Pezeshkian: Irã não tem inimizade pelo povo dos EUA

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Em um cenário de intensas tensões geopolíticas, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, enviou uma mensagem pública direcionada ao “povo dos Estados Unidos da América” e a “aqueles que buscam a verdade”. Na declaração, publicada em uma rede social, Pezeshkian afirmou que o povo iraniano não nutre inimizade contra outras nações, incluindo os cidadãos americanos, europeus ou de países vizinhos. O líder iraniano destacou uma longa história de intervenções estrangeiras sofridas pelo país persa, buscando contrapor o que ele descreve como “distorções e narrativas fabricadas”. Esta comunicação emerge em um momento crucial, com o Irã enfrentando desafios complexos no cenário internacional e doméstico, reiterando a distinção entre governos e populações.

A posição iraniana em meio ao conflito

Distinção entre governos e povos
Masoud Pezeshkian enfatizou que os iranianos sempre fizeram uma clara distinção entre os governos e os povos que eles governam. Segundo o presidente, este é um princípio profundamente enraizado na cultura e na consciência coletiva iraniana, e não uma posição política passageira ou oportunista. O líder persa ressaltou que o Irã, uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana, apesar de suas vantagens históricas e geográficas, “nunca escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação”. Essa perspectiva busca posicionar o Irã como uma nação que, historicamente, prioriza a coexistência e a autodefesa em vez de conflitos ofensivos, mesmo diante de provocações ou pressões externas.

O cerco militar e a autodefesa
No contexto dessa filosofia, Pezeshkian abordou a presença militar dos Estados Unidos na região. O presidente iraniano apontou que os EUA concentraram um grande número de forças, bases e capacidades militares ao redor do Irã, um país que, conforme ele destaca, “nunca iniciou uma guerra, ao menos desde a fundação dos Estados Unidos”. Pezeshkian argumentou que as recentes agressões americanas, lançadas a partir dessas bases, demonstraram o quão ameaçadora essa presença militar realmente é. Diante dessa realidade, ele defendeu que “nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas”. Assim, as ações do Irã são apresentadas como uma “resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão”, segundo o líder persa.

Histórico de tensões e resiliência iraniana

O legado da Operação Ajax e sanções
Pezeshkian ponderou que as relações entre Irã e EUA nem sempre foram hostis, mas deterioraram-se drasticamente após o que ele descreveu como um golpe de Estado articulado pelos norte-americanos, com apoio do Reino Unido. Este evento, conhecido como Operação Ajax, derrubou o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, em 1953, após a decisão de nacionalizar os recursos petrolíferos do país. O presidente iraniano afirmou que esse golpe “desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA”. Essa desconfiança, ele acrescentou, foi aprofundada pelo apoio americano ao regime do Xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta nos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna, e, finalmente, “agressões militares não provocadas — duas vezes, inclusive em meio a negociações — contra o Irã”. A carta destaca um longo histórico de intervenções que moldaram a percepção iraniana sobre as intenções dos EUA.

Desenvolvimento e desafios pós-Revolução Islâmica
Apesar das intensas pressões externas e das sanções, Pezeshkian observou que essas medidas fracassaram em enfraquecer o Irã. Pelo contrário, o país teria se fortalecido em diversas áreas após a Revolução Islâmica. Ele citou que as taxas de alfabetização triplicaram, o ensino superior se expandiu significativamente, avanços expressivos foram alcançados em tecnologia moderna, os serviços de saúde melhoraram e a infraestrutura se desenvolveu em um ritmo e escala incomparáveis ao passado. O presidente caracterizou essas conquistas como “realidades mensuráveis e observáveis, que existem independentemente de narrativas fabricadas”. Contudo, Pezeshkian também ressaltou que o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão sobre a vida do “resiliente povo iraniano” não deve ser subestimado. Ele afirmou que a continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente a vida, as atitudes e as perspectivas das pessoas, gerando ressentimento.

Questionamentos sobre os interesses dos EUA e influência externa
No que diz respeito ao conflito atual, Masoud Pezeshkian questionou se os interesses do povo norte-americano estão sendo verdadeiramente atendidos por essa guerra. Ele indagou sobre a existência de alguma “ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento”, e se o “massacre de crianças inocentes, a destruição de instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer, ou vangloriar-se de bombardear um país ‘de volta à idade da pedra'” serve a algum propósito além de prejudicar a posição global dos Estados Unidos. O presidente iraniano também sugeriu uma possível manipulação, levantando a questão se os EUA não estariam sendo influenciados por Israel na promoção deste conflito. Ele questionou se Israel, “ao fabricar uma ameaça iraniana, busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos” e se o país “pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano”, deslocando o ônus de suas ambições sobre a região e os próprios Estados Unidos.

Perspectivas futuras e um apelo ao diálogo
O presidente iraniano reiterou que o Irã sempre buscou negociações e cumpriu seus compromissos, sugerindo que a decisão de se retirar de acordos, escalar o confronto e lançar agressões militares em meio a negociações foram escolhas destrutivas feitas pelo governo dos EUA, as quais, segundo ele, “serviram às ilusões de um agressor estrangeiro”. Ele reforçou que atacar a infraestrutura vital do Irã, incluindo instalações energéticas e industriais, atinge diretamente o povo iraniano. Masoud Pezeshkian finalizou sua mensagem com um convite à compreensão, pedindo para que se olhe “além da máquina de desinformação” e se converse com aqueles que visitaram o Irã. Ele também citou os muitos imigrantes iranianos bem-sucedidos que contribuem para universidades e empresas de tecnologia avançadas no Ocidente, questionando se essas realidades correspondem às distorções apresentadas sobre o Irã e seu povo.

O contexto dessa comunicação é a intensificação de um conflito que já dura um mês, envolvendo ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, com mortes significativas, incluindo a de autoridades importantes do país persa. Este cenário levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica controlada pelo Irã, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, resultando em um aumento de 50% no preço do barril e suscitando preocupações com riscos ambientais e climáticos. Em meio a este quadro, o presidente dos EUA, Donald Trump, deve fazer um pronunciamento à nação para abordar a situação, que irá ao ar a partir das 22h (horário de Brasília).

Perguntas frequentes (FAQ)

P: Qual é a principal mensagem do presidente Masoud Pezeshkian?
R: A principal mensagem de Masoud Pezeshkian é que o povo iraniano não nutre inimizade contra o povo dos Estados Unidos ou de outras nações, e que a hostilidade percebida é uma distinção cultural profunda entre governos e suas populações. Ele busca combater narrativas distorcidas sobre o Irã.

P: Como o Irã justifica o fortalecimento de suas capacidades defensivas?
R: O Irã justifica o fortalecimento de suas capacidades defensivas como uma resposta comedida e legítima autodefesa, dado o grande número de bases e forças militares dos EUA concentradas ao redor do país, que o Irã considera uma presença ameaçadora e fonte de agressões.

P: Qual o papel da Operação Ajax nas relações Irã-EUA?
R: A Operação Ajax, o golpe de 1953 que derrubou o primeiro-ministro eleito Mohammad Mossadegh, é citada por Pezeshkian como um ponto de virada que desestruturou o processo democrático iraniano e semeou uma profunda desconfiança duradoura entre os iranianos e as políticas dos EUA.

P: Quais os impactos do conflito atual no Estreito de Ormuz?
R: O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota vital controlada pelo Irã por onde circulam cerca de 20% dos carregamentos globais de petróleo. Como consequência, o preço do barril de petróleo aumentou aproximadamente 50%, gerando preocupações econômicas e ambientais.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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