma

A segurança jurídica e financeira do projeto do túnel Santos-Guarujá foi um ponto central na argumentação de Haddad. Ele destacou que o contrato atual, envolvendo o governo federal, o governo do estado de São Paulo e a concessionária Mota-Engil, já possui aportes financeiros confirmados por todas as partes. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está atuando no financiamento de parte da obra, enquanto a Autoridade Portuária de Santos (APS) e o governo estadual também destinam recursos significativos. “Ele vai se tornar realidade. Acabou. Está licitado, está com dinheiro carimbado, o Porto está botando dinheiro, o governo federal está botando dinheiro, o BNDES está financiando o resto da obra. Ele é uma realidade”, reiterou o candidato, enfatizando a impossibilidade de retrocesso do projeto diante de sua avançada etapa de execução e compromissos financeiros. A assinatura do termo entre a APS e o Governo de SP para destravar R$ 2,6 bilhões reflete o compromisso mútuo com a concretização do túnel, evidenciando a solidez dos acordos e a interdependência dos investimentos para sua efetivação.

A história de uma promessa centenária

A ideia de uma ligação seca entre Santos e Guarujá remonta ao início do século XX, permeada por décadas de discussões, estudos e frustrações. Por quase 100 anos, a promessa de uma travessia moderna e eficiente permaneceu no campo das intenções, impactando diretamente a vida dos moradores e a logística do maior porto da América Latina. O leilão que resultou na atual concessão representa, portanto, o fim de um longo ciclo de espera e o início da concretização de um sonho para a região. A escolha pelo modelo de túnel submerso é considerada uma solução inovadora e de menor impacto ambiental em comparação com pontes, além de não interferir na navegação do canal portuário, crucial para o tráfego de navios cargueiros. Este projeto de grande magnitude não apenas resolverá um gargalo histórico de mobilidade, mas também se estabelece como um símbolo da capacidade de realização de grandes obras de infraestrutura no país, com um legado de modernização e eficiência.

Privatização do Porto de Santos: Uma “tese exótica”

Além do túnel, Fernando Haddad abordou a questão da privatização do Porto de Santos, posicionando-se categoricamente contra a medida. Ele classificou a proposta, que segundo ele é considerada por seu adversário na disputa pelo governo estadual, Tarcísio de Freitas, como uma “tese exótica”. O candidato argumenta que a privatização da autoridade portuária contraria as práticas internacionais e poderia acarretar uma série de problemas para o país, dada a importância estratégica do Porto de Santos para a economia nacional. A discussão sobre a gestão do porto é crucial, pois envolve não apenas a eficiência operacional, mas também a soberania e o controle sobre um dos principais motores do comércio exterior brasileiro, afetando diretamente as exportações e importações do Brasil.

Críticas à desestatização da autoridade portuária

Haddad explicou que a privatização da autoridade portuária não é uma prática comum em escala global. Ele defende que, em vez de vender a concessão da autoridade portuária, o modelo adequado seria a concessão de espaços específicos dentro do porto para operações temporárias, permitindo a entrada de capital privado sem abrir mão do controle estratégico do estado. “Em nenhum lugar do mundo a autoridade portuária é privatizada. Você concede espaços no porto para operação temporária. Você não vai vender a concessão da autoridade portuária”, pontuou o candidato. Para ele, a Autoridade Portuária de Santos (APS) possui uma gestão eficiente e estratégica, sendo fundamental para o recorde de exportações do país, que passou de 4 milhões para 200 milhões de toneladas anuais. A privatização, nesse contexto, seria um retrocesso, gerando mais problemas do que soluções para a complexa dinâmica portuária.

Alternativas para aprimoramento e gestão do porto

Em vez de uma privatização total da autoridade portuária, Haddad propõe um modelo que privilegie a ampliação de concessões de áreas específicas, utilizando recursos privados para aprimorar infraestruturas essenciais. Isso incluiria investimentos em acessos, alças e vias perimetrais, que são cruciais para o fluxo de mercadorias e a eficiência logística do complexo portuário. “Eu acredito que o Porto de Santos é bem gerido Esse porto, que já carregou 4 milhões de toneladas por ano, hoje carrega 200 milhões de toneladas. É um porto estratégico para o país. O país nunca exportou tanto. Nós estamos batendo recorde de exportação”, afirmou. A visão do candidato é de manter o controle público sobre a gestão estratégica do porto, enquanto se permite a entrada de investimentos privados para otimizar e expandir a infraestrutura existente, garantindo a competitividade e o crescimento contínuo do setor portuário brasileiro, sem comprometer a sua função estratégica para o estado e o país.

Considerações finais

As declarações de Fernando Haddad delineiam sua visão sobre dois pilares fundamentais para o desenvolvimento do litoral paulista e para a economia brasileira: a infraestrutura de transporte e a gestão portuária. A garantia da concretização do túnel Santos-Guarujá, independentemente do panorama eleitoral, sublinha a solidez dos acordos e o anseio histórico da região. Paralelamente, a defesa da manutenção da gestão pública do Porto de Santos, com abertura para concessões específicas, ressalta a importância estratégica do terminal e a busca por um modelo de desenvolvimento que combine eficiência e controle estatal. Ambos os temas refletem debates cruciais para o futuro econômico e social do estado de São Paulo, evidenciando a complexidade e a relevância das decisões políticas na infraestrutura e na economia do país.

Perguntas frequentes

Qual a previsão de entrega do túnel Santos-Guarujá?
A previsão de entrega do túnel Santos-Guarujá é para o ano de 2031, conforme o cronograma atual do projeto e as informações divulgadas pelas autoridades envolvidas.

Por que Fernando Haddad considera a privatização do Porto de Santos uma “tese exótica”?
Fernando Haddad classifica a privatização da autoridade portuária como uma “tese exótica” porque, segundo ele, essa prática não é comum em nenhum lugar do mundo. Ele defende que a gestão estratégica deve permanecer pública, com concessões para operações temporárias em áreas específicas, não a venda do controle portuário.

Quais são as fontes de financiamento para o túnel Santos-Guarujá?
O financiamento do túnel Santos-Guarujá conta com aportes do governo federal, do governo do estado de São Paulo e da Autoridade Portuária de Santos (APS). Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está financiando parte significativa da obra, consolidando um robusto esquema de recursos.

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Fonte: https://g1.globo.com

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