Uma cadela de nove anos, da raça Shih-tzu, identificada como Jadi, encontra-se internada em estado delicado após ser brutalmente atacada por um cão da raça American Bully na cidade de Guarujá, litoral de São Paulo. O incidente ocorreu quando Jadi estava dentro de sua residência e o cachorro agressor, que passava pela via pública acompanhado de seu tutor, conseguiu alcançá-la através de uma brecha no portão. O grave ataque resultou em múltiplas fraturas faciais para Jadi, que necessitou de intervenções cirúrgicas e permanece sob cuidados intensivos em um hospital veterinário. O tutor do American Bully, após o ocorrido, não retornou para prestar esclarecimentos ou oferecer suporte, levando os responsáveis por Jadi a registrar um boletim de ocorrência na esperança de que o indivíduo seja identificado e responsabilizado pelas consequências do ato de seu animal, que estava sem focinheira em via pública, contrariando a legislação estadual.
O ataque chocante em Guarujá
O violento ataque que deixou Jadi, uma cadela de nove anos, gravemente ferida, desenrolou-se em um domingo, dia 28, na cidade de Guarujá, em um cenário que expõe a vulnerabilidade de animais domésticos dentro de suas próprias casas. Câmeras de monitoramento instaladas no local registraram o momento em que um cão da raça American Bully, transitando pela calçada com seu tutor, investiu contra Jadi. A cadela estava protegida pelo portão de sua residência, mas a ferocidade do agressor permitiu que ele a alcançasse através de uma fresta, causando-lhe ferimentos severos. Os responsáveis por Jadi relataram que, após o ataque, o tutor do American Bully tentou separar os cães e afirmou que seu animal nunca havia demonstrado comportamento agressivo. Ele teria prometido retornar para conversar sobre o ocorrido, mas, até o momento, não cumpriu a promessa, deixando os tutores de Jadi em total desamparo e indignação.
A cronologia dos fatos e a busca por justiça
Após o ataque, os tutores de Jadi, cientes da gravidade da situação e da omissão do responsável pelo American Bully, prontamente buscaram auxílio veterinário para a cadela e registraram um boletim de ocorrência junto à polícia. O objetivo é assegurar que o tutor do cão agressor seja devidamente identificado e responsabilizado legalmente pelos danos causados. O registro do boletim de ocorrência é um passo fundamental para iniciar um processo de investigação e, eventualmente, buscar reparação pelos custos veterinários e pelo sofrimento imposto a Jadi. Os tutores de Jadi destacaram ainda que o American Bully estava em via pública sem focinheira, o que representa uma violação da legislação de São Paulo que exige o uso do acessório para raças consideradas de grande porte ou potencialmente perigosas, como é o caso. Essa negligência adiciona uma camada de irresponsabilidade à conduta do tutor, intensificando a necessidade de uma resposta das autoridades.
As graves consequências e a luta pela recuperação
A cadela Jadi foi imediatamente levada a um hospital veterinário em Guarujá, onde sua condição de saúde se revelou extremamente preocupante. Ela foi submetida a cirurgias emergenciais na face devido às fraturas decorrentes do ataque. O diagnóstico inicial confirmou uma fratura na mandíbula, uma lesão dolorosa e complexa que exige um longo período de recuperação. Para garantir sua alimentação e hidratação, Jadi precisou ser equipada com sondas, evidenciando a incapacidade de realizar funções básicas de forma autônoma. O quadro de Jadi, no entanto, não se restringiu às lesões físicas visíveis. A equipe veterinária também levantou a suspeita de rabdomiólise, uma condição potencialmente fatal que pode ser desencadeada por traumas intensos.
Detalhes das cirurgias e a preocupante rabdomiólise
As cirurgias realizadas em Jadi foram cruciais para tentar reconstruir as estruturas faciais danificadas. No entanto, o trauma intenso sofrido pode ter repercussões sistêmicas. A rabdomiólise, suspeita no caso de Jadi, é uma síndrome caracterizada pela destruição de fibras musculares esqueléticas. Quando os músculos são danificados severamente, liberam substâncias no sangue, como a mioglobina, que podem ser tóxicas para os rins, levando a uma insuficiência renal aguda. Essa complicação adiciona uma camada de urgência e preocupação ao tratamento de Jadi, exigindo monitoramento constante das funções renais e de outros parâmetros vitais. Além da fratura na mandíbula e da possível rabdomiólise, Jadi é acompanhada por outras complicações pós-cirúrgicas que retardam sua recuperação e prolongam sua internação. A equipe veterinária mantém um protocolo intensivo de cuidados, mas a previsão de alta ainda é incerta, refletindo a gravidade do seu estado e a complexidade do tratamento necessário.
