Justiça suspende avaliação de desempenho de professores da rede estadual em São

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A Justiça de São Paulo concedeu uma liminar que suspende a Avaliação de Desempenho dos professores da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e impede a instauração de processos de não permanência baseados nos resultados dessa avaliação. A decisão, favorável ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), representa um marco significativo na disputa sobre a natureza e a finalidade das avaliações no ambiente educacional. O tribunal reconheceu que a avaliação de desempenho não pode ter um caráter sancionatório, devendo ser utilizada exclusivamente como um instrumento de orientação e desenvolvimento profissional, em conformidade com a legislação educacional vigente. Essa medida judicial impacta diretamente milhares de docentes da rede estadual paulista, que vinham expressando preocupação com a metodologia e as consequências da avaliação implementada pela Seduc. A suspensão ocorre em um contexto de intensa mobilização e questionamentos por parte da categoria.

A decisão judicial e seus fundamentos

A liminar concedida pela Justiça paulista fundamenta-se na compreensão de que as avaliações de desempenho, conforme previstas na legislação educacional, têm um propósito essencialmente formativo e de aprimoramento contínuo dos profissionais. A decisão judicial estabelece claramente que a Avaliação de Desempenho instituída pela Seduc extrapolava esse limite, ao possibilitar a aplicação de sanções, como a transferência forçada ou a perda de aulas, com base em seus resultados.

O caráter da avaliação em questão

O cerne da decisão judicial reside no reconhecimento de que qualquer avaliação de desempenho de docentes deve ter um caráter não punitivo. A legislação educacional preconiza que tais instrumentos sirvam para identificar pontos fortes e áreas que necessitam de desenvolvimento, subsidiando ações de formação e aperfeiçoamento profissional. A permissão para que a avaliação se tornasse um critério para a permanência ou não do professor em seu posto, conforme o modelo da Seduc, foi considerada inadequada e em desacordo com o princípio de que a avaliação deve ser um suporte ao desenvolvimento, e não uma ferramenta de punição ou exclusão. Este entendimento reafirma a importância de um ambiente educacional que promova o crescimento contínuo dos educadores, sem o receio de retaliações baseadas em critérios questionáveis.

A contestação da Apeoesp

Para a Apeoesp, que impetrou a ação judicial, a avaliação implementada pela Seduc possuía critérios subjetivos e, portanto, ilegais. O sindicato argumentou que o modelo vigente conferia às equipes gestoras um poder discricionário excessivo, permitindo-lhes decidir, de forma arbitrária, sobre a permanência dos docentes nas escolas. Essa discricionariedade, segundo a Apeoesp, colocava milhares de professores sob a ameaça constante de transferências compulsórias e da perda de aulas, ao mesmo tempo em que desconsiderava critérios objetivos e de longa data, como o tempo de serviço e os títulos acadêmicos. Maria Izabel Azevedo Noronha, conhecida como Professora Bebel, deputada estadual e segunda presidenta da Apeoesp, classificou a liminar como uma “vitória importante” para os professores, reforçando que a avaliação era “subjetiva, ilegal e punitiva”.

Repercussão e posicionamento da PGE

A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE) informou que, até o momento da divulgação da decisão, ainda não havia sido intimada oficialmente. Essa intimação é o passo que antecede a análise de possíveis recursos ou a adequação às determinações judiciais. A decisão judicial reverberou amplamente entre a categoria docente, sendo celebrada como uma validação das preocupações levantadas pela Apeoesp. O reconhecimento judicial do caráter indevidamente sancionatório da avaliação é visto como um precedente importante para a defesa dos direitos dos professores e para a garantia de que as políticas educacionais respeitem os princípios legais e o bem-estar profissional.

O contexto da avaliação e a mobilização docente

A Avaliação de Desempenho, agora suspensa, fazia parte de um conjunto de medidas e políticas implementadas pela Seduc que geraram considerável insatisfação entre os professores da rede estadual. A metodologia e os propósitos da avaliação se tornaram um ponto central de discórdia, culminando em manifestações e ações judiciais.

Instituição da avaliação de desempenho pela Seduc

A Avaliação de Desempenho foi instituída pelo governo estadual a partir de 26 de maio, no âmbito do Programa Ensino Integral (PEI). Ela envolvia a avaliação do desempenho de professores efetivos e não efetivos, bem como do trio gestor (diretor, vice-diretor e coordenador de gestão pedagógica), por diversos segmentos da comunidade escolar, incluindo os próprios docentes e os estudantes. O processo avaliativo era dividido em dois momentos no ano letivo: a “avaliação de desempenho diagnóstica” no primeiro semestre, com caráter formativo para identificar pontos a serem aprimorados, e a “avaliação de desempenho final” no segundo semestre, com finalidade somativa e como instrumento decisório sobre a permanência do profissional no posto, aulas e/ou classes.

