Um ato de brutal violência doméstica chocou a cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, resultando na prisão de Clésio Carlos Ramos, de 45 anos. Ele é acusado de agredir sua companheira, de 44, até que ela perdesse a consciência dentro da residência do casal. O incidente, ocorrido em 1º de fevereiro, culminou na expedição de um mandado de prisão temporária que foi cumprido nesta sexta-feira (13). O caso lança luz sobre a persistente problemática da violência contra a mulher, evidenciando um histórico de agressões em um relacionamento de cerca de 15 anos. A vítima, gravemente ferida, necessitou de internação e segue em recuperação, enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para garantir que a justiça seja feita. A intervenção de vizinhos e familiares foi crucial para a denúncia.
A escalada da violência e o brutal ataque
A agressão, que teve início de forma inesperada e brutal, transformou a residência do casal em São Vicente em cena de terror. Segundo o relato contido no boletim de ocorrência, o homem, identificado como Clésio Carlos Ramos, desferiu um soco certeiro no rosto de sua companheira, fazendo-a cair no chão. A violência não cessou ali. Em um ato de crueldade crescente, ele prosseguiu com o ataque, enforcando a mulher e, em seguida, puxando seus cabelos e arrastando-a pela casa, ampliando o sofrimento e a impotência da vítima.
Os gritos de desespero e o barulho da contenda chamaram a atenção de uma vizinha, cuja intervenção se mostrou vital. Ao adentrar o imóvel, a testemunha deparou-se com a cena chocante da vítima já desacordada no chão. Em uma tentativa desesperada de reanimá-la, a vizinha pediu sal ao agressor, que, em um gesto ainda mais perturbador, jogou a substância no rosto da mulher, sem que a vítima apresentasse qualquer reação.
Detalhes da agressão e o socorro à vítima
As consequências da brutalidade foram devastadoras para a mulher. De acordo Seu estado era tão crítico que ela não tinha condições mínimas de reagir ou se locomover por conta própria, necessitando de assistência imediata.
Imediatamente após ser socorrida, a mulher foi encaminhada ao Pronto-Socorro Rio Branco e, posteriormente, transferida para o Hospital do Vicentino, onde recebeu atendimento médico especializado. Após dias de internação e cuidados intensivos, ela recebeu alta médica na quarta-feira (11), mas sua recuperação ainda exige acompanhamento contínuo. A Prefeitura de São Vicente, por meio de nota oficial, confirmou que a paciente tem uma consulta agendada com um fisioterapeuta, visando dar continuidade ao tratamento e à reabilitação física necessária para superar as sequelas do ataque. A extensão total do impacto das lesões ainda está sendo avaliada.
Ações da justiça e a importância da denúncia
O desfecho inicial para o agressor, Clésio Carlos Ramos, de 45 anos, veio com a sua prisão, após um período de investigação e ação das autoridades. A denúncia formal das agressões só foi possível dois dias após o ocorrido, quando a vítima, já se recuperando, conseguiu relatar os fatos às suas filhas. As jovens, com idades de 26, 25 e 21 anos, não hesitaram em agir, registrando o boletim de ocorrência e acrescentando um grave detalhe: elas também estavam sendo alvo de ameaças de morte por parte do padrasto. Essa atitude corajosa das filhas foi fundamental para iniciar o processo legal contra o agressor e garantir a segurança de todos os envolvidos.
