Queixas sexuais na menopausa: não ignore, há tratamento eficaz

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A menopausa, um período natural na vida de toda mulher, é frequentemente associada a uma série de mudanças físicas e emocionais. Contudo, as queixas sexuais na menopausa, como secura vaginal, dor durante a relação e a diminuição do desejo, ainda são temas envoltos em tabu e, muitas vezes, encarados equivocadamente como consequências inevitáveis do envelhecimento. Essa percepção contribui para que milhões de mulheres sofram em silêncio, sem buscar ajuda ou saber que existem soluções eficazes. A saúde sexual, independentemente da idade, é um pilar fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida. É crucial desmistificar a ideia de que a sexualidade “morre” após a menopausa e reafirmar que, com a abordagem correta, é possível manter uma vida sexual satisfatória e plena, superando os desafios impostos pelas alterações hormonais e outros fatores.

A sexualidade feminina na menopausa: desvendando mitos e preconceitos

O climatério e a menopausa marcam uma fase de transição caracterizada pela diminuição da produção de hormônios femininos, principalmente o estrogênio. Essas mudanças hormonais desencadeiam uma série de alterações no corpo da mulher que podem afetar diretamente sua vida sexual. No entanto, o impacto desses sintomas é agravado por uma cultura de silêncio e por preconceitos que cercam a sexualidade feminina madura, levando muitas a aceitar um declínio na intimidade como algo inexorável.

O impacto das mudanças hormonais

A queda dos níveis de estrogênio é o principal fator por trás de muitas das queixas sexuais na menopausa. Este hormônio desempenha um papel vital na manutenção da saúde dos tecidos vaginais. Com sua diminuição, a parede vaginal pode se tornar mais fina, menos elástica e menos lubrificada, condição conhecida como atrofia vaginal. Isso se manifesta como secura, irritação, coceira e, consequentemente, dor durante o intercurso sexual, uma condição chamada dispareunia. Além disso, a redução do estrogênio e de outros hormônios pode influenciar diretamente o desejo sexual e a capacidade de atingir o orgasmo, impactando a libido e a resposta sexual. É fundamental reconhecer que esses são sintomas fisiológicos e não um reflexo da vontade ou do interesse sexual da mulher.

A barreira do silêncio e o estigma

Ainda hoje, a sexualidade feminina é um tema complexo e, muitas vezes, abordado com constrangimento. Para mulheres em idade de menopausa, essa barreira é ainda maior. Há uma percepção social de que a sexualidade se restringe à juventude, o que pode levar as mulheres a sentirem vergonha ou a acreditarem que suas preocupações sexuais não são válidas ou importantes. Muitos profissionais de saúde, por sua vez, podem negligenciar o tema em consultas, assumindo erroneamente que mulheres mais velhas não têm vida sexual ativa ou que o assunto é irrelevante para elas. Essa falta de diálogo aberto e proativo tanto por parte das pacientes quanto dos médicos perpetua o problema, impedindo o acesso a diagnósticos e tratamentos que poderiam restaurar a qualidade de vida sexual. É imperativo quebrar esse ciclo de silêncio e promover um ambiente onde a saúde sexual seja discutida com naturalidade e profissionalismo.

Soluções e tratamentos para uma vida sexual plena

Diferente do que muitos acreditam, as dificuldades sexuais associadas à menopausa não são permanentes ou intratáveis. Existem diversas abordagens e tratamentos que podem aliviar os sintomas e permitir que as mulheres continuem a desfrutar de uma vida sexual satisfatória. O caminho para a recuperação da saúde sexual envolve uma combinação de cuidados que podem incluir desde mudanças no estilo de vida até intervenções médicas específicas, sempre com o acompanhamento de profissionais capacitados.

Abordagem multidisciplinar e estilo de vida

Manter uma vida sexual saudável na menopausa é um esforço que se beneficia de uma abordagem integrada. Além das terapias médicas, a saúde mental e o bem-estar físico geral desempenham um papel crucial. Adotar uma “abordagem mental diferente”, que valorize a sexualidade em todas as idades, é o primeiro passo. Isso pode envolver terapia individual ou de casal para lidar com questões de autoestima, comunicação e adaptação às mudanças. A atividade física regular, incluindo exercícios para o assoalho pélvico, pode melhorar a circulação, a lubrificação e a sensibilidade vaginal, além de fortalecer a musculatura pélvica, essencial para uma experiência sexual prazerosa e sem dor. Uma alimentação balanceada e um estilo de vida saudável complementam esse “combo” de cuidados, contribuindo para a vitalidade geral do corpo.

