Um homem de 26 anos, identificado como Antonio Carlos Soares Junior, foi preso em Itanhaém, litoral de São Paulo, sob a acusação de aliciar crianças e adolescentes através de uma rede social. De acordo com o delegado Alexandre Bento, responsável pela investigação, o suspeito possui o perfil completo de um predador sexual infantil.
A investigação teve início após a avó de uma menina de 10 anos descobrir mensagens e fotos de cunho sexual trocadas entre a neta e Antonio. O delegado Bento, da equipe do 42º Distrito Policial em São Paulo, destacou a rápida resposta da polícia, que conseguiu identificar e prender o suspeito poucos dias após a denúncia.
Antonio, formado em Tecnologia da Informação (TI) e atuante na área de certificação digital, alegou em depoimento que as conversas com os menores eram parte de um “jogo” onde ele interpretava um papel de “dominador”. Admitiu ter consciência do erro, mas alegou que os contatos foram exclusivamente virtuais. O suspeito também manifestou a necessidade de acompanhamento psicológico.
A investigação revelou que Antonio, utilizando o perfil ‘yblackspider’ com quase quatro mil seguidores, a maioria crianças e adolescentes, enviava fotos pornográficas, incentivava a vítima a retribuir e fazia comentários de teor sexual em seus vídeos de dança. A polícia comprovou a interação sexual com a criança, caracterizando o crime de grooming, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Durante o cumprimento dos mandados de busca, apreensão e prisão na residência de Antonio, no bairro Nossa Senhora do Sion, foram apreendidos celulares e computadores, que estão sob análise das autoridades.
A rede social utilizada pelo suspeito informou, por meio de nota, que a conta de Antonio foi desativada. A empresa declarou ter tolerância zero com exploração ou abuso sexual de usuários e que investiga e reporta esses casos ao National Center for Missing and Exploited Children, que auxilia as autoridades locais a levar os criminosos à Justiça.
O caso ganha relevância em um momento em que o combate à “adultização” de crianças nas redes sociais tem sido intensificado. Recentemente, uma lei foi sancionada para impor obrigações aos provedores digitais, como vincular perfis de menores a um responsável e remover conteúdos abusivos.
Fonte: g1.globo.com

