O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa neste domingo, em Santa Marta, Colômbia, da cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE). O encontro ocorre em um momento de tensões na região do Caribe, geradas pelo aumento da presença militar dos Estados Unidos.
Em entrevista concedida em Belém, o presidente Lula expressou sua preocupação com a movimentação militar dos EUA no Caribe, particularmente na costa da Venezuela. Ele considera que a cúpula da Celac/UE é o ambiente ideal para discutir essa questão. Lula ressaltou a importância de abordar a presença de navios de guerra americanos nos mares da América Latina, lembrando que já havia discutido o assunto com o então presidente Donald Trump, defendendo a América Latina como uma zona de paz. “Somos uma zona de paz, não precisamos de guerra aqui”, afirmou, referindo-se à situação na Venezuela como um problema político que deve ser resolvido através do diálogo.
A cúpula acontece em um período de intensificação da presença militar americana no Caribe, incluindo o envio de tropas terrestres, submarinos e navios de guerra. O governo americano justificou a ação como um combate ao narcotráfico. Em contrapartida, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, alega que a ação americana tem como objetivo controlar as reservas de petróleo do país e depô-lo do poder.
O encontro reúne líderes dos 27 países da União Europeia e das 33 nações da Celac, com o objetivo principal de retomar o diálogo entre as duas regiões e avançar nas negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
Esta é a quarta cúpula entre a Celac e a UE e o décimo encontro entre as duas regiões desde 1999. Espera-se que a Declaração de Santa Marta e o Mapa do Caminho 2025-2027 sejam consolidados durante o evento, visando transformar o diálogo em ações práticas.
A Colômbia ocupa a presidência pro tempore da reunião em 2025, sucedendo Honduras. O Uruguai assumirá o posto em 2026. O Brasil retomou sua participação na cúpula em janeiro de 2023, após três anos de ausência.
A participação de Lula na cúpula se restringe ao primeiro dia do evento. O presidente retorna a Belém para a abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


