Lula alerta: gasto com armas acelera o apocalipse climático

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta contundente sobre os impactos dos conflitos armados no meio ambiente. Em pronunciamento nesta sexta-feira, Lula destacou que a guerra na Ucrânia, iniciada há quase quatro anos, interrompeu um período de progresso na redução das emissões de gases poluentes na atmosfera. Segundo ele, a continuidade de gastos excessivos com armamentos pode levar o planeta a um colapso climático irreversível.

“O conflito na Ucrânia reverteu anos de esforços para a redução da emissão de gases do efeito estufa e levou à reabertura de minas de carvão. Gastar com armas o dobro do que destinamos à ação climática é pavimentar o caminho para o apocalipse climático. Não haverá segurança energética em um mundo conflagrado”, afirmou o presidente durante a abertura da segunda sessão temática da Cúpula do Clima, realizada em Belém, focada nos desafios da transição energética.

A Cúpula do Clima, que se encerra hoje, serve como um prelúdio para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), programada para ocorrer de 10 a 21 de novembro, também na capital paraense. O evento tem como meta atualizar e fortalecer os compromissos multilaterais para enfrentar a crescente urgência da crise climática.

O evento contou com a presença de figuras importantes, como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e líderes europeus de destaque, incluindo o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Lula também enfatizou que, apesar dos avanços na matriz energética, as populações de países pobres e em desenvolvimento ainda não têm acesso a uma transição justa. “É fundamental combater todas as formas de pobreza energética: 2 bilhões de pessoas não têm acesso a combustíveis adequados para cozinhar, 660 milhões de pessoas dependem de lamparinas e geradores a diesel nas periferias das grandes cidades e nas comunidades rurais da América Latina e da África. E 200 milhões de crianças frequentam escolas sem acesso à luz elétrica. Sem energia, também não há conexão digital, hospitais funcionando ou agricultura moderna”, observou.

O presidente criticou ainda o sistema financeiro que sustenta o setor de petróleo, lembrando que “no ano passado, os 65 maiores bancos do mundo se comprometeram a conceder US$ 869 bilhões de dólares para o setor de petróleo e gás. Desde a adoção do Acordo de Paris, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global diminuiu apenas de 83% para 80%”.

Em seu discurso, Lula anunciou a criação de um fundo para direcionar lucros do setor de óleo e gás para investimentos em energia renovável. Ele também defendeu a implementação do acordo da COP28, realizada em Dubai, que estabelece a meta de triplicar a energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030, além de priorizar a eliminação da pobreza energética nos planos climáticos nacionais.

“Os cientistas já cumpriram seu papel. Nesta COP, os negociadores devem buscar o entendimento. E nós, os líderes, devemos decidir se o Século 21 será lembrado como o século da catástrofe climática ou como o momento da reconstrução inteligente”, concluiu o presidente.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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