Em um momento de reflexão e celebração, o movimento de mulheres negras no Brasil se une para comemorar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher e projetar a Marcha das Mulheres Negras de 2025, em Brasília. A mobilização, que ganha força em todo o país, reafirma o compromisso com a luta antirracista e o enfrentamento de todas as formas de violência.
Uma das vozes proeminentes nesse cenário é a da Dra. Jurema Werneck, médica, ativista de direitos humanos e fundadora da ONG Crioula, que atualmente lidera a Anistia Internacional do Brasil. Em suas declarações, ela enfatiza a histórica contribuição das mulheres negras em diversas áreas, desde a cultura até a saúde, destacando sua constante presença nas lutas sociais ao longo dos séculos.
“Nossa tradição de produção de cultura, de alegria e de saúde já vem de muito tempo”, afirma Werneck, ressaltando a importância de reconhecer e valorizar o legado de resistência e protagonismo das mulheres negras. Ela recorda figuras importantes como Dandara e Lélia Gonzalez, além de destacar o papel dos movimentos de jovens negras, das mulheres de fazendas e periferias, das quilombolas e das cientistas, todas unidas na busca por transformação social.
Ao refletir sobre a primeira Marcha das Mulheres Negras, realizada há dez anos, a Dra. Werneck avalia que o evento promoveu uma mudança significativa na forma como a sociedade enxerga as mulheres negras, impulsionando sua participação na política e no debate público. Ela cita o exemplo de Marielle Franco e de outras mulheres que ocupam posições de destaque atualmente.
Apesar dos avanços conquistados, Werneck alerta para o momento de retrocesso que o país enfrenta, com o aumento da violência e do racismo em diversas esferas. Diante desse cenário, a Marcha de 2025 se apresenta como uma oportunidade crucial para reagrupar forças, fortalecer a plataforma de luta contra o racismo e a violência, e reafirmar o compromisso com o bem-viver e as reparações históricas. O evento promete reunir mulheres negras de todo o país e do mundo, em um grande ato de resistência e esperança.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

