A obra de Jards Macalé, um dos nomes mais revolucionários e influentes da música popular brasileira, será celebrada com a reexibição de um show exclusivo no programa Cena Musical. A apresentação marcante, gravada no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro, ressurge em homenagem ao cantor e compositor, que nos deixou no mês passado aos 82 anos. Macalé, conhecido por sua inquietude artística e capacidade de transgredir, interpretou um repertório autoral que definiu sua carreira, revisitando clássicos de seu primeiro álbum solo, lançado em 1972. Este especial é uma oportunidade ímpar para o público de todas as gerações mergulhar na profundidade e na originalidade de sua música.
A celebração de um ícone transgressor
O show que o Cena Musical apresenta em memória de Jards Macalé é um testemunho vívido do carisma e da personalidade singular do artista. Na performance, Macalé transporta o público para o universo de seu aclamado primeiro álbum solo, lançado em 1972, um marco na música brasileira. O espetáculo, meticulosamente gravado em um dos mais prestigiados palcos do Rio de Janeiro, o Espaço Cultural BNDES, é uma cápsula do tempo que revela a produção inquieta e transgressora de um músico que contribuiu de forma indelével para a história da nossa música.
O repertório marcante e a performance única
Durante a apresentação, Jards Macalé resgata não apenas grandes sucessos de sua própria trajetória, mas também clássicos do cancioneiro nacional que ganham novas camadas sob sua interpretação. Entre as canções que o público poderá reviver, destacam-se “Mal Secreto”, uma parceria genial com Waly Salomão, que expõe a acidez e a sensibilidade lírica de Macalé. Outras joias do repertório incluem “78 Rotações” e “Farinha do desprezo”, ambas compostas em colaboração com José Carlos Capinan, evidenciando a capacidade de Macalé em explorar temas sociais e existenciais com maestria. A performance é enriquecida pela obra solo “Soluções”, na qual a genialidade do homenageado se manifesta em sua forma mais pura e experimental.
No palco, Jards Macalé não esteve sozinho. Sua visão musical foi amplificada pela companhia de uma banda de músicos excepcionais: Tutty Moreno na bateria, Gui Held na guitarra e Pedro Dantas no baixo. Juntos, eles reforçaram a perspectiva libertária que sempre permeou o trabalho do astro. A ideia central por trás da gravação era manter o “transe” e a conexão da improvisação coletiva, elementos essenciais que marcaram as gravações originais da década de 1970. Macalé, em sua essência, rompeu as barreiras da “caretice” e colocou em prática o conceito da “morbeza romântica”, um neologismo criado por ele mesmo que combina morbidez com beleza, reinventando-se constantemente e explorando novos formatos da linguagem artística.
O legado revolucionário de Jards Macalé
Jards Macalé foi um artista à frente de seu tempo, um verdadeiro camaleão musical que se recusava a ser categorizado. Sua trajetória é marcada por uma constante busca por experimentação, tanto no campo musical quanto poético, expressando toda a sua rebeldia e inquietude em cada nota e cada verso. Essa capacidade criativa e a recusa em se conformar com rótulos foram cruciais para que sua obra alcançasse e cativasse novos públicos, transcendendo gerações.
Inovação, rebeldia e a construção de uma sonoridade própria
Ao longo de sua carreira, o consagrado artista imprimiu uma marca única, repleta de uma originalidade que atravessa toda a sua produção. Ele revolucionou a música do país ao ousar mesclar gêneros aparentemente díspares, como rock, samba, música erudita, jazz e bossa nova, infundindo em suas composições altas doses de melancolia e sarcasmo. Essa fusão inusitada, combinada com letras provocativas e arranjos inovadores, solidificou seu lugar como um dos maiores vanguardistas da MPB. Macalé não apenas fez música; ele a redefiniu, desafiando convenções e abrindo caminho para futuras gerações de artistas que buscavam liberdade criativa e autenticidade. Sua influência é sentida até hoje, ressoando em diversos cantos da cena musical contemporânea brasileira.
O programa Cena Musical: palco da diversidade brasileira
Criado em 2007, o Cena Musical é uma iniciativa que se dedica a trazer ao público performances inéditas e de alta qualidade da nossa música. Desde 2017, as apresentações ganharam um cenário ainda mais especial ao serem gravadas no Espaço Cultural do BNDES, no Rio de Janeiro, um local que se tornou sinônimo de excelência artística e cultural. A série semanal se destaca por sua capacidade de revelar e celebrar a riqueza e a diversidade da música brasileira em todas as suas facetas.
Sob o comando de Bia Aparecida, cantora, jornalista e apresentadora, esta temporada do Cena Musical continua a surpreender. O programa já acolheu e apresentou performances memoráveis de nomes consagrados e talentos emergentes, como MPB4, Elba Ramalho, Francis Hime, Olivia Hime, Afrojazz, Orquestra Lunar, Pelados e Assucena. É um espaço essencial para a valorização e difusão do patrimônio musical do Brasil. O show em homenagem a Jards Macalé será exibido neste sábado, dia 20, para domingo, dia 21, à meia-noite.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando e onde será possível assistir ao show de Jards Macalé?
O show em homenagem a Jards Macalé será reexibido na madrugada deste sábado, dia 20 de abril, para domingo, dia 21, à meia-noite.
Quais músicas Jards Macalé interpretou neste show?
Entre as músicas interpretadas estão “Mal Secreto”, “78 Rotações”, “Farinha do desprezo” e “Soluções”. O repertório foca em seu primeiro álbum solo de 1972 e clássicos de sua trajetória.
Qual a importância de Jards Macalé para a música brasileira?
Jards Macalé é considerado um artista revolucionário por mesclar diversos gêneros musicais (rock, samba, jazz, erudita, bossa nova), sua abordagem experimental, letras com melancolia e sarcasmo, e por sua recusa em se enquadrar em rótulos, influenciando diversas gerações.
O que é o programa Cena Musical?
O Cena Musical é uma série semanal, criada em 2007, que apresenta performances inéditas de artistas da música brasileira, gravadas no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro, com o objetivo de celebrar a riqueza e a diversidade musical do país.
Não perca a chance de revisitar a genialidade de Jards Macalé. Sintonize e deixe-se levar pela “morbeza romântica” de um dos maiores ícones da nossa cultura.

