Norueguês santista e remada viking conectam Brasil e Noruega na Copa

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A Baixada Santista, no litoral de São Paulo, tornou-se um palco inesperado para uma celebração vibrante da Copa do Mundo, unindo culturas distantes em nome do futebol. Apesar dos mais de dez mil quilômetros que separam o Brasil da Noruega, essa distância se dissolveu em histórias de paixão e torcida durante as oitavas de final. Na região que revelou o craque Neymar Jr., a preparação para a partida crucial envolveu desde um norueguês autodeclarado “o mais santista do mundo” até um grupo de mulheres que recriaram a famosa “remada viking”, culminando em uma divertida dança “créu”. Essas narrativas ilustram a capacidade do esporte de transcender barreiras geográficas e culturais, forjando laços únicos entre torcedores de nações distintas que se enfrentavam em busca da sobrevivência na competição mundial.

A paixão de André Østgaard: o norueguês santista

A paixão pelo futebol pode gerar conexões inusitadas e intensas, como a de André Østgaard, um norueguês de 33 anos que se tornou uma figura conhecida na Baixada Santista. Sua devoção ao Santos Futebol Clube é tão profunda que ele carrega o escudo do time tatuado na perna, um símbolo de seu amor pelo clube e pela cultura futebolística brasileira. A história de Østgaard com o Brasil começou a se desenrolar durante a campanha vitoriosa do Santos na Libertadores, quando o estilo de jogo ofensivo de Neymar Jr. capturou sua atenção e admiração.

Entre a pátria e o ídolo: o dilema de Østgaard

Para André, o embate entre Brasil e Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo representou um verdadeiro dilema emocional. Nascido na Noruega, ele naturalmente sente um vínculo com sua nação de origem. Contudo, seu fanatismo por Neymar Jr. e o desejo de ver o craque conquistar o título mundial criaram uma divisão em seu coração. Østgaard expressou que, embora quisesse ver a Noruega vencer, a paixão por Neymar e o reconhecimento de seu talento e dedicação o inclinavam para o lado brasileiro, especialmente por ser, possivelmente, a última chance do atacante de levantar a taça. Ele ponderou que a escolha entre os países era “fácil”, já que o Brasil possui uma história rica de cinco Copas, enquanto a Noruega não participava desde 1998; a verdadeira questão era o destino de seu ídolo.

A tatuagem e a devoção a Neymar

A conexão de André com o futebol brasileiro e com Neymar não se limitou à torcida à distância. Ele viajou diversas vezes ao Brasil e chegou a residir por um ano em Santos, imergindo na cultura local e fortalecendo seu laço com o clube alvinegro. O encontro com Neymar Jr. figura entre os momentos mais significativos de sua vida, solidificando sua admiração pelo jogador. A tatuagem do escudo do Santos FC em sua perna é um testemunho visível e permanente dessa devoção, simbolizando não apenas o amor por um time, mas também a adoção de uma cultura e a identificação com a paixão futebolística brasileira.

Remada viking e ritmo de créu: a torcida inusitada de Itanhaém

A criatividade e o bom humor também marcaram a torcida na Baixada Santista. Em Itanhaém, um grupo de mulheres da Associação da Terceira Idade Viver Bem demonstrou que a energia e o entusiasmo não têm idade, promovendo uma celebração única que mesclou referências culturais distintas.

Idosas em cena: a fusão cultural na torcida

Com idades entre 57 e 90 anos, as mulheres da associação prepararam uma performance que rapidamente chamou a atenção. Elas reproduziram a “remada viking”, um gesto de apoio à seleção norueguesa, conhecido por sua sincronia e força. No entanto, o ponto alto da apresentação foi a inesperada transição para o ritmo contagiante do funk carioca, com a “Dança do Créu”. O vídeo da performance, gravado durante uma aula de ritbox, viralizou, mostrando a capacidade de se adaptar e se divertir com as particularidades da competição. Márcia Gomes Cavalcante, coordenadora do projeto, explicou o simbolismo da apresentação: “Depois da remada, entrou a parte da diversão, que foi com a ‘créu’, fazendo alusão a que a Noruega dançou”, referindo-se à esperança de vitória brasileira.

O significado da remada viking

A “remada viking” surgiu como uma forma de engajar e motivar a torcida da Noruega, país que não participava de uma Copa do Mundo desde 1998. Inspirado na imagem dos antigos navegadores nórdicos, o gesto consiste em simular a remada de um barco em sincronia, enquanto os participantes entoam a palavra “Ro!”, que significa “remar” em norueguês. Tornou-se uma comemoração popular entre torcedores e atletas, simbolizando união, força e o espírito guerreiro. A adaptação dessa tradição norueguesa pelas idosas de Itanhaém, seguida pela dança “créu”, exemplificou a fusão cultural e o espírito de festa que o futebol proporciona, transformando a competição em um momento de alegria e intercâmbio.

