A Polícia Federal (PF) concluiu o primeiro relatório da Operação Narco Bet, revelando detalhes de um esquema de lavagem de dinheiro que envolve o empresário Rodrigo Morgado e o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira. O documento, que acusa formalmente 11 suspeitos, foi entregue ao Ministério Público Federal (MPF), que já apresentou a denúncia à Justiça.
A Operação Narco Bet foi desencadeada em outubro, após investigações indicarem que recursos provenientes de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas poderiam estar sendo direcionados ao setor de apostas eletrônicas, conhecidas como “bets”.
A operação é um desdobramento da Operação Narco Vela e resultou na apreensão de carros de luxo, joias, relógios, jet skis e dinheiro em espécie. Adicionalmente, mais de R$ 630 milhões em bens e valores foram bloqueados por decisão judicial.
Segundo o relatório da PF, Buzeira era responsável por gerar recursos ilícitos por meio de rifas e apostas clandestinas. Rodrigo Morgado, por sua vez, foi descrito pela corporação como um “banco particular” dos investigados.
A investigação da PF aponta que Morgado era responsável pela organização financeira do grupo, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais sem lastro, operando criptoativos e reintegrando os valores ao sistema financeiro formal. As análises da polícia indicam que Morgado movimentou mais de R$ 156 milhões em contas pessoais e recebeu mais de US$ 15 milhões em criptomoedas.
O relatório da corporação detalha 21 tipos de lavagem de dinheiro envolvendo Buzeira e Morgado, incluindo a compra de um imóvel de R$ 6 milhões, a manutenção de um caixa paralelo e a emissão de uma nota de R$ 50 milhões para justificar a entrada de recursos.
Além da dupla, outras nove pessoas foram indiciadas por lavagem de dinheiro. Quatro delas também são acusadas de participação em organização criminosa e três por uso de documento falso em processos empresariais.
O advogado Felipe Pires de Campos, representante de Rodrigo Morgado, declarou que seu cliente foi citado como “chefe financeiro” de uma organização criminosa no relatório da PF. No entanto, ele ressaltou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público se refere exclusivamente a possíveis ilícitos de natureza econômica, sem qualquer acusação relacionada ao tráfico internacional. O advogado manifestou confiança no esclarecimento dos fatos e no devido processo legal.
Morgado foi preso em outubro, em Santos. A corporação identificou repasses de R$ 19 milhões do contador para a empresa de Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, que também foi detido na mesma operação da PF.
A operação contou com a colaboração da Polícia Criminal Federal da Alemanha (Bundeskriminalamt – BKA), que cumpriu uma medida cautelar de prisão contra um dos investigados.
No total, foram cumpridos 11 mandados de prisão e 19 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os itens apreendidos estão carros de luxo importados, joias e dinheiro em espécie.
Fonte: g1.globo.com

