MPF e defensorias cobram ações urgentes por calor extremo no Rio

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O Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminharam um ofício conjunto aos governos estadual e municipal da capital fluminense, solicitando a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos da severa onda de calor que assola a região. O pedido, assinado na noite da última sexta-feira, 26 de janeiro, clama por “providências urgentes, coordenadas e intersetoriais de proteção dos grupos vulnerabilizados” diante dos cenários de calor extremo. A preocupação central é com a saúde pública, especialmente com os segmentos da população mais expostos aos riscos decorrentes das altas temperaturas. As autoridades são cobradas a implementar planos de ação robustos e imediatos.

Pedido de providências urgentes

O ofício foi direcionado ao governador Cláudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e aos secretários de Saúde, tanto da esfera municipal quanto estadual. A iniciativa, liderada pelo MPF, DPU e DPRJ, visa garantir que as administrações pública e municipal tomem ações concretas e eficientes para salvaguardar a população dos perigos iminentes associados ao calor extremo. A comunicação oficial destaca a necessidade de uma resposta governamental articulada, que transcenda as divisões administrativas e envolva diversos setores, desde a saúde até a assistência social e a defesa civil. A data do envio do documento, em plena intensificação da onda de calor, sublinha a urgência do apelo.

Fundamentação e impactos à saúde

As elevadas temperaturas foram classificadas no documento como um cenário de risco direto à saúde e à integridade física dos cidadãos, com uma atenção especial aos grupos em maior vulnerabilidade social e clínica. Entre os impactos mais graves à saúde, os órgãos citam a desidratação severa, a exacerbação de doenças crônicas preexistentes, insolação, exaustão térmica e, em casos extremos, o golpe de calor (conhecido como heatstroke), que apresenta uma taxa de mortalidade consideravelmente alta.

O pedido enfatiza que os efeitos do calor extremo são sentidos de forma desigual na sociedade, “afetando desproporcionalmente populações historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade social”. Essa disparidade na exposição e na capacidade de resposta individual ou familiar agrava ainda mais o quadro de risco, tornando a intervenção governamental ainda mais crucial. A situação demanda uma análise cuidadosa das políticas públicas existentes e a criação de novas estratégias para alcançar quem mais precisa.

Cenário de onda de calor no Rio e no Brasil

Desde a véspera do Natal, em 24 de dezembro, a cidade do Rio de Janeiro está no estágio 3 de calor em uma escala que vai até 5, indicando índices de calor entre 36°C e 40°C com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias consecutivos. Em 25 de dezembro, os termômetros registraram 40,1°C, um novo recorde para o mês. Para o sábado, 27 de janeiro, a previsão do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura carioca, era de máxima de 38°C, com expectativa de atingir 40°C no domingo, 28 de janeiro. O alívio, com a chegada de chuvas, só é esperado a partir da segunda-feira, 29 de janeiro, mas ainda com temperaturas próximas dos 40°C.

O calor excessivo já resultou em um aumento significativo da demanda por atendimento médico. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que a rede de urgência registrou uma média de 450 atendimentos diários. Os casos mais frequentemente relacionados ao calor extremo incluem tontura, fraqueza, desmaios e queimaduras solares. No âmbito estadual, o governo alertou todos os 92 municípios fluminenses sobre os perigos do calor. O fenômeno não se restringe ao Rio, com grande parte do Brasil sendo afetada por um bloqueio atmosférico que levou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir alerta vermelho para ondas de calor em partes das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Grupos mais vulneráveis e ações recomendadas

O ofício enviado ao governo estadual e à prefeitura do Rio detalha os seguintes grupos de risco, que necessitam de proteção prioritária: crianças, especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros; idosos com mais de 65 anos; gestantes e lactantes; pessoas com doenças crônicas e com deficiência; trabalhadores expostos ao ar livre e desportistas; indivíduos com restrição de mobilidade e acamados; e a população em situação de rua.

Ainda, o documento foca especificamente na população em situação de rua, citando um protocolo municipal que reconhece a condição clínica agravada pela vulnerabilidade social. Este grupo está mais exposto ao calor extremo devido ao menor acesso a ambientes refrigerados e à proteção solar, sujeitos a uma elevada carga de morbidade por diversas condições clínicas socialmente determinadas, e têm menor acesso a água potável e resfriada, bem como a alimentos adequados.