Terapias médicas e hormonais

Para a atrofia vaginal e a secura, os tratamentos mais eficazes são frequentemente baseados na reposição hormonal local, como cremes, anéis ou comprimidos vaginais de estrogênio. Essas opções restauram a saúde dos tecidos vaginais com uma absorção sistêmica mínima, tornando-as seguras para a maioria das mulheres. Para sintomas mais abrangentes ou quando outros benefícios são desejados, a terapia de reposição hormonal (TRH) sistêmica pode ser considerada, sob rigorosa orientação médica. Lubrificantes e hidratantes vaginais, disponíveis sem receita, também são excelentes aliados para aliviar a secura e o desconforto durante a relação. Além disso, existem terapias não hormonais, como moduladores seletivos dos receptores de estrogênio (SERMs) ou lasers vaginais, que podem ser indicados para casos específicos, sempre avaliados individualmente por um ginecologista.

Identificando e tratando causas subjacentes

É fundamental reconhecer que algumas queixas sexuais, especialmente a dor durante a relação, podem ser sintomas de condições médicas subjacentes que requerem diagnóstico e tratamento específicos. Dores profundas na pelve, por exemplo, podem indicar a presença de endometriose, aderências pélvicas ou doença inflamatória pélvica, condições que podem ser agravadas ou persistir após a menopausa. A dor sexual, frequentemente, gera uma contratura involuntária dos músculos do assoalho pélvico, criando um ciclo vicioso de dor e tensão. Nesses casos, um trabalho multidisciplinar é essencial. Fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico, por exemplo, podem ajudar a relaxar essa musculatura, aliviar a dor e restaurar a função. Psicólogos, sexólogos e outros especialistas podem compor uma equipe de apoio, garantindo que todas as dimensões da queixa sejam abordadas, desde a fisiológica até a emocional.

A longevidade com qualidade de vida: um direito das mulheres

A longevidade feminina é uma realidade cada vez mais presente em nossa sociedade. No entanto, viver mais anos não deve significar viver com menos qualidade. A saúde sexual é um componente inalienável dessa qualidade de vida, e não pode ser desassociada da discussão sobre menopausa e envelhecimento.

Perspectiva nacional e global

No Brasil, estima-se que cerca de 30 milhões de mulheres estejam nessa faixa etária, e dados nacionais revelam que impressionantes 82% delas experimentam sintomas que impactam negativamente sua qualidade de vida. Essas estatísticas ressaltam a urgência de uma abordagem mais proativa e empática em relação à saúde sexual feminina na menopausa. Globalmente, a tendência é similar, com milhões de mulheres enfrentando desafios semelhantes, muitas vezes sem o suporte adequado. A falta de conhecimento e a relutância em discutir o tema não apenas afetam a vida individual das mulheres, mas também representam um problema de saúde pública que precisa ser enfrentado com campanhas de conscientização, educação médica contínua e aprimoramento dos serviços de saúde.

O papel da informação e empoderamento

A informação é a ferramenta mais poderosa para o empoderamento feminino. Quando as mulheres estão cientes de que suas queixas sexuais na menopausa não são um destino inevitável, mas sim condições tratáveis, elas se sentem mais confiantes para buscar ajuda. Promover o diálogo aberto sobre sexualidade e envelhecimento em todos os níveis — familiar, social e médico — é fundamental. Capacitar as mulheres a serem defensoras de sua própria saúde, incentivando-as a fazer perguntas, a expressar suas preocupações e a exigir soluções, é essencial. Paralelamente, é crucial educar os profissionais de saúde para que abordem a saúde sexual com sensibilidade, conhecimento e sem preconceitos, garantindo que cada mulher receba a atenção e o tratamento individualizado que merece, visando uma vida plena e satisfatória em todas as suas dimensões.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. A menopausa realmente significa o fim da vida sexual?
Não. A menopausa causa alterações que podem afetar a vida sexual, como secura vaginal e diminuição da libido, mas isso não significa o fim da sexualidade. Com diagnóstico e tratamento adequados, é possível manter uma vida sexual ativa e prazerosa.

2. Quais são os principais tratamentos disponíveis para secura vaginal e dor na relação?
Os tratamentos incluem terapias hormonais locais (cremes, anéis vaginais de estrogênio), lubrificantes e hidratantes vaginais, terapia de reposição hormonal sistêmica (sob orientação médica), e outras terapias não hormonais. Exercícios para o assoalho pélvico também podem ser benéficos.

3. Como posso abordar o tema da saúde sexual com meu médico?
Seja direta e honesta. Seu médico é um profissional treinado para discutir todos os aspectos da sua saúde. Prepare suas perguntas, anote seus sintomas e não tenha vergonha. Se o seu médico não iniciar a conversa, sinta-se à vontade para trazê-la à tona.

4. É normal sentir dor durante a relação sexual na menopausa?
Sentir dor durante a relação sexual não é normal em qualquer fase da vida, incluindo a menopausa. É um sinal de que algo não está certo e deve ser investigado. A dor pode ser causada pela atrofia vaginal, mas também por condições como endometriose ou disfunção do assoalho pélvico, que requerem tratamento específico.

Não permita que as queixas sexuais na menopausa roubem sua qualidade de vida. Se você está enfrentando esses desafios, procure um profissional de saúde qualificado para discutir suas opções e iniciar um tratamento eficaz. Sua saúde e bem-estar merecem atenção plena.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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