Exposição em São Luís: Mestre Bita do Barão e o legado do

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São Luís, no Maranhão, abre suas portas para uma profunda imersão na história e nos saberes das religiões de matriz africana, com destaque para o Terecô. A partir desta sexta-feira, 6 de outubro, o Museu Cafua das Mercês, localizado no coração do centro histórico da capital maranhense, inaugura uma exposição dedicada a Wilson Nonato de Sousa, mais conhecido como Mestre Bita do Barão de Guaré. Falecido em 2019, Mestre Bita foi uma figura central e inquestionável para a preservação e difusão do Terecô, uma das mais importantes manifestações da religiosidade afro-brasileira no estado. A iniciativa, que ocorre no Mês da Consciência Negra, celebra sua trajetória e a riqueza cultural do Terecô.

O legado de Mestre Bita e a exposição “Terecô de Codó”

A exposição “Terecô de Codó: o caminho de Mestre Bita do Barão entre tambores, encantados e ancestralidade” é uma homenagem póstuma e um reconhecimento à relevância de um dos maiores expoentes da cultura afro-brasileira no Maranhão. Mestre Bita do Barão de Guaré, cujo nome civil era Wilson Nonato de Sousa, dedicou sua vida à prática e à manutenção dos preceitos do Terecô, transformando-se em uma referência espiritual e cultural para milhares de pessoas. Sua morte, em 2019, deixou uma lacuna, mas seu legado continua vivo através das tradições que ele ajudou a consolidar e que agora são celebradas nesta mostra significativa. A exposição não apenas revisita a vida de um homem, mas também narra a história de uma comunidade e de uma fé que resiste e prospera.

O ícone do Terecô: Wilson Nonato de Sousa

Nascido e criado no interior do Maranhão, Mestre Bita do Barão de Guaré emergiu como um líder espiritual carismático e um guardião zeloso das tradições do Terecô. Sua influência se estendeu para além dos terreiros de Codó, cidade que se tornou o epicentro do Terecô sob sua liderança. Ele era conhecido por sua sabedoria, sua habilidade de mediar entre o mundo material e espiritual, e por sua dedicação inabalável à comunidade. A exposição busca, através de um acervo cuidadosamente selecionado, mostrar a dimensão de sua liderança. Serão expostos objetos pessoais, fotografias que registram momentos importantes de sua vida e de cerimônias, além de documentos históricos que contextualizam sua jornada e a do Terecô no Maranhão. Estes itens são janelas para a alma de um homem que foi, em si, um arquivo vivo de conhecimentos ancestrais e espirituais.

Imersão na ancestralidade e na cultura

A mostra no Museu Cafua das Mercês vai muito além da simples exibição de artefatos. Ela propõe uma verdadeira imersão no universo do Terecô, permitindo que os visitantes vivenciem a riqueza de seus rituais e expressões culturais. Em paralelo à exposição de documentos e objetos, o público terá a oportunidade de conhecer de perto os rituais, os cantos que invocam os encantados, as rezas que conectam os praticantes à espiritualidade e os toques ritmados dos tambores que são a alma do Terecô. Essas manifestações são parte integrante da tradição mantida viva por gerações de homens e mulheres do Terecô Tambor das Matas, e a exposição busca transmiti-las com a devida reverência e detalhe. A iniciativa visa educar e sensibilizar, desmistificando preconceitos e celebrando a vitalidade dessa fé afro-brasileira, ressaltando sua importância como pilar cultural e identitário para o Maranhão.

A essência do Terecô: origem, tradição e influências

O Terecô, uma religião de matriz africana com forte presença no Maranhão, é um testemunho vivo da resiliência e adaptação cultural dos povos africanos e seus descendentes no Brasil. Sua gênese remonta ao século XVIII, no interior do estado, onde se desenvolveu a partir de uma fusão de crenças e práticas trazidas pelos africanos escravizados. A religião é particularmente difundida nos terreiros do interior maranhense, com a cidade de Codó sendo reconhecida como seu principal centro mantenedor e irradiador. A mostra em São Luís oferece uma oportunidade única para compreender a complexidade e a beleza dessa manifestação religiosa, que se entrelaça profundamente com a história social e cultural do Maranhão.

