Em uma iniciativa sem precedentes, um mutirão nacional mobilizou mais de mil hospitais e centros de saúde, tanto públicos quanto privados, para realizar mais de 230 mil procedimentos de saúde em todo o país. A ação, que priorizou o público feminino em alusão ao mês da mulher, incluiu uma vasta gama de exames, consultas especializadas e cirurgias eletivas. Integrante do programa “Agora Tem Especialistas”, lançado pelo governo federal no ano passado, o mutirão nacional pela saúde da mulher visa mitigar as extensas filas de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamentos de média e alta complexidade, reforçando o compromisso com a saúde e o bem-estar da população feminina brasileira.
A grandiosidade e o alcance da iniciativa
O evento foi caracterizado pela sua escala massiva e pela dedicação exclusiva à saúde da mulher, um marco na história do Sistema Único de Saúde. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância e o tamanho da mobilização durante sua visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB), uma das unidades parceiras que previu realizar 800 atendimentos durante o período do mutirão. Essa colaboração entre instituições de saúde de diversas naturezas, em todo o território nacional, evidenciou um esforço coordenado para atender uma demanda reprimida e oferecer acesso digno a serviços essenciais. A iniciativa não só desafogou as filas de espera, mas também demonstrou a capacidade de articulação entre diferentes esferas e setores da saúde em prol de um objetivo comum.
Diversidade de procedimentos para o público feminino
A gama de procedimentos disponibilizados foi abrangente, focando tanto no diagnóstico precoce quanto em tratamentos complexos. Mulheres em todo o país tiveram acesso a exames cruciais como tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias, e exames oftalmológicos e auditivos, fundamentais para a detecção de doenças em estágios iniciais, aumentando significativamente as chances de sucesso nos tratamentos.
Além disso, foram agendadas diversas cirurgias ginecológicas de alta relevância, incluindo histerectomias, reconstruções mamárias, retirada de tumores uterinos e laqueaduras tubárias, procedimentos que impactam diretamente a qualidade de vida e o planejamento familiar. O mutirão também contemplou cirurgias gerais importantes, como as de catarata, tratamento cirúrgico de varizes, retirada de hérnias, vesículas e tumores de pele. Todos esses procedimentos contaram com o suporte vital das secretarias estaduais e municipais de saúde, que desempenharam um papel crucial na regulação e encaminhamento das pacientes que já aguardavam por atendimento especializado, garantindo que as pessoas com maior necessidade fossem priorizadas.
Um destaque importante entre os tratamentos oferecidos foi o implante de aproximadamente 3,8 mil unidades do Implanon, um método contraceptivo subdérmico de alta eficácia e longa duração (até três anos), conhecido popularmente como “chip anticoncepcional”. Enquanto na rede privada esse procedimento pode ter um custo elevado, chegando a R$ 3 mil, o SUS o ofereceu gratuitamente, reforçando a visão do ministro de que, no mês da mulher, elas merecem não apenas presentes, mas dignidade e acesso a métodos modernos e seguros de planejamento familiar.
Estratégia e impacto do programa “Agora Tem Especialistas”
O sucesso do mutirão nacional é intrinsecamente ligado à estratégia do programa “Agora Tem Especialistas”. Uma das principais inovações implementadas foi a revisão da tabela de pagamentos do SUS, que resultou em um aumento de até quatro vezes nos valores repassados para cirurgias e exames. Essa medida visa incentivar e viabilizar a realização de mais procedimentos, tornando mais atraente para as unidades de saúde, públicas e privadas, a oferta desses serviços. Adicionalmente, o programa permitiu a troca de dívidas tributárias de hospitais privados por atendimento especializado a pacientes do SUS, criando um sistema de colaboração que beneficia diretamente a população que aguarda por serviços de saúde e, ao mesmo tempo, equaciona passivos fiscais. Essa abordagem levou o SUS a registrar um número recorde de cirurgias em 2025, com mais de 14,7 milhões de procedimentos eletivos, um aumento de 40% em relação a 2022, evidenciando a eficácia da nova estratégia para reduzir as filas acumuladas desde a pandemia.
