A desafiadora altitude de Quito, a 2.850 metros acima do nível do mar, prometia ser um adversário implacável para os clubes brasileiros nesta edição da Libertadores Feminina. No entanto, o Cruzeiro, pioneiro entre as equipes do Brasil a enfrentar uma das anfitriãs, demonstrou resiliência e conquistou uma vitória crucial de 2 a 1 sobre a LDU na noite de sexta-feira (16). No palco do Estádio Casa Blanca, as Cabulosas não só superaram a pressão do adversário equatoriano, mas também as condições geográficas extremas, garantindo os primeiros três pontos e a liderança do Grupo C, em um início promissor para a equipe mineira na competição continental.
Uma vitória na raça e na técnica em Quito
A estreia do Cruzeiro na Libertadores Feminina foi marcada por um teste de fogo em todos os sentidos. Enfrentando não apenas a LDU, mas também o ar rarefeito de Quito, as Cabulosas iniciaram a partida com intensidade, fazendo valer a superioridade técnica nos primeiros minutos. Aos nove minutos, a atacante Byanca Brasil demonstrou sua precisão ao cobrar uma falta da meia-lua, visando o ângulo direito da meta adversária. A goleira Liceth Suárez, em um esforço notável, conseguiu desviar a bola com as pontas dos dedos, mandando-a para o travessão. No entanto, a lateral Gisseli, atenta e posicionada, antecipou-se à marcação e aproveitou o rebote para mandar a bola para o fundo das redes, abrindo o placar para o time mineiro.
A altitude cobra seu preço: LDU pressiona no primeiro tempo
Apesar do início promissor, a intensidade dos minutos iniciais cobrou seu preço rapidamente. A partir da metade do primeiro tempo, as feições das jogadoras cruzeirenses já denunciavam o desgaste físico e a dificuldade em respirar. A LDU, impulsionada pelo apoio de sua torcida e pela adaptação à altitude, começou a tomar as rédeas do jogo, intensificando a pressão sobre a defesa brasileira. A goleira Camila Rodrigues foi forçada a realizar pelo menos duas defesas importantes, demonstrando segurança sob o gol celeste. Aos 34 minutos, a pressão equatoriana se materializou no gol de empate. Em um chute da meia Maylin Arreaga, da entrada da área pela esquerda, a bola mais uma vez explodiu no travessão. A lateral Justine Cuadra, com oportunismo, aproveitou a sobra quase da marca do pênalti e acertou o cantinho esquerdo, deixando tudo igual.
Pouco tempo depois, aos 39 minutos, a atacante Milagro Barahona, de cabeça, balançou as redes novamente para a LDU, levando a torcida local ao delírio. Para alívio do Cruzeiro, contudo, o lance foi prontamente anulado pela arbitragem de vídeo. O VAR interveio e constatou que, antes do cruzamento pela esquerda que originou o gol, Arreaga havia deixado a bola sair completamente pela linha lateral, invalidando a jogada e mantendo o placar em 1 a 1 até o intervalo, um respiro fundamental para as Cabulosas.
Resiliência e contra-ataque decisivo garantem a vitória
O cenário na volta para o segundo tempo não divergiu muito do final da primeira etapa. A LDU mantinha a intensidade e acelerava as jogadas, buscando a virada, enquanto o Cruzeiro, ainda visivelmente desgastado pela altitude, concentrava-se em diminuir o ritmo do jogo e manter a posse de bola. A estratégia das Cabulosas era clara: buscar o contra-ataque rápido, explorando a velocidade de Vanessinha e a habilidade de Byanca Brasil. A equipe mineira precisava de um momento de inspiração para retomar a vantagem, e ele viria na hora certa.
O gol da vitória e a prova de resistência
Aos 18 minutos do segundo tempo, a estratégia de contra-ataque funcionou com perfeição. Marília, a artilheira cruzeirense na temporada, foi acionada no meio-campo e, com visão de jogo, lançou Byanca Brasil nas costas de Cuadra, pela esquerda. A camisa 10 disparou em direção à área, demonstrando fôlego e técnica, e finalizou com precisão na saída da goleira Suárez, recolocando as mineiras na dianteira do placar. O restante do jogo se transformou em uma verdadeira prova de resistência para o Cruzeiro. Com a vantagem novamente nas mãos, a equipe brasileira precisou de muita garra e organização defensiva para segurar o resultado, resistindo às investidas finais da LDU. A vitória por 2 a 1 foi um testemunho da capacidade das Cabulosas de superar adversidades e um excelente início na Libertadores Feminina, garantindo a liderança do Grupo C.
Mais cedo, no mesmo Estádio Casa Blanca, Bolívar (Bolívia) e Olimpia (Paraguai) haviam empatado por 2 a 2, acumulando um ponto cada, enquanto a LDU permaneceu zerada. O próximo adversário do Cruzeiro, o Bolívar, apresenta um novo e ainda maior desafio de altitude, já que a equipe boliviana está acostumada a jogar em La Paz, a 3.650 metros acima do nível do mar. O confronto será nesta segunda-feira (19), às 17h (horário de Brasília), novamente no Casa Blanca.
Palmeiras e o desafio da altitude em Quito
Não apenas o Cruzeiro, mas também o Palmeiras, outro representante brasileiro, enfrentará uma equipe de Quito na primeira fase da Libertadores Feminina. Na terceira e última rodada do Grupo B, as Palestrinas terão pela frente o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle. O confronto está marcado para a próxima quarta-feira (21), às 21h, no Estádio Banco Guayaquil. Será mais um desafio diante de um adversário acostumado às condições da capital equatoriana.
No entanto, o Verdão pode chegar a este confronto já classificado para as quartas de final, o que permitiria um manejo mais estratégico do elenco e o descanso de atletas para as próximas fases. Para isso, o Palmeiras precisa vencer seu duelo contra o Belgrano (Argentina) neste domingo (18), às 17h, no mesmo estádio, em uma partida decisiva para as ambições do clube na competição.
FAQ
Qual foi o placar da estreia do Cruzeiro na Libertadores Feminina?
O Cruzeiro venceu a LDU de Quito por 2 a 1 em sua partida de estreia na Libertadores Feminina.
Como a altitude de Quito afetou o desempenho do Cruzeiro?
A altitude de 2.850 metros de Quito causou visível desgaste físico nas jogadoras do Cruzeiro, que demonstraram dificuldade para respirar e manter a intensidade ao longo da partida, especialmente após os minutos iniciais.
Qual é o próximo desafio do Cruzeiro na competição?
O próximo desafio do Cruzeiro será contra o Bolívar (Bolívia), na segunda-feira (19), às 17h (horário de Brasília), novamente no Estádio Casa Blanca.
Outro time brasileiro também enfrentará um adversário acostumado à altitude?
Sim, o Palmeiras enfrentará o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle, na terceira rodada do Grupo B, um adversário acostumado à altitude de Quito.
Acompanhe a cobertura completa da Libertadores Feminina para não perder nenhum detalhe e torcer pelos clubes brasileiros na busca pelo título continental.

