SUS lança teleatendimento gratuito para compulsão por apostas

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O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo importante na assistência à saúde mental ao inaugurar um serviço gratuito de teleatendimento focado na compulsão por jogos de apostas. A iniciativa visa oferecer suporte especializado a pessoas maiores de 18 anos que enfrentam problemas com as chamadas “bets”, bem como a seus familiares e redes de apoio. Este novo canal de cuidado é uma resposta direta à crescente demanda por tratamento para transtornos relacionados a jogos, buscando acolher indivíduos em sofrimento mental e financeiro. Em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), a expectativa inicial é realizar 600 atendimentos online por mês, com planos de expansão para alcançar até 100 mil atendimentos mensais, demonstrando a escala e a relevância da ação para a saúde pública brasileira.

Ação inédita contra a compulsão por apostas

O lançamento do teleatendimento
A recente ativação do teleatendimento em saúde mental pelo SUS marca um avanço significativo no combate à compulsão por jogos de apostas. O serviço, que prioriza a acessibilidade e a gratuidade, é uma medida proativa para abordar um problema de saúde pública que, por vezes, permanece oculto devido ao estigma e à dificuldade de reconhecimento. A implementação desta ferramenta digital é resultado de uma parceria estratégica, utilizando a expertise de instituições renomadas para garantir um cuidado de alta qualidade e baseado em evidências.

Público-alvo e alcance esperado
O atendimento é direcionado a qualquer pessoa com 18 anos ou mais que identifique sinais de compulsão por jogos, estendendo-se também a familiares e cuidadores que buscam apoio para lidar com a situação. Inicialmente, o projeto prevê a realização de 600 atendimentos mensais, mas a infraestrutura e o planejamento permitem uma rápida adaptação para atender a uma demanda muito maior, com a meta ambiciosa de expandir para 100 mil atendimentos por mês. Esse alcance demonstra o compromisso em prover auxílio a um número expressivo de cidadãos, minimizando o sofrimento mental, financeiro e familiar associado à dependência de apostas eletrônicas. Dados anteriores já apontavam que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) registravam anualmente milhares de atendimentos presenciais para casos de compulsão por jogos, evidenciando a urgência de expandir as opções de acesso ao tratamento.

Detalhes do atendimento e equipe multidisciplinar

Como funcionam as consultas
As consultas são realizadas por videochamada, com duração média de 45 minutos. Elas se integram em ciclos estruturados de cuidado, que podem incluir até 13 sessões por paciente. Os atendimentos podem ser individuais ou em grupo, permitindo a participação da rede de apoio do indivíduo, o que reforça o caráter integrativo do tratamento. A confidencialidade e a gratuidade são pilares fundamentais do serviço, garantindo que o acesso não seja impedido por barreiras financeiras ou receios relacionados à privacidade. A flexibilidade do formato online foi pensada para superar obstáculos como a vergonha e o medo do julgamento, que frequentemente impedem a busca por ajuda presencial.

Profissionais envolvidos e articulação com a rede
A equipe de atendimento é multiprofissional, composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais. Quando necessário, há o suporte de médicos psiquiatras, garantindo uma abordagem completa e adaptada às necessidades de cada paciente. Além disso, o serviço promove a articulação com a assistência social e a medicina de família, visando uma integração efetiva com os serviços de saúde locais. Essa abordagem colaborativa assegura que o indivíduo receba um cuidado contínuo e que a sua jornada de recuperação seja abrangente, conectando o teleatendimento a outras frentes de suporte disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Acesso simplificado via Meu SUS Digital

Passo a passo para o cadastro
Para acessar o teleatendimento, os interessados devem utilizar o aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente nas lojas Android, iOS ou por meio da versão web. Após o download e o login com a conta gov.br, o usuário deve navegar até a seção “Miniapps” na página inicial e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”. Este processo simplificado visa democratizar o acesso ao tratamento, utilizando a infraestrutura digital já consolidada do sistema de saúde.

Autoteste e encaminhamento
Uma etapa crucial no processo de acesso é o autoteste, uma ferramenta baseada em evidências científicas e validada no Brasil por especialistas. Ele contém perguntas que auxiliam o usuário a identificar sinais de risco relacionados à compulsão por jogos. Se o resultado indicar um risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático. Para casos de menor risco, o aplicativo oferece orientação para buscar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que engloba desde os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) até as Unidades Básicas de Saúde (UBS), assegurando que nenhum caso fique sem direcionamento.

Apoio complementar e informações
O aplicativo Meu SUS Digital não se limita apenas ao encaminhamento para o teleatendimento; ele também oferece vasto conteúdo informativo sobre sinais de alerta, prevenção e o impacto da prática de apostas na saúde mental. Adicionalmente, a Ouvidoria do SUS, acessível pelo telefone 136, por teleatendimento, formulário, WhatsApp ou chatbot no site oficial, está preparada para oferecer orientações sobre o tema. Todas as informações e interações seguem rigorosamente as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a segurança e privacidade dos usuários.

