Em meio aos debates sobre a crise climática na COP 30, que acontece em Belém, o papel fundamental dos povos indígenas na preservação ambiental ganha destaque. A participação dos povos originários na busca por soluções para mitigar os impactos das mudanças climáticas é um ponto central nas discussões do evento.
Joenia Wapichana, a primeira mulher indígena a presidir a Funai, ressaltou a importância da proteção dos territórios indígenas para a manutenção das florestas. Em entrevista, ela enfatizou que por trás de cada floresta preservada, há comunidades indígenas atuando na defesa de suas terras.
Wapichana defende que os povos indígenas sejam ouvidos e considerados nas estratégias de combate à crise climática, indo além da simples proteção das terras e florestas. Ela destaca a necessidade de financiamento direto, regularização de terras, proteção, segurança, saúde e garantia de direitos humanos para essas comunidades. “Por trás de uma floresta em pé, aqui na Amazônia, principalmente, tem pessoas que vivem da floresta, mas vivem para a floresta e com a floresta”, afirmou.
A presidente da Funai informou que, durante o governo atual, 16 terras indígenas foram homologadas. No entanto, ela alerta para a resistência enfrentada pelos povos indígenas por parte de setores políticos e do judiciário, que buscam impedir a demarcação de novas áreas. Um exemplo citado é a lei que implementa o marco temporal, restringindo a demarcação de terras indígenas não ocupadas antes de 1988.
Joenia Wapichana reforça que a regularização fundiária é essencial para que o Brasil avance no cumprimento de suas metas de combate às mudanças climáticas. “Agora falta ações para levantar a regularização fundiária, realmente, que tem que ser considerada como uma estratégia de enfrentamento climático, mas não só isso. Tem que saber que tem pessoas por trás disso. Nós não somos apenas dados, nós somos seres humanos que têm necessidades, que têm direitos. E que precisam também ser implementados para poder continuar a contribuir como soluções”, declarou.
A presidente da Funai expressa preocupação com a garantia dos direitos dos povos indígenas, considerando-a fundamental para a existência de territórios protegidos. Ela alerta para os conflitos agrários e fundiários que ameaçam a vida dos indígenas que defendem seus territórios. “É importante reconhecer o papel dos povos indígenas, que não é somente a conservação da biodiversidade, não se trata somente de floresta em pé, se trata de proteger quem protege a floresta também, porque tem muitos conflitos agrários, conflitos fundiários e que os povos indígenas estão sendo mortos por defender territórios”, alertou.
Centenas de representantes de povos indígenas do Brasil e do mundo estão presentes na COP 30 em Belém para assegurar ações de proteção de seus direitos e de preservação de seus territórios.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