Vínculos transnacionais: casais e apostas na Baixada Santista

A Copa do Mundo também destacou como o futebol atua como um catalisador de histórias pessoais e familiares, criando pontes entre nações e culturas distintas, mesmo em meio à rivalidade esportiva.

Joran e Ana Beatriz: a união entre nações no lar

A conexão entre Brasil e Noruega é particularmente palpável na história de Ana Beatriz Torres Soares, brasileira, e Joran Tvedt, norueguês. O casal se conheceu pelas redes sociais, casou-se e teve uma filha, Luiza, de seis meses. Embora residam na Noruega, escolheram a Baixada Santista para passar as férias, acompanhando de perto os lances da Copa. A partida entre as seleções de seus países gerou uma atmosfera de expectativa e leve tensão em seu lar. Ana Beatriz apostava em um placar de 2 a 1 para o Brasil, enquanto Joran confiava na vitória de seu país por 3 a 2. Em entrevista, Ana expressou o dilema com humor: “Vai ser complicado. Eu estou tensa só de pensar porque eu vou estar assistindo, eu vou estar torcendo para o Brasil. Quero que o Brasil ganhe, não tem jeito, mas eu vou ficar muito triste de ver a Noruega perdendo porque vai perder.” Essa situação reflete a mistura de lealdade e afeto que o esporte pode criar dentro de relacionamentos interculturais.

O otimismo de Frits Helge Jenssen: Noruega no coração, Brasil na aposta

Outro norueguês com uma longa história no Brasil é Frits Helge Jenssen, de 76 anos. Chegou ao país em 1988 a trabalho e decidiu estabelecer-se na Baixada Santista. Apesar de manter contato frequente com a Noruega e acompanhar sua seleção, sua paixão pelo futebol brasileiro e sua vivência no país influenciaram seu palpite para o jogo. Frits demonstrou um otimismo notável, apostando em uma vitória do Brasil por 4 a 1, mesmo ciente de que a Seleção nunca havia vencido os europeus em confrontos anteriores. Para ele, o retrospecto não diminuía a superioridade técnica brasileira. “Eles jogam bem, mas não são tão bons quanto os brasileiros. É um futebol diferente. É difícil dizer, mas eu acho que o Brasil ganha”, afirmou, em participação em programa local. Sua aposta simboliza a profunda integração e a afeição que muitos estrangeiros desenvolvem pelo Brasil e sua cultura, especialmente no que tange ao futebol.

Conclusão

As diversas narrativas da Baixada Santista durante a Copa do Mundo demonstram o poder unificador e transformador do futebol. De um norueguês com o Santos tatuado na perna, dividido entre sua pátria e seu ídolo, a um grupo de idosas que combinam a força viking com a alegria do funk brasileiro, as histórias revelam uma teia de paixões e intercâmbios culturais. Casais intercontinentais e noruegueses residentes no Brasil expressam seus dilemas e esperanças, evidenciando como o esporte transcende fronteiras geográficas e emocionais. A região, berço de talentos como Neymar, se tornou um microcosmo da globalização do futebol, onde a rivalidade em campo dá lugar à celebração da diversidade e da conexão humana.

Perguntas frequentes

Quem é André Østgaard e qual seu dilema durante a Copa do Mundo?
André Østgaard é um norueguês de 33 anos, fanático pelo Santos Futebol Clube e por Neymar Jr. Seu dilema surgiu quando as seleções de Brasil e Noruega se enfrentaram na Copa, dividindo-o entre torcer por seu país de origem e pelo craque brasileiro, que ele desejava ver conquistar o título mundial.

O que é a “remada viking” e como ela foi adaptada na Baixada Santista?
A “remada viking” é uma comemoração norueguesa que envolve simular o movimento de remo de um barco, com participantes entoando “Ro!”. Na Baixada Santista, um grupo de idosas da Associação da Terceira Idade Viver Bem de Itanhaém adaptou a remada viking e a combinou com a “Dança do Créu”, um funk carioca, em uma performance divertida e cheia de referências culturais.

Como a Copa do Mundo conectou pessoas de Brasil e Noruega na região?
A Copa do Mundo conectou brasileiros e noruegueses na Baixada Santista através de diversas histórias. Além de André Østgaard, o casal Ana Beatriz (brasileira) e Joran Tvedt (norueguês) acompanhou os jogos na região, e Frits Helge Jenssen, um norueguês que vive no Brasil desde 1988, demonstrou seu apoio à Seleção Brasileira, mostrando como o esporte pode unir pessoas de diferentes nacionalidades.

Qual o histórico da seleção da Noruega em Copas do Mundo?
A seleção masculina da Noruega teve participações limitadas em Copas do Mundo. Antes do contexto das histórias mencionadas, a Noruega não participava de uma Copa do Mundo desde 1998, o que tornava a “remada viking” um esforço para reavivar o entusiasmo e o apoio nacional à equipe.

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Fonte: https://g1.globo.com

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