O papel crucial das filhas e a prisão do agressor
Com base nas evidências e nos depoimentos coletados, a 1ª Vara Criminal de São Vicente agiu prontamente, expedindo um mandado de prisão temporária na quarta-feira seguinte aos fatos. A eficácia da resposta policial foi demonstrada nesta sexta-feira, quando policiais civis da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade cumpriram a ordem judicial, efetuando a captura de Clésio Carlos Ramos. A prisão ocorreu sem intercorrências, levando o acusado diretamente para a custódia das autoridades.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou, em nota oficial, que Clésio foi detido e conduzido à DDM, onde permaneceu à disposição da Justiça para as devidas providências legais. O caso foi registrado com uma série de classificações criminais que refletem a gravidade dos atos: violência doméstica, ameaça, injúria, tentativa de feminicídio e captura de procurado. Essa categorização demonstra a seriedade com que as autoridades estão tratando o episódio, buscando a punição adequada para o responsável e reforçando a mensagem de que a violência contra a mulher não será tolerada. O relacionamento de 15 anos do casal, marcado por outras agressões anteriores, conforme apontado no boletim de ocorrência, sublinha a natureza recorrente e perigosa da conduta do agressor, que, segundo a enteada, é usuário de cocaína.
Conclusão: a persistência da violência doméstica e a busca por justiça
O caso de São Vicente serve como um doloroso lembrete da persistência e da gravidade da violência doméstica no Brasil, um crime que afeta inúmeras mulheres e suas famílias. A rápida ação das filhas da vítima ao denunciar e a eficiência das autoridades na prisão do agressor reforçam a importância da coragem e da denúncia como ferramentas essenciais para combater essa chaga social. Enquanto a vítima segue em processo de recuperação física e emocional, o agressor aguarda os desdobramentos judiciais, enfrentando acusações sérias que podem levá-lo à condenação por tentativa de feminicídio, entre outros crimes. É fundamental que a sociedade continue vigilante e que as redes de apoio às mulheres em situação de violência sejam fortalecidas, garantindo que outras vítimas encontrem o amparo necessário para romper o ciclo de abusos e buscar justiça efetiva.
Perguntas frequentes sobre violência doméstica
O que caracteriza a violência doméstica?
A violência doméstica é definida pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial à mulher, tanto no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. Abrange agressões físicas (como socos e espancamentos), psicológicas (ameaças, humilhações, controle), sexuais (qualquer ato sexual não consentido), patrimoniais (destruição de bens) e morais (calúnia, difamação, injúria), ocorrendo frequentemente em relações onde há laços familiares, de união estável ou conjugal, mesmo que já terminados.
Quais são os principais sinais de que alguém está sofrendo violência doméstica?
Os sinais de violência doméstica podem ser variados e nem sempre evidentes, manifestando-se de diversas formas. Incluem lesões físicas visíveis, como hematomas, cortes, fraturas ou queimaduras, que a vítima tenta esconder ou justificar. Também englobam mudanças comportamentais notáveis, como isolamento social de amigos e familiares, manifestação de depressão, ansiedade excessiva, medo constante, e baixa autoestima. Problemas de dependência financeira imposta pelo agressor, interrupção abrupta de estudos ou trabalho, e o controle excessivo da vida pessoal da vítima (onde ir, o que vestir, com quem falar) são outros indicadores importantes. Em casos mais graves, a vítima pode expressar pensamentos suicidas ou ter dificuldades extremas para relatar o que está acontecendo devido ao trauma e às ameaças.
Como uma vítima de violência doméstica pode buscar ajuda e denunciar?
Existem diversos canais seguros e confidenciais para vítimas de violência doméstica buscarem ajuda e realizarem a denúncia. Em casos de flagrante ou emergência, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo número 190. Para denúncias anônimas ou informações, o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) é um canal nacional que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. A denúncia também pode ser feita presencialmente em uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou em qualquer outra delegacia de polícia. Outras instituições que oferecem apoio são o Ministério Público, a Defensoria Pública e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), que oferecem acolhimento psicossocial e orientação jurídica. É crucial lembrar que a denúncia pode ser feita por terceiros, e o apoio da rede de proteção é fundamental para a segurança e o acolhimento da vítima.
Se você ou alguém que conhece é vítima de violência doméstica, não hesite em buscar ajuda. Disque 180 e denuncie. Sua voz pode salvar vidas.
Fonte: https://g1.globo.com


