Uma cadela da raça American Bully foi baleada por um Guarda Civil Municipal (GCM) no bairro Vale Verde, em Cubatão, litoral de São Paulo, gerando grande comoção e questionamentos sobre o uso da força policial. O incidente, ocorrido no sábado, 7 de outubro, por volta das 18h30, colocou a cadela Atena em estado delicado. A tutora, Lavínia Fernandes, de 19 anos, registrou um Boletim de Ocorrência, enquanto a versão do guarda municipal diverge significativamente do relato da jovem. O caso, marcado por versões conflitantes e a indignação da comunidade, segue sob investigação, com a arma do agente apreendida e o registro inicial classificado como legítima defesa. Atena, que é dócil e brincalhona, permanece internada em um hospital veterinário, aguardando uma cirurgia complexa.
Cadela american bully baleada em Cubatão: detalhes do incidente
A calma do final de tarde de sábado foi abruptamente interrompida por um disparo em Cubatão. A cadela Atena, uma American Bully de porte imponente, mas de temperamento, segundo sua tutora, extremamente dócil, foi a vítima de um tiro desferido por um Guarda Civil Municipal (GCM) na região do Vale Verde. O episódio desencadeou uma série de eventos que levantam discussões sobre a segurança, a ação policial e o bem-estar animal. A comunidade local e a tutora da cadela esperam por respostas claras e justiça.
A fuga e o tiro: versão da tutora
Lavínia Fernandes, a tutora de Atena, de apenas 19 anos, relatou os momentos que antecederam o trágico incidente. Segundo ela, por volta das 18h30 do sábado, 7 de outubro, ao abrir o portão de sua residência para sair com sua motocicleta, Atena escapou. A cadela, então, teria se aproximado de um pedestre que caminhava com um guarda-chuva. O homem, assustado, utilizou o objeto para afastar o animal. Lavínia enfatiza que Atena não demonstrou qualquer agressividade ou intenção de atacar, apenas se aproximou por curiosidade, característica comum da raça quando bem socializada.
A tutora prosseguiu narrando que, após essa breve interação, Atena, sem qualquer provocação aparente, foi baleada pelo guarda municipal ao passar por ele. O disparo atingiu a pata dianteira da cadela, causando um ferimento grave. “Ela não teve nenhuma interação com o guarda, e mesmo assim foi baleada”, desabafou Lavínia, que ressaltou o temperamento dócil e brincalhão de Atena, apesar de seu porte físico robusto. Imediatamente após o incidente, Atena foi socorrida e levada a um hospital veterinário, onde permanece internada e estável, aguardando uma cirurgia de alta complexidade para remoção do projétil e recuperação dos danos causados. Lavínia Fernandes registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Sede de Cubatão, buscando responsabilização pelo ato.
A controvérsia e a versão oficial
O caso da cadela Atena rapidamente gerou comoção na comunidade de Cubatão, com moradores se reunindo no local do incidente e expressando indignação. A divergência entre o relato da tutora e a versão apresentada pelo guarda municipal é o cerne da investigação que agora busca esclarecer os fatos.
A reação da comunidade e o registro policial
Após o disparo, a Guarda Civil Municipal foi acionada para atender à ocorrência. No entanto, ao chegarem ao local, os agentes encontraram diversos moradores reunidos, expressando revolta e questionando veementemente a atitude do guarda que efetuou o disparo. A indignação era palpável, e as pessoas exigiam explicações para o ocorrido. Contudo, quando a equipe da GCM chegou, Atena e sua tutora, Lavínia Fernandes, já haviam se deslocado para a clínica veterinária em busca de atendimento emergencial para o animal.
O Boletim de Ocorrência (BO) registrado pela tutora na Delegacia Sede de Cubatão foi o ponto de partida formal para a investigação. Este documento é crucial para que as autoridades possam apurar as circunstâncias do tiro, ouvindo testemunhas, analisando evidências e confrontando as diferentes versões dos envolvidos. A pressão da comunidade e a gravidade do incidente garantem que o caso receberá a devida atenção das autoridades policiais.
O depoimento do guarda e a legítima defesa
Em seu depoimento na delegacia, o guarda municipal responsável pelo disparo apresentou uma versão que contrasta com a de Lavínia. Ele afirmou que estava em uma padaria comprando pão quando ouviu gritos e, ao sair para verificar a situação, deparou-se com o que descreveu como um ataque. Segundo o guarda, um homem com um guarda-chuva estaria sendo supostamente atacado por dois cães, sendo um deles Atena. Diante dessa cena, ele alegou ter se aproximado para tentar ajudar o suposto pedestre agredido.
Ainda em seu relato, o guarda afirmou que, enquanto tentava conter a situação, um dos cachorros — presumivelmente Atena — avançou em sua direção, aproximando-se de forma que o levou a acreditar estar em perigo iminente. Nesse momento, ele efetuou o disparo. O caso foi registrado na Delegacia Sede de Cubatão como legítima defesa. Como parte do protocolo investigativo, a arma do agente foi apreendida e encaminhada para perícia, a fim de analisar a munição, o trajeto do projétil e outras informações técnicas relevantes. Um detalhe crucial e que adiciona uma camada de complexidade à investigação é que o homem que supostamente teria sofrido o ataque dos cães não foi encontrado pelas autoridades até o momento. A ausência dessa testemunha-chave pode impactar a análise da versão do guarda e a comprovação da alegada legítima defesa.
As consequências e a espera por justiça
O incidente envolvendo a cadela Atena e o guarda municipal em Cubatão transcende a esfera de um mero acidente, levantando sérias questões sobre o treinamento de agentes de segurança, o protocolo de uso da força, especialmente em ambientes urbanos e contra animais, e a responsabilidade civil e criminal em tais situações. Enquanto Atena luta pela recuperação em um hospital veterinário, sua tutora, Lavínia Fernandes, e a comunidade aguardam o desenrolar das investigações. A perícia da arma do guarda, a busca pelo pedestre não identificado e a análise detalhada dos depoimentos são passos cruciais para que a verdade seja estabelecida e as responsabilidades devidamente apuradas. Este caso serve como um lembrete doloroso da necessidade de ponderação e preparo em situações de tensão, onde a vida, seja humana ou animal, pode ser drasticamente alterada por um único disparo. A expectativa é que a justiça prevaleça e que medidas sejam tomadas para evitar que eventos semelhantes se repitam.
Perguntas frequentes sobre o caso
Qual a situação atual da cadela Atena?
A cadela Atena, da raça American Bully, está internada em um hospital veterinário. Ela está estável, mas aguarda uma cirurgia complexa para tratar o ferimento na pata dianteira, causado pelo disparo.
O que levou ao disparo do guarda municipal?
As versões são conflitantes. A tutora de Atena afirma que a cadela escapou e foi baleada sem qualquer provocação. O guarda municipal, por sua vez, alega legítima defesa, afirmando que a cadela o atacou enquanto ele tentava ajudar um pedestre que estaria sendo agredido por dois cães.
Quais providências foram tomadas após o incidente?
A tutora de Atena registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia Sede de Cubatão. A arma do guarda municipal foi apreendida e encaminhada para perícia. O caso está sendo investigado, e foi registrado inicialmente como legítima defesa, embora o pedestre supostamente atacado não tenha sido encontrado.
Acompanhe as atualizações deste caso e deixe sua opinião sobre o uso da força em situações envolvendo animais. Sua voz é importante para o debate público.
Fonte: https://g1.globo.com