Histórias de superação e acesso à saúde
Os impactos dessa iniciativa podem ser vistos nas vidas de inúmeras mulheres. Roseane Cunha, empregada doméstica de 41 anos, foi uma das beneficiadas. Após uma espera de cerca de quatro anos por uma deficiência auditiva, Roseane recebeu um aparelho auditivo durante o mutirão no HUB. Sua alegria era palpável: “Hoje estou muito feliz, porque recebi meu aparelho e estou podendo ouvir melhor, o que é muito gratificante”, compartilhou, destacando a profunda transformação em sua qualidade de vida. Ela também foi encaminhada para uma cirurgia de ouvido necessária, que será agendada, complementando o cuidado recebido.
Em outro setor do hospital, um mutirão oftalmológico exclusivo para mulheres com mais de 40 anos ofereceu exames detalhados, consultas com especialistas e até a distribuição de óculos em uma ótica provisória montada no local, facilitando o acesso imediato à correção visual. Cristina Pereira Gonçalves, roupeira de 42 anos, que já sentia dificuldades para enxergar de perto, saiu do atendimento com óculos e um encaminhamento para cirurgia de pterígio, elogiando a profundidade do tratamento recebido: “Fiz vários exames, em várias etapas, nem em clínica tinha feito um tratamento mais aprofundado”, expressou, indicando a excelência do serviço.
Rodolfo Lira, gerente de Atenção à Saúde do HUB, ressaltou que a mobilização amplia o acesso da população a atendimentos qualificados e resolutivos, fortalecendo o SUS ao concentrar esforços, integrar equipes multiprofissionais e otimizar a capacidade instalada dos hospitais universitários em benefício direto da população. Ele também mencionou a oferta de procedimentos como remoção de lesões oncológicas (embolia de miomas) e sessões de radioterapia, ampliando ainda mais o leque de serviços essenciais disponibilizados.
Fortalecendo o SUS e o futuro da saúde feminina
A realização deste mutirão representa um avanço significativo na política de saúde pública brasileira, demonstrando a capacidade do SUS de se reinventar e expandir seu alcance através de parcerias estratégicas e investimentos direcionados. Ao focar na saúde da mulher e na redução das filas de espera, especialmente após o represamento causado pela pandemia de COVID-19, que resultou na suspensão temporária de cirurgias eletivas e exames especializados, o programa “Agora Tem Especialistas” não apenas alivia o sofrimento individual, mas também fortalece o sistema de saúde como um todo. A integração de hospitais públicos e privados, juntamente com o aumento dos repasses, estabelece um modelo promissor para garantir que mais cidadãos tenham acesso a tratamentos de média e alta complexidade, assegurando dignidade e qualidade de vida para milhões de brasileiras.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Qual o objetivo principal do mutirão nacional pela saúde da mulher?
O principal objetivo do mutirão é reduzir as longas filas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) para exames, consultas e cirurgias de média e alta complexidade, priorizando o atendimento ao público feminino em um esforço concentrado em todo o país e em alusão ao mês da mulher.
2. Que tipos de procedimentos foram oferecidos durante a ação?
Foram oferecidos mais de 230 mil procedimentos, incluindo exames diagnósticos como tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias, exames oftalmológicos e auditivos. Também foram realizadas cirurgias ginecológicas (histerectomia, reconstrução mamária, retirada de tumor uterino, laqueadura) e cirurgias gerais (catarata, varizes, hérnia, vesícula, tumores de pele), além do implante de contraceptivos subdérmicos (Implanon).
3. Como o programa “Agora Tem Especialistas” contribui para o sucesso desses mutirões?
O programa “Agora Tem Especialistas” impulsiona os mutirões através de uma nova tabela de pagamentos do SUS, que aumentou o valor dos repasses para cirurgias e exames em até quatro vezes. Além disso, permite a troca de dívidas tributárias de hospitais privados por atendimento especializado a pacientes do SUS, ampliando significativamente a capacidade de oferta de serviços.
4. Quantos hospitais e centros de saúde participaram do mutirão?
Cerca de mil hospitais e centros de saúde, tanto públicos quanto privados, de todo o país, uniram-se para a realização deste grande mutirão. Essa ampla participação foi crucial para o alcance e a diversidade dos procedimentos oferecidos, garantindo uma cobertura nacional.
Mantenha-se informado sobre futuras iniciativas de saúde e programas que visam aprimorar o acesso e a qualidade dos serviços do SUS em sua região, e não hesite em procurar as secretarias de saúde para mais informações.

