A Polícia Civil de Santos, no litoral paulista, executou um mandado de busca e apreensão em uma clínica de audição localizada dentro de um shopping center, em uma operação que visa desvendar um esquema de golpes supostamente aplicado contra clientes, majoritariamente idosos. A ação policial resultou na apreensão de diversos materiais que podem ser cruciais para o avanço da investigação. O estabelecimento, conhecido como “Hospital do Ouvido”, situado no Shopping Parque Balneário, está sob investigação por estelionato, com seu responsável sendo apontado em pelo menos cinco boletins de ocorrência. As denúncias indicam um padrão de conduta onde as vítimas, atraídas por ofertas de avaliações gratuitas, eram persuadidas a adquirir aparelhos auditivos sob pressão e com promessas de descontos, resultando em prejuízos financeiros e, em alguns casos, na não entrega dos produtos. A diligência da Polícia Civil de Santos busca consolidar as provas e dar continuidade ao inquérito.
A investigação policial e o modus operandi
A Polícia Civil de Santos iniciou a investigação após o registro de múltiplas queixas que apontavam para um padrão de conduta fraudulenta por parte da clínica de audição. De acordo com o inquérito policial, as vítimas, em sua maioria pessoas idosas e, portanto, mais vulneráveis, eram abordadas por meio de anúncios que prometiam avaliações auditivas gratuitas e sem compromisso. Uma vez na clínica, elas eram submetidas a supostos exames e, em seguida, pressionadas a contratar aparelhos auditivos de alto custo.
Padrão dos golpes e prejuízos às vítimas
O método empregado, conforme relatado por pelo menos nove vítimas que já prestaram depoimento, incluía intensa pressão psicológica e promessas de descontos significativos para a aquisição imediata dos dispositivos. Este cenário levava muitos consumidores a fecharem contratos e efetuarem pagamentos, muitas vezes comprometendo suas finanças. Contudo, as promessas nem sempre se concretizavam, e em diversos casos, os aparelhos auditivos adquiridos sequer chegavam a ser entregues, deixando as vítimas com consideráveis prejuízos financeiros e sem a solução para seus problemas auditivos. A equipe do 7º Distrito Policial de Santos, responsável pela condução do caso, analisou os contratos firmados diretamente pelo suspeito, bem como documentos de venda e laudos apresentados pelas vítimas, o que fundamentou o pedido de medidas judiciais.
A ação da polícia e o cenário na clínica
Diante do volume de denúncias e das evidências coletadas, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do investigado, responsável pela clínica. Contudo, a ordem judicial expedida foi de um mandado de busca e apreensão no endereço da clínica. Esta decisão permitiu que os policiais avançassem na coleta de provas materiais no local que se tornou o centro das acusações.
Mandado cumprido e itens apreendidos
A operação de busca e apreensão foi realizada na última quarta-feira (4), na própria clínica localizada no Shopping Parque Balneário. Ao chegarem ao local, os investigadores se depararam com um cenário que corroborava as suspeitas de abandono: a clínica estava praticamente vazia, com a porta entreaberta e as luzes apagadas. No interior, a equipe do 7º Distrito Policial realizou a apreensão de uma vasta gama de materiais de interesse para a investigação. Entre os itens recolhidos estavam computadores e diversos equipamentos eletrônicos, crachás de identificação, jalecos médicos, material publicitário que possivelmente era usado para atrair as vítimas, documentos variados que podem detalhar as transações financeiras e contratos, além de revistas especializadas da área e outros objetos que, embora não especificados, são considerados relevantes para o esclarecimento dos fatos. Todo o material apreendido será analisado minuciosamente para robustecer o inquérito.
O perfil do investigado e a postura do shopping
A investigação revelou detalhes sobre o histórico do principal suspeito, que joga luz sobre a gravidade das acusações e a natureza de sua conduta. O indivíduo à frente da clínica “Hospital do Ouvido” possui um histórico de envolvimento em práticas delituosas, o que reforça as alegações de estelionato.
Histórico criminal e a resposta das autoridades
Conforme informações da Polícia Civil, o investigado possui antecedentes criminais relacionados a fraudes. Essa não é a primeira vez que ele está sob os holofotes da justiça; inclusive, já foi detido anteriormente, em 2023, no Rio de Janeiro, por delitos semelhantes. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), em nota oficial, confirmou o registro do caso no 7º Distrito Policial de Santos e afirmou que as investigações prosseguem ativamente para o completo esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
Paralelamente à ação policial, o Shopping Parque Balneário, onde a clínica estava instalada, também se pronunciou. A administração do shopping informou que tomou conhecimento da diligência policial por meio de terceiros. Sobre as reclamações de consumidores, o shopping esclareceu que já havia notificado formalmente o lojista e solicitado providências para a regularização da situação. O empreendimento ressaltou que não faz parte do procedimento investigatório, mas garantiu que permanece à disposição das autoridades para colaborar integralmente com a apuração dos fatos.
Desdobramentos e cautela ao consumidor
A ação da Polícia Civil em Santos representa um passo significativo na proteção de consumidores, especialmente os idosos, contra esquemas fraudulentos. A investigação em andamento busca não apenas punir os responsáveis, mas também desmantelar práticas abusivas que lesam financeiramente e emocionalmente as vítimas. A apreensão de materiais na clínica é fundamental para aprofundar o entendimento sobre a extensão dos golpes e identificar outros possíveis envolvidos. Este caso serve como um alerta importante para a população, reforçando a necessidade de cautela ao lidar com ofertas aparentemente vantajosas, especialmente aquelas que envolvem pressão para decisões rápidas e pagamentos imediatos. As autoridades continuam empenhadas em garantir a justiça e coibir a atuação de criminosos que se aproveitam da vulnerabilidade alheia.
Perguntas frequentes
1. O que motivou a busca e apreensão na clínica de audição em Santos?
A busca e apreensão foi motivada por denúncias de pelo menos nove vítimas, a maioria idosas, que alegaram terem sido alvo de golpes de estelionato na clínica, envolvendo a venda de aparelhos auditivos sob pressão e promessas não cumpridas.
2. Qual era o modus operandi dos supostos golpes aplicados aos clientes?
O esquema consistia em atrair vítimas com anúncios de avaliações auditivas gratuitas. Após os exames, as pessoas eram submetidas a pressão psicológica para contratar aparelhos auditivos caros, com promessas de grandes descontos, resultando em prejuízos financeiros e, muitas vezes, na não entrega dos produtos.
3. O que a polícia apreendeu no local da clínica?
Durante a diligência, a Polícia Civil apreendeu computadores, diversos equipamentos eletrônicos, material publicitário, crachás, documentos, revistas especializadas, jalecos médicos e outros objetos considerados de interesse para a investigação.
4. O responsável pela clínica já possuía antecedentes criminais?
Sim, o investigado possui antecedentes por envolvimento em crimes relacionados a fraudes e já foi preso em 2023 no Rio de Janeiro por ocorrências similares.
5. Qual a postura do shopping onde a clínica estava localizada diante do ocorrido?
O Shopping Parque Balneário informou que tomou conhecimento da ação policial por terceiros, já havia notificado formalmente o lojista sobre reclamações de consumidores e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, embora não seja parte do procedimento.
Para manter-se informado sobre este e outros casos de segurança e defesa do consumidor na região de Santos, acompanhe as atualizações das autoridades e veículos de imprensa.
Fonte: https://g1.globo.com