Raízes históricas e culturais do Terecô

O Terecô se distingue por sua capacidade de sincretizar elementos de diversas tradições religiosas, formando um sistema de crenças único e vibrante. Ele incorpora componentes da Umbanda e do Tambor de Mina, outras proeminentes religiões afro-brasileiras, mas também absorve influências do catolicismo popular. Essa fusão reflete a capacidade de adaptação e resistência cultural dos povos africanos no Brasil, que souberam preservar suas cosmologias e práticas espirituais mesmo sob a opressão da escravidão e da colonização. Os “encantados”, entidades espirituais cultuadas no Terecô, são centrais para sua cosmovisão, e o culto a eles se manifesta através de cânticos, danças e rituais específicos que serão abordados na exposição. Compreender as raízes do Terecô é fundamental para valorizar a rica tapeçaria da espiritualidade brasileira.

O papel do Museu Cafua das Mercês

A escolha do Museu Cafua das Mercês para sediar a exposição não é aleatória. Este museu, também conhecido como Museu do Negro, está estrategicamente localizado no centro histórico de São Luís e possui uma missão institucional voltada para a preservação e difusão da memória e da cultura afro-brasileira. Ao abrigar a mostra sobre Mestre Bita e o Terecô, o museu reforça seu compromisso com a valorização das heranças africanas e com o combate ao racismo e à intolerância religiosa. A exposição, realizada em colaboração pelo Governo do Maranhão, pelo próprio Museu Cafua das Mercês e pela Tenda Umbandista Rainha de Iemanjá, sublinha a importância da parceria entre instituições governamentais e comunitárias para a promoção da cultura. Permanecendo aberta ao público até o dia 30 de março do próximo ano, a exposição oferece tempo suficiente para que moradores e turistas possam explorar e aprender sobre essa parte vital da identidade maranhense.

Preservação cultural e resistência

A exposição dedicada a Mestre Bita do Barão de Guaré e ao Terecô transcende a mera celebração de um indivíduo ou de uma religião; ela se posiciona como um ato de preservação cultural e de resistência. Ao destacar a riqueza e a profundidade das religiões de matriz africana, a iniciativa contribui significativamente para o reconhecimento da diversidade cultural brasileira e para o combate à intolerância religiosa. Em um país onde o preconceito contra as práticas afro-brasileiras ainda persiste, a exposição oferece uma plataforma essencial para a educação e o diálogo, promovendo a compreensão e o respeito por essas manifestações de fé e cultura. A iniciativa ressalta a importância de valorizar e proteger as tradições que moldam a identidade de milhões de brasileiros, reafirmando o papel central do Maranhão na manutenção dessas heranças ancestrais.

FAQ

1. Onde e quando a exposição sobre Mestre Bita e o Terecô pode ser visitada?
A exposição “Terecô de Codó: o caminho de Mestre Bita do Barão entre tambores, encantados e ancestralidade” está aberta ao público a partir de 6 de outubro no Museu Cafua das Mercês – Museu do Negro, localizado no centro histórico de São Luís, Maranhão. Ela permanecerá em cartaz até 30 de março do próximo ano.

2. O que é o Terecô e qual sua relação com Codó?
O Terecô é uma religião de matriz africana que surgiu no século XVIII no interior do Maranhão. É uma manifestação sincrética, incorporando elementos da Umbanda, do Tambor de Mina e do Catolicismo. A cidade de Codó é reconhecida como o principal centro e berço mantenedor dessa tradição religiosa.

3. Quem foi Mestre Bita do Barão de Guaré?
Mestre Bita do Barão de Guaré, cujo nome era Wilson Nonato de Sousa, foi um dos maiores expoentes e líderes do Terecô no Maranhão. Falecido em 2019, ele foi uma referência fundamental para a preservação e a difusão dos saberes e tradições dessa religião, sendo homenageado nesta exposição por seu vasto legado.

Não perca a chance de explorar essa fascinante jornada pela história, fé e cultura afro-brasileira no Maranhão. Visite a exposição no Museu Cafua das Mercês e mergulhe no universo de Mestre Bita e do Terecô.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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