A inadimplência voltou a registrar alta em Santos em dezembro de 2025, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento no indicador. Os dados constam em relatório divulgado pela CDL Santos Praia, com base em levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.
Segundo a pesquisa, a cidade apresentou aumento de 1,02% na inadimplência em dezembro, em comparação com novembro, quando o índice havia sido de 2,61%. O desempenho segue a mesma tendência observada na região Sudeste, que registrou alta de 1,06%, e no Brasil, com crescimento de 0,87% no mesmo período.
Na análise anual, comparando dezembro de 2025 com dezembro de 2024, o avanço acumulado da inadimplência em Santos foi de 11,15%. No Sudeste, o crescimento foi de 8,22%, enquanto a média nacional ficou em 10,17%.
Para o presidente da CDL Santos Praia, Nicolau Miguel Obeidi, o cenário reflete principalmente o impacto do aumento dos preços de itens básicos e a consequente perda do poder de compra da população. “Muitas pessoas acabam optando por empréstimos ou não conseguem pagar as contas por causa dos altos preços de despesas essenciais, o que vira uma bola de neve. Dezembro também é um mês marcado por compras e pelo Natal, e muita gente, mesmo endividada, não deixa de presentear quem ama”, analisa.
Como é feito o levantamento
Os dados são divulgados mensalmente e têm como base o banco de informações do SPC Brasil. O estudo verifica se a quantidade de devedores e de dívidas aumentou ou diminuiu em relação ao mês anterior e no acumulado de 12 meses. A partir dessas informações, é possível traçar perfis por sexo, faixa etária, valor das dívidas, tempo de atraso, número de débitos em aberto e setores com maior índice de inadimplência. A CDL não tem acesso a dados pessoais dos consumidores negativados.
Perfil da inadimplência em Santos
Em Santos, a maior concentração de inadimplentes está na faixa etária entre 50 e 64 anos, que representa 24,89% do total. Em relação ao sexo, a distribuição é equilibrada: 52,49% são mulheres e 47,51% homens.
No que se refere ao valor das dívidas, cada consumidor negativado na cidade devia, em média, R$ 6.169,65 em dezembro de 2025, considerando a soma de todos os débitos. A distribuição por faixa de valor mostra que:
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25,47% tinham dívidas de até R$ 500;
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11,33% deviam entre R$ 500,01 e R$ 1.000;
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17,77% entre R$ 1.000,01 e R$ 2.500;
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22,26% entre R$ 2.500,01 e R$ 7.500;
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23,17% acima de R$ 7.500.
O tempo médio de atraso dos devedores é de 29,5 meses, o equivalente a dois anos e cinco meses. Do total, 35,83% estão inadimplentes há um período entre um e três anos.
Número de dívidas em atraso
Em dezembro de 2025, o número de dívidas em atraso de moradores de Santos cresceu 0,92% em relação a novembro. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 19,09% na cidade, percentual superior ao registrado no Sudeste (16,01%) e no Brasil (17,14%).
Em números absolutos, cada consumidor inadimplente em Santos possuía, em média, 2,273 dívidas em atraso. O índice ficou abaixo da média da região Sudeste, de 2,289 dívidas por pessoa, e acima da média nacional, que foi de 2,237.
Setores com maior índice de inadimplência
O levantamento aponta que o setor de Bancos concentra a maior parte das dívidas em atraso em Santos, com 78,14% do total. Na sequência aparecem os segmentos classificados como “outros” (9,10%), Água e Luz (6,38%), Comunicação (3,84%) e Comércio (2,55%).
O relatório reforça a necessidade de atenção ao endividamento das famílias e ao impacto da inflação e do crédito no orçamento doméstico, especialmente em períodos de maior consumo, como o fim de ano.