A Seduc detalhava que as escolas deveriam organizar uma série de consultas utilizando um questionário padrão. Nele, os estudantes avaliavam o desempenho de professores e da equipe gestora, os professores analisavam a equipe gestora, e os diretores avaliavam professores e a equipe gestora. O foco da avaliação para os professores era a dinâmica em sala de aula e as metodologias adotadas; para o trio gestor, aspectos como comunicação, apoio ao desenvolvimento docente e engajamento; e para os diretores, a liderança positiva e o compromisso com a aprendizagem e os indicadores dos estudantes.

Ações e manifestações da categoria

A Apeoesp e seus filiados não se limitaram à ação judicial contra a avaliação de desempenho. O sindicato tem liderado uma série de protestos e ingressado com outros processos judiciais contra diversas resoluções e normas da Seduc que, segundo a entidade, penalizam professores adoecidos, adotam critérios abusivos de assiduidade, atribuem a estudantes sem formação adequada o poder de avaliar docentes, e utilizam resultados de avaliações externas de forma prejudicial à carreira dos profissionais.

Uma dessas mobilizações foi um ato realizado na Praça da República, em frente à Seduc, que reuniu cerca de 8 mil professores da rede estadual, estudantes e representantes de outros setores. Durante o evento, que ocorreu na terça-feira, 17 de outubro, foram denunciadas as medidas adotadas pelo governo estadual que vêm “afetando diretamente a categoria docente”, incluindo a política de avaliação de desempenho de caráter punitivo. O sindicato tem reiterado que, mesmo diante de liminares já conquistadas, a Seduc frequentemente busca criar novas regras e mecanismos para tentar contornar as decisões judiciais, o que demonstra a complexidade e a persistência do embate entre a categoria e a secretaria.

Os desdobramentos e o futuro da avaliação docente

A liminar que suspende a Avaliação de Desempenho dos professores em São Paulo marca um ponto crucial no debate sobre a gestão e valorização dos profissionais da educação. A decisão judicial não apenas valida as preocupações da categoria docente, expressas pela Apeoesp, mas também reafirma a premissa de que qualquer ferramenta de avaliação no setor público deve visar ao aprimoramento e não à penalização. Este veredito sublinha a importância de critérios claros, objetivos e legalmente embasados, que promovam o desenvolvimento profissional sem gerar insegurança ou ameaças à permanência dos educadores em suas funções.

O desfecho desta situação depende dos próximos passos da Procuradoria Geral do Estado, que poderá recorrer da decisão, e da Secretaria de Educação, que precisará reavaliar sua política de desempenho à luz da determinação judicial. Independentemente dos próximos recursos, o caso evidencia a necessidade de um diálogo construtivo e transparente entre o poder público e as representações dos trabalhadores para construir um sistema de avaliação justo e eficaz. A mobilização dos professores e o respaldo judicial demonstram o compromisso com uma educação de qualidade, que passe pelo respeito e pela valorização de seus profissionais.

Perguntas Frequentes

Qual foi a decisão principal da Justiça de São Paulo?
A Justiça concedeu uma liminar que suspende a Avaliação de Desempenho dos professores da rede estadual, implementada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), e impede processos de não permanência baseados nela.

Por que a Apeoesp contestou a Avaliação de Desempenho?
O Sindicato dos Professores (Apeoesp) contestou a avaliação por considerá-la subjetiva, ilegal e com caráter punitivo, argumentando que concedia poder discricionário às equipes gestoras para decidir sobre a permanência dos docentes e desconsiderava critérios objetivos como tempo de serviço e títulos.

Como funcionava a Avaliação de Desempenho da Seduc antes da liminar?
A avaliação era dividida em duas fases: uma diagnóstica/formativa no primeiro semestre e uma final/somativa no segundo, esta última com finalidade de subsidiar decisões sobre a permanência do profissional. Professores, estudantes e a equipe gestora participavam do processo, avaliando uns aos outros com base em questionários padrão.

Quais são os próximos passos da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE)?
A PGE informou que ainda não foi intimada oficialmente da decisão. Após a intimação, a Procuradoria analisará a liminar e decidirá sobre possíveis recursos ou a adoção de medidas para cumprir a determinação judicial.

Mantenha-se informado sobre os próximos capítulos desta importante questão que afeta o futuro da educação paulista.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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