Contexto e justificativa da iniciativa

O impacto da compulsão por jogos no Brasil
A decisão de implementar o teleatendimento gratuito surge em um contexto de crescente preocupação com os problemas relacionados a jogos de apostas online. Estudos recentes apontam que a compulsão por “bets” gera perdas econômicas e sociais significativas para o país, estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente. Além do prejuízo financeiro individual e familiar, o problema acarreta um profundo sofrimento mental, que muitas vezes é negligenciado ou não tratado devido à falta de acesso a serviços especializados. A iniciativa representa uma resposta direta a esse fenômeno, que afeta milhares de brasileiros.

Superando barreiras com o teleatendimento
A busca espontânea por atendimento presencial para a compulsão por jogos ainda é baixa, frequentemente dificultada por fatores como a vergonha, o medo do julgamento ou a própria dificuldade do indivíduo em reconhecer que possui um problema. O teleatendimento foi estruturado precisamente para transpor essas barreiras, ampliando o acesso ao cuidado de forma reservada, segura e acessível. A modalidade online permite que mais pessoas busquem ajuda sem a necessidade de deslocamento físico, em um ambiente que proporciona maior conforto e privacidade.

Capacitação e integração na rede de saúde

Formação de profissionais de saúde
Para garantir a qualidade e a padronização dos atendimentos, está em curso um programa de capacitação de profissionais de saúde, em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foram disponibilizadas 20 mil vagas para trabalhadores da saúde interessados em se especializar nesse tipo de atendimento. A adesão tem sido expressiva, com 13 mil inscrições e 1,5 mil profissionais já tendo concluído a formação. Com mais 7 mil vagas ainda disponíveis e a possibilidade de abertura de novas turmas, a iniciativa reforça o compromisso com a formação contínua e a preparação de uma força de trabalho qualificada para lidar com a demanda.

A linha de cuidado abrangente
O teleatendimento integra uma Linha de Cuidado mais ampla para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas. Esta linha inclui também orientações clínicas detalhadas, presentes no Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas. O objetivo primordial é, sempre que possível, resolver a compulsão por meio do teleatendimento. Contudo, caso a complexidade do caso exija, o paciente será direcionado para o conjunto da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), garantindo uma transição fluida e um cuidado continuado, seja em ambiente online ou presencial.

Ferramenta de autoexclusão e prevenção

Bloqueio voluntário de sites de apostas
Complementando o teleatendimento, o governo federal lançou em dezembro passado a Plataforma de Autoexclusão Centralizada. Esta ferramenta permite que apostadores que desejam interromper o vício solicitem o bloqueio de sites de apostas, além de tornar seu CPF indisponível para novos cadastros ou para o recebimento de publicidade das “bets”. A plataforma oferece opções de bloqueio por dois meses, seis meses ou tempo indeterminado, e o cadastro pode ser feito de forma simples pelo endereço eletrônico gov.br/autoexclusaoapostas, utilizando uma conta gov.br de nível prata ou ouro.

Resultados e integração com o SUS
Desde o seu lançamento, mais de 300 mil pessoas já utilizaram a plataforma para se autoexcluir, reduzindo sua exposição ao risco e bloqueando, inclusive, propagandas de jogos. É notável que a maioria desses usuários optou pelo bloqueio por tempo indeterminado, demonstrando a gravidade e a seriedade da busca por recuperação. A integração entre a autoexclusão e o sistema de saúde permite identificar usuários em risco grave de saúde mental por meio do CPF, cruzando informações com o cartão SUS do indivíduo e a sua frequência em Unidades Básicas de Saúde, garantindo um encaminhamento rápido e correto para o atendimento necessário. Essa abordagem multifacetada reflete um esforço conjunto para proteger a saúde e o bem-estar da população brasileira.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quem pode acessar o teleatendimento para compulsão por apostas?
O serviço é destinado a pessoas maiores de 18 anos com compulsão por jogos de apostas, bem como a seus familiares e redes de apoio que buscam orientação e suporte.

Como faço para me cadastrar e iniciar o atendimento?
É necessário baixar o aplicativo Meu SUS Digital (disponível para Android, iOS e web), fazer login com sua conta gov.br, ir em “Miniapps”, selecionar “Problemas com jogos de apostas?” e preencher um autoteste. Se o risco for moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático.

Qual a duração e frequência das consultas?
As consultas duram em média 45 minutos e fazem parte de ciclos de cuidado que podem incluir até 13 sessões. Elas podem ser individuais ou em grupo, com a rede de apoio do paciente.

O serviço é gratuito e confidencial?
Sim, o teleatendimento é totalmente gratuito e as informações dos pacientes são tratadas com a máxima confidencialidade, seguindo as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O que é a plataforma de autoexclusão e como ela funciona?
A Plataforma de Autoexclusão Centralizada permite que o apostador solicite o bloqueio de sites de apostas e impeça o recebimento de publicidade. O cadastro é feito pelo gov.br/autoexclusaoapostas e permite escolher períodos de bloqueio de 2 meses, 6 meses ou tempo indeterminado.

Se você ou alguém que conhece enfrenta problemas com a compulsão por apostas, não hesite em buscar ajuda. Acesse o aplicativo Meu SUS Digital e inicie seu caminho para o cuidado e a recuperação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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