Implicações legais e a responsabilidade do tutor
O incidente envolvendo Jadi e o American Bully lança luz sobre a importância da legislação de proteção animal e da responsabilidade dos tutores. Em São Paulo, a Lei Estadual nº 11.531, de 2003, regulamenta a criação e a condução de cães de raças consideradas perigosas ou de grande porte, como Pit Bull, Rottweiler, e American Bully, entre outras. Essa lei estabelece a obrigatoriedade do uso de focinheira e guia curta e resistente para a condução desses animais em vias públicas, além de exigir que o condutor seja maior de idade e capaz de controlar o animal. A ausência de focinheira no American Bully durante o ataque não apenas contraria a lei, mas também demonstra uma grave negligência por parte de seu tutor, que falhou em adotar as medidas de segurança necessárias para evitar um incidente dessa natureza.
A legislação sobre cães de grande porte e a falta de focinheira
A legislação visa prevenir ataques e garantir a segurança pública e de outros animais. O descumprimento dessas normas pode acarretar em multas, apreensão do animal e, em casos de agressão, responsabilização civil e até criminal do tutor, dependendo da gravidade dos ferimentos e das circunstâncias. No caso de Jadi, os tutores buscam não apenas a reparação pelos danos e despesas veterinárias, mas também que as autoridades competentes apliquem as sanções cabíveis ao proprietário do American Bully, reforçando a mensagem de que a posse responsável é um dever e não uma opção. A atitude de não retornar após o incidente agrava a situação do tutor agressor, demonstrando falta de empatia e responsabilidade diante do sofrimento causado.
Perspectivas futuras e a importância da conscientização
A cadela Jadi permanece internada, enfrentando um longo e incerto caminho para a recuperação. Sua história triste serve como um alerta para a sociedade sobre a necessidade de uma posse responsável de animais, especialmente aqueles de grande porte ou com histórico de agressividade. A conscientização sobre as leis e a importância do treinamento adequado, socialização e uso de equipamentos de segurança, como a focinheira, são cruciais para evitar tragédias como a que acometeu Jadi. A responsabilidade vai além do cuidado com o próprio animal; ela se estende à garantia da segurança da comunidade e de outros seres vivos. A expectativa agora é que Jadi consiga se recuperar plenamente e que seu caso impulsione uma maior fiscalização e cumprimento das leis vigentes, protegendo outros animais de incidentes semelhantes.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Quais são as leis de São Paulo sobre a condução de cães de raças consideradas perigosas em vias públicas?
A Lei Estadual nº 11.531/2003, e suas alterações, exige que cães de raças como Pit Bull, Rottweiler, American Bully e outras consideradas potencialmente perigosas ou de grande porte sejam conduzidos em vias públicas utilizando focinheira, guia curta (máximo de 2 metros) e resistente, e por pessoas maiores de 18 anos com capacidade de controlar o animal. O descumprimento pode gerar multas e outras penalidades.
2. O que é rabdomiólise e por que é uma preocupação no caso de Jadi?
Rabdomiólise é uma condição médica grave onde as fibras musculares esqueléticas são danificadas e liberam seu conteúdo na corrente sanguínea. Substâncias como a mioglobina, liberadas nesse processo, podem ser tóxicas para os rins, podendo levar à insuficiência renal aguda e, em casos graves, à morte. No caso de Jadi, o trauma intenso do ataque pode ter desencadeado essa condição, tornando seu tratamento mais complexo e arriscado.
3. Quais são as possíveis consequências legais para o tutor do American Bully?
O tutor do American Bully pode ser responsabilizado civilmente pelos danos causados, incluindo o ressarcimento das despesas veterinárias e outros custos relacionados à recuperação de Jadi. Além disso, pode enfrentar multas por não cumprir a legislação estadual sobre a condução de cães em via pública (especificamente a falta de focinheira). Dependendo da avaliação policial e judicial, pode haver implicações criminais por omissão de socorro ou outros crimes relacionados à guarda irresponsável de animais.
Para mais informações sobre posse responsável e legislação, procure o órgão de controle animal de seu município.
Fonte: https://g1.globo.com


