O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou profundo choque diante do elevado número de mortos resultante da Operação Contenção realizada no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, após reunião com o presidente no Palácio da Alvorada. A operação policial no Rio de Janeiro resultou em mais de uma centena de mortes.
“O presidente ficou estarrecido com o número de ocorrências fatais que se registraram no Rio de Janeiro”, declarou Lewandowski em entrevista coletiva.
O ministro revelou ainda que Lula manifestou surpresa com o fato de uma operação de tamanha magnitude ter sido deflagrada sem o conhecimento ou a participação do governo federal, que poderia ter oferecido recursos, informações e apoio logístico.
Lewandowski classificou a ação das forças policiais do Rio de Janeiro como “extremamente violenta” e questionou se o tipo de ação é compatível com o Estado Democrático de Direito.
Diante da gravidade da situação, o presidente determinou que sua equipe entre em contato com o governo do Rio de Janeiro, liderado pelo governador Claudio Castro, para identificar as necessidades do estado e avaliar a forma como o governo federal pode contribuir para minimizar o sofrimento da população, apoiar as forças de segurança e intensificar o combate às organizações criminosas.
Em contrapartida, o governador Cláudio Castro classificou a operação policial como um sucesso, afirmando que as únicas vítimas foram os policiais mortos e que o Rio de Janeiro é o epicentro do problema da segurança pública no país.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública já atendeu a um pedido do governo estadual para a transferência de dez detentos para presídios federais, sob a acusação de liderarem, de dentro das cadeias, ações de retaliação à operação policial.
O governo federal enviará peritos criminais e médicos legistas da Polícia Federal e da Força Nacional para auxiliar na identificação dos corpos. Segundo Lewandowski, o governo dispõe de um amplo banco de dados de DNA e balística, operado pela Polícia Federal, para elucidar os crimes e identificar as vítimas, buscando determinar se estavam ligadas a organizações criminosas.
O ministro informou que poderá aumentar o contingente da Força Nacional, que já atua no estado desde 2023, além de reforçar a presença da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Quanto à possibilidade de decretação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), Lewandowski esclareceu que a decisão cabe ao presidente da República, mediante solicitação formal do governador do estado. No entanto, a hipótese não foi discutida na reunião com Lula. O ministro defendeu uma abordagem de inteligência no combate ao crime organizado, em vez de força bruta.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

