Governo prorroga descontos no querosene de aviação e no biodiesel

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Em uma medida estratégica para mitigar a pressão sobre os preços dos transportes e a inflação, o governo federal anunciou a prorrogação dos descontos no querosene de aviação e no biodiesel. A decisão, formalizada por meio de decreto presidencial, estende por mais dois meses os benefícios fiscais concedidos à importação e comercialização desses combustíveis essenciais. A iniciativa visa proporcionar um alívio temporário para setores críticos da economia, como a aviação comercial e o agronegócio, que dependem fortemente desses insumos. A medida evita a extinção iminente dos descontos, garantindo a manutenção de alíquotas reduzidas até o final de julho. A manutenção desses incentivos fiscais é vista como um esforço para estabilizar custos operacionais e evitar repasses inflacionários aos consumidores, especialmente em um cenário de volatilidade nos mercados globais de energia.

Extensão dos benefícios fiscais: Detalhes e impacto imediato

A prorrogação dos benefícios fiscais foi oficializada com a publicação do Decreto nº 12.991 no Diário Oficial da União. Assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ato normativo altera dispositivos de decretos anteriores – o de nº 5.059, de 2004, e o de nº 10.527, de 2020. Essas alterações mantêm reduzidas as alíquotas das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), além da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que incidem sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel.

A alteração legislativa e as alíquotas mantidas

Os coeficientes de redução aplicados às contribuições PIS/Pasep e Cofins permanecem inalterados. Para o querosene de aviação, o coeