Bloco Aparelhinho: 15 anos de revolução e celebração no carnaval de Brasília

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O Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de existência, consolidando-se como um pilar essencial do carnaval de rua em Brasília. O que começou como um experimento despretensioso com um sistema de som eletrônico sobre um carrinho, inspirado nas aparelhagens paraenses, transformou-se em um movimento cultural que redefiniu a forma como a capital federal vivencia a folia. Pioneiro em uma cidade onde o carnaval de rua era considerado inexistente, o Aparelhinho não apenas trouxe música e alegria para as avenidas e ruas, mas também promoveu uma apropriação do espaço público, colorindo e animando a cidade com sua energia contagiante. Sua trajetória é um testemunho da paixão pela folia e do desejo de ver a celebração popular florescer no coração do país, marcando sua festa de aniversário com um repertório vibrante e a presença fiel de milhares de foliões.

A gênese de um movimento carnavalesco

A história do Bloco Aparelhinho começa com uma visão: trazer o carnaval de rua para Brasília, uma cidade muitas vezes percebida como carente de folia espontânea. Em 2009, o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, junto com o arquiteto Gustavo Góes, concebeu a ideia de um “objeto empurrável” inspirado nas potentes aparelhagens sonoras do Pará. O primeiro protótipo, um carrinho simples com quatro caixas de som ativas, foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), onde Ops era estudante de artes cênicas. A intenção era replicar a essência de uma fanfarra, mas com um toque eletrônico e contemporâneo, permitindo que a música percorresse as ruas da cidade de forma autônoma e irreverente.

Das ruas ao reconhecimento: a trajetória do Aparelhinho

Essa iniciativa inicial não tinha grandes expectativas, mas o sucesso foi imediato e avassalador. “Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. Já de cara, a cidade amou o projeto”, relembrou Ops. Ao longo de 15 anos, o conceito do Aparelhinho evoluiu dramaticamente. O carrinho inicial transformou-se em uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante, ostentando as cores vibrantes do bloco, azul e laranja. Houve carrinhos de madeira, de ferro, versões online durante a pandemia, charretes, trios e até carretas, demonstrando a capacidade de adaptação e inovação do movimento em resposta às necessidades e possibilidades de cada carnaval.

A consolidação do Aparelhinho não se deu apenas pela evolução de sua estrutura, mas também pelo apoio institucional. Há alguns carnavais, o bloco tem contado com o suporte financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, um reconhecimento da sua importância para o calendário cultural da capital. Em 2024, a organização do Aparelhinho envolve aproximadamente 100 pessoas, refletindo a complexidade e o alcance do evento. Mais do que um simples bloco, o Aparelhinho se tornou um símbolo de apropriação do carnaval de rua e de ressignificação do espaço público em Brasília, provando que a paixão pela folia pode, sim, florescer e transformar qualquer lugar em palco de celebração.

Diversidade sonora e inclusão social

A identidade do Bloco Aparelhinho vai além da sua marcante história de ocupação urbana; ela se manifesta na sua linguagem sonora e no seu compromisso com a inclusão. Arrastando milhares de foliões pelo Setor Bancário Sul de Brasília, o aniversário do bloco foi embalado por um repertório cuidadosamente elaborado pelos DJs fundadores — Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata — e convidados como Biba e Mica, e os Pororoca DJs (Emidio e Leroy). A atmosfera vibrante é um convite à celebração, atraindo um público diversificado que busca a alegria e a energia do carnaval.

Além do som: ocupação urbana e barreiras de acessibilidade

A proposta musical do Aparelhinho é explicitamente diversa. “A gente toca música do mundo”, afirmou o DJ Rodrigo Barata, destacando a base eletrônica que permeia desde remixes de clássicos dos carnavais brasileiros — frevos, axés, sambas-enredos — até ritmos contemporâneos como brega funk e piseiro, sem deixar de lado o rock and roll e diversas vertentes da música eletrônica global. Essa fusão sonora atrai um público variado, como o cozinheiro Iago Roberto, que, em seu primeiro carnaval brasiliense, se surpreendeu positivamente. “Não escuto no dia a dia, mas estou curtindo. Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”, disse Iago, que, após três anos fora do Brasil, retornou com o desejo de vivenciar o carnaval de rua e encontrou no Aparelhinho uma experiência que “está atendendo” suas altas expectativas, prometendo muitos retornos nos próximos anos.

Além da música, o Aparelhinho se orgulha de promover um espaço democrático e inclusivo, acolhendo desde crianças até pessoas com dificuldades de locomoção. No entanto, a realidade das ruas ainda impõe desafios significativos. A dentista Fabiana Montandon, foliã assídua há 10 anos, participou do bloco com a perna imobilizada e se deparou com a infraestrutura deficiente do Setor Bancário Sul. “Bastante buraco na pista, a calçada não tem rampinhas pra descer e o banheiro é pseudo-acessível”, relatou. Embora o bloco anuncie um espaço acessível, Fabiana observou que a plena consciência das barreiras só se manifesta “quando a gente está nessa situação”. Apesar das dificuldades, seu amor pelo Aparelhinho e sua música diversa, que mescla ritmos modernos e clássicos dos anos 80, permanece inabalável, ressaltando a importância de se debater e melhorar a acessibilidade em eventos de rua.

A discussão sobre a ocupação do espaço público também é central para o Aparelhinho. Bruna Daibert, publicitária que acompanha o bloco desde 2012 e traz sua filha de 16 anos para a folia, defende a importância de “formar esse novo público de carnavalescos” e de o carnaval “ocupar, inclusive, o meio das quadras “. Essa visão contrasta com a disputa entre aqueles que desejam a festa em todos os espaços e os que preferem a concentração dos blocos em locais fixos, citando preocupações com barulho e sujeira – como ocorreu em 2023 com o Bloco Galinho de Brasília, que teve seu desfile cancelado em meio a restrições de trajeto por quadras residenciais da Asa Sul, concentrando-se hoje no Setor de Autarquias Sul. Para Bruna, a cidade deve abraçar o carnaval em sua totalidade: “é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, tão colorido, tão feliz”, defendendo a essência da folia como um elemento vital para a cultura e a alegria da cidade.

Um legado de folia e transformação para Brasília

Ao completar 15 anos, o Bloco Aparelhinho solidifica seu papel não apenas como um evento festivo, mas como um agente transformador do cenário cultural de Brasília. Nascido da audácia de criar folia onde se dizia não haver espaço, o bloco demonstrou que a paixão e a criatividade podem moldar a identidade de uma cidade. Sua evolução, desde um carrinho simples até uma estrutura complexa e apoiada institucionalmente, é um espelho do crescimento do próprio carnaval de rua na capital federal. O Aparelhinho continua a ser um ponto de encontro de gerações e culturas, onde a diversidade sonora e a busca por inclusão se entrelaçam com a alegria contagiante da folia. Ao enfrentar desafios de infraestrutura e promover debates sobre a ocupação do espaço público, o bloco reafirma seu compromisso com um carnaval vibrante, acessível e verdadeiramente brasiliense, prometendo muitas outras décadas de cor, som e celebração para as ruas da capital. Sua trajetória é um exemplo inspirador de como a iniciativa popular pode florescer e deixar uma marca indelével na cultura de uma cidade.

Perguntas frequentes sobre o Bloco Aparelhinho

Qual a origem do Bloco Aparelhinho?
O Bloco Aparelhinho surgiu em 2009 em Brasília, idealizado pelo DJ Rafael Ops e o arquiteto Gustavo Góes. Sua inspiração veio das aparelhagens sonoras do Pará, e o primeiro “carrinho” com caixas de som foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da UnB, com o objetivo de criar um carnaval de rua na capital federal, que era considerada sem tradição carnavalesca.

Como o Bloco Aparelhinho evoluiu ao longo dos anos?
Começando com um carrinho simples e quatro caixas de som, o Aparelhinho passou por diversas transformações. Sua estrutura tornou-se mais tecnológica e visualmente impactante, incorporando as cores azul e laranja. Já utilizou diferentes formatos como madeira, ferro, teve versões online na pandemia, charrete, trio e carreta, adaptando-se e crescendo para o movimento que é hoje, com apoio da Secretaria de Cultura do DF e envolvendo cerca de 100 pessoas na organização.

Qual o tipo de música tocada no Aparelhinho e quem o bloco busca incluir?
O Aparelhinho é conhecido por sua linguagem sonora de base eletrônica e diversificada. Seu repertório inclui remixes de frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, rock and roll e várias vertentes da música eletrônica, abrangendo “música do mundo”. O bloco é promovido como um espaço democrático e inclusivo, acolhendo desde crianças até pessoas com dificuldades de locomoção, embora ainda enfrente desafios de acessibilidade nas ruas da cidade.

Não perca a chance de vivenciar a energia contagiante do Aparelhinho nos próximos carnavais! Acompanhe as redes sociais do Bloco Aparelhinho para ficar por dentro das datas, percursos e novidades. Junte-se à folia e faça parte dessa história que colore e anima Brasília!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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