As recomendações do MPF e das Defensorias, baseadas no próprio protocolo municipal, incluem: a ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção Primária à Saúde; a designação de pontos de resfriamento em locais com ar-condicionado ou refrigeração, com ampla divulgação à população; a ampliação da oferta de estações de hidratação ou distribuição de água nos locais de acolhimento das populações mais vulneráveis; e a possibilidade de ampliação dos horários de funcionamento dos locais públicos com ar-condicionado, refrigeração ou áreas sombreadas. Além disso, ao estado, recomenda-se o preparo do Corpo de Bombeiros para o resgate de pessoas e a garantia da disponibilidade de leitos e capacidade de atendimento na rede de saúde.

Cobrança e posicionamento oficial

O MPF e as Defensorias exigem que o município e o estado informem, dentro de um prazo de 24 horas, as medidas concretas que foram deflagradas. A exigência é por uma “indicação precisa” de: pontos de resfriamento ativados, com seus respectivos endereços e horários de funcionamento; locais e horários de distribuição de água e hidratação; unidades de saúde que estão atuando como centros de hidratação; fluxos de atendimento e encaminhamento ativados; e as operações de resgate e atendimento pré-hospitalar realizadas. A transparência e a rapidez na comunicação dessas ações são cruciais para a eficácia das medidas e para a proteção da população.

Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a prefeitura do Rio foi uma das primeiras cidades do país a instituir um protocolo de proteção contra o calor extremo, afirmando que “obviamente seguirá o protocolo publicado”. A secretaria complementou que “a recomendação para todo o estado deve ser avaliada por cada cidade, não cabendo à Secretaria Municipal de Saúde do Rio comentar” sobre as ações a serem tomadas em outras localidades. O governo do estado foi contatado para manifestação sobre o tema, e sua posição é aguardada.

Conclusão

A onda de calor extremo que atinge o Rio de Janeiro e outras partes do Brasil nos últimos dias representa uma ameaça séria à saúde pública, demandando uma resposta imediata e coordenada dos governos. O pedido conjunto do MPF e das Defensorias Públicas sublinha a urgência da situação e a necessidade de proteção especial para os grupos mais vulneráveis, que sofrem desproporcionalmente os impactos das altas temperaturas. As recomendações apresentadas, que incluem a ativação de centros de hidratação e pontos de resfriamento, são cruciais para mitigar os riscos de doenças e óbitos. A cobrança por transparência e a exigência de um plano de ação detalhado dentro de um prazo exíguo demonstram a gravidade percebida pelos órgãos fiscalizadores. É imperativo que as autoridades ajam rapidamente para garantir a segurança e o bem-estar da população carioca e fluminense diante deste desafio climático.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo principal do pedido conjunto do MPF e Defensorias?
O objetivo é solicitar que os governos do estado e da capital do Rio de Janeiro adotem medidas urgentes, coordenadas e intersetoriais para proteger os grupos mais vulneráveis dos impactos do calor extremo.

Quais grupos são considerados mais vulneráveis ao calor extremo no Rio de Janeiro?
Os grupos mais vulneráveis incluem crianças (especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros), idosos acima de 65 anos, gestantes e lactantes, pessoas com doenças crônicas e com deficiência, trabalhadores ao ar livre, desportistas, indivíduos com restrição de mobilidade ou acamados, e a população em situação de rua.

Quais medidas específicas foram recomendadas às autoridades?
As recomendações incluem a ativação de centros de hidratação em unidades de saúde, a designação e divulgação de pontos de resfriamento, a ampliação da oferta de água potável em locais de acolhimento e a extensão dos horários de funcionamento de espaços públicos com refrigeração ou áreas sombreadas. Para o estado, inclui a preparação do Corpo de Bombeiros e a garantia de leitos na rede de saúde.

Qual a situação atual da onda de calor no Rio de Janeiro?
A cidade do Rio de Janeiro está no estágio 3 de calor desde a véspera de Natal, com temperaturas que já ultrapassaram os 40°C. Há previsão de altas temperaturas persistentes nos próximos dias, com alívio apenas a partir de segunda-feira, 29 de janeiro, mas ainda próximo dos 40°C. Isso tem gerado um aumento expressivo nos atendimentos de urgência em unidades de saúde.

Para mais informações e atualizações sobre as medidas de proteção contra o calor, acompanhe os comunicados oficiais das autoridades locais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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