A manhã de segunda-feira, 9 de março de 2026, marcou um passo significativo na recuperação de três importantes cidades mineiras: Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. Milhares de estudantes da rede pública de ensino retornaram às salas de aula, em um movimento que simboliza não apenas a retomada das atividades educacionais, mas também um importante respiro de normalidade após as severas chuvas que assolaram a Zona da Mata mineira no final de fevereiro. A suspensão das aulas foi uma medida necessária, visto que muitas unidades escolares foram transformadas em abrigos e pontos de apoio essenciais para as famílias desabrigadas e desalojadas pela calamidade. Este retorno, cuidadosamente planejado, busca assegurar a segurança e o bem-estar de alunos e servidores, ao mesmo tempo em que oferece acolhimento e a continuidade do processo educativo em um período de luto e reconstrução para as comunidades afetadas.
A complexa reintegração em Juiz de Fora e Ubá
Juiz de Fora: o balanço do retorno
Em Juiz de Fora, a maior cidade impactada, o reinício das atividades foi parcial, mas abrangente. Das 107 escolas municipais, 83 reabriram suas portas para receber um contingente de 22,5 mil alunos, abrangendo a educação infantil e o ensino fundamental. Da mesma forma, 46 das 50 creches da rede voltaram a funcionar, atendendo a cerca de 5,8 mil bebês e crianças pequenas. A secretária de Educação de Juiz de Fora, Ana Lívia Coimbra, reiterou o compromisso da administração em garantir um retorno seguro e acolhedor para todos.
“O que a gente deseja e espera é que as nossas crianças e os nossos trabalhadores retornem à escola, que eles terão todo o apoio da Secretaria de Educação e de outras secretarias, para que a gente possa voltar a oferecer o que nós sempre fazemos: uma educação de qualidade, acolhimento, conforto e, principalmente, resguardar o direito à educação dos nossos bebês, crianças e adolescentes, sem esquecer ainda dos jovens e dos adultos”, afirmou a secretária. Coimbra indicou que as unidades remanescentes, que ainda necessitam de reparos ou reorganização após terem servido como abrigos, serão reabertas gradualmente ao longo da semana, demonstrando uma abordagem cautelosa e centrada na segurança e na estrutura.
O desafio em Ubá e a busca contínua
Na cidade de Ubá, a retomada das aulas também ocorreu com o objetivo primordial de minimizar os prejuízos pedagógicos causados pela interrupção. A secretária de Educação de Ubá, Adriana Lucarelli, enfatizou a importância de cumprir o calendário letivo e evitar maiores atrasos no aprendizado dos alunos. “Peço a compreensão de todos nesse momento de retomada das nossas aulas, porque nós não podemos adiar ainda mais esse retorno, por conta dos nossos alunos não ficarem ainda mais prejudicados”, declarou Lucarelli, evidenciando a urgência e a sensibilidade da decisão.
Contudo, a comunidade de Ubá ainda enfrenta uma ferida aberta. Enquanto os alunos retornavam às escolas, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais prosseguia incansavelmente, nesta mesma segunda-feira, com as buscas por Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, o último desaparecido em decorrência das chuvas. A situação em Ubá ilustra a dualidade de um momento de recomeço que coexiste com a dor da perda e a esperança de encontrar entes queridos, adicionando uma camada de complexidade emocional ao ambiente escolar.
O acolhimento em Matias Barbosa e a importância da rotina
Super-heróis e o resgate da leveza
Em Matias Barbosa, a Escola Municipal Lucy de Castro Cabral adotou uma abordagem particularmente sensível para o retorno às aulas. Em um esforço para tornar o ambiente mais leve e acolhedor após a tragédia, o retorno foi marcado pela presença de super-heróis e personagens infantis. Essa iniciativa lúdica teve como objetivo oferecer um alívio emocional e uma sensação de segurança para as crianças, muitas das quais vivenciaram momentos de medo e incerteza. A criação de um clima festivo e de fantasia buscou desassociar a escola das memórias recentes de sofrimento, transformando-a novamente em um espaço de alegria, aprendizado e esperança. A pedagogia por trás dessa estratégia reside na compreensão de que o bem-estar emocional é um pré-requisito fundamental para o engajamento no processo educacional, especialmente em cenários pós-traumáticos.
A visão das secretarias de educação
As declarações das secretárias de Educação de Juiz de Fora e Ubá, Ana Lívia Coimbra e Adriana Lucarelli, respectivamente, refletem um consenso sobre a importância estratégica da educação em períodos de crise. Ambas sublinham o papel da escola como um pilar de estabilidade e um refúgio seguro. Em Juiz de Fora, a ênfase recai sobre a garantia da segurança, do apoio psicossocial e da qualidade do ensino, assegurando o direito fundamental à educação para todas as faixas etárias. Em Ubá, a preocupação primordial é com a continuidade do calendário letivo e a minimização dos prejuízos acadêmicos, reconhecendo que a interrupção prolongada pode ter impactos duradouros no desenvolvimento dos estudantes. A coordenação entre as secretarias municipais e estaduais de diversas áreas (educação, assistência social, saúde) é crucial para fornecer um suporte multifacetado às famílias e comunidades neste momento delicado, transformando a escola em um centro de resiliência comunitária.
O rastro da tragédia e a reconstrução
Impacto humano e material
As chuvas torrenciais que atingiram Minas Gerais no final de fevereiro de 2026 deixaram um rastro devastador. A tragédia resultou na morte de 68 pessoas, sendo 61 em Juiz de Fora e sete em Ubá, configurando um dos desastres naturais mais graves da história recente da região. Além das perdas de vidas, quase 14 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas, forçadas a abandonar suas casas e buscar refúgio. O impacto material foi imenso, com infraestruturas danificadas, moradias destruídas e a interrupção de serviços essenciais. Este cenário de desolação tornou a suspensão das aulas uma medida inevitável, priorizando a segurança e a assistência humanitária imediata. A reabertura das escolas, portanto, é um sinal de que a comunidade, apesar das cicatrizes, começa a virar a página e a se concentrar na reconstrução física e social.
O papel das escolas na resiliência comunitária
Em momentos de crise como o vivenciado em Minas Gerais, as escolas transcendem sua função tradicional de meros centros de ensino. Elas se tornam verdadeiros pilares da resiliência comunitária, oferecendo não apenas educação, mas também um senso de normalidade, rotina e segurança para crianças e adolescentes. Ao reabrir, mesmo que parcialmente, essas instituições proporcionam um espaço seguro onde as crianças podem processar seus sentimentos, reencontrar amigos e educadores, e retomar atividades que lhes são familiares. Além disso, as escolas frequentemente funcionam como centros de apoio psicossocial, identificando alunos que necessitam de atenção especial e direcionando-os a serviços de saúde mental. O retorno à rotina escolar é vital para o desenvolvimento social e emocional, ajudando a mitigar os efeitos traumáticos da catástrofe e a fortalecer os laços comunitários em meio à adversidade. É um investimento no futuro, reconstruindo não apenas estruturas, mas também esperanças e sonhos.
O caminho à frente: educação e resiliência
A retomada das aulas nas redes públicas de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, em Minas Gerais, representa um marco significativo na árdua jornada de recuperação após as devastadoras chuvas de fevereiro de 2026. Mais do que simplesmente reabrir portas, este movimento simboliza o compromisso coletivo com a resiliência, a reconstrução e, acima de tudo, a garantia do direito à educação para milhares de crianças, adolescentes e adultos. As escolas, que antes serviram como abrigos e centros de acolhimento emergencial, agora voltam a ser faróis de conhecimento e esperança, adaptando-se para oferecer não só ensino de qualidade, mas também o suporte emocional necessário para superar os traumas recentes. O caminho ainda é longo, e a recuperação exige esforços contínuos e coordenados, mas o retorno à sala de aula é um passo fundamental para restabelecer a normalidade e construir um futuro mais seguro e promissor para as comunidades mineiras.
Perguntas frequentes sobre a retomada das aulas
1. Quais cidades de Minas Gerais foram afetadas pela suspensão das aulas e agora as retomaram?
As cidades que tiveram suas aulas da rede pública suspensas devido às chuvas e agora as retomaram são Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, na Zona da Mata mineira.
2. Qual foi o principal motivo para a suspensão das aulas e o uso das escolas como abrigos?
O principal motivo foi a forte intensidade das chuvas no final de fevereiro de 2026, que causou inundações, deslizamentos e deixou milhares de desabrigados e desalojados. As escolas foram utilizadas como abrigos emergenciais e pontos de apoio às famílias afetadas.
3. Quantos alunos e escolas retornaram às atividades em Juiz de Fora?
Em Juiz de Fora, 83 das 107 escolas municipais e 46 das 50 creches reabriram, recebendo um total de aproximadamente 22,5 mil alunos da educação infantil e ensino fundamental, além de cerca de 5,8 mil bebês e crianças pequenas nas creches.
4. Quais medidas especiais foram tomadas para acolher os alunos no retorno, especialmente em Matias Barbosa?
Em Matias Barbosa, a Escola Municipal Lucy de Castro Cabral promoveu um retorno lúdico com a presença de super-heróis e personagens infantis para tornar o ambiente mais leve e acolhedor. Em Juiz de Fora e Ubá, as secretarias de educação enfatizaram o apoio psicossocial, a segurança e a importância da rotina escolar para a saúde mental dos alunos.
5. A busca por desaparecidos ainda continua em alguma das cidades?
Sim, em Ubá, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais ainda realizava buscas por Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, o último desaparecido em decorrência das chuvas na cidade, nesta mesma segunda-feira do retorno às aulas.
Para mais informações sobre a recuperação das cidades mineiras e o apoio à educação em tempos de crise, acompanhe as notícias e os comunicados das autoridades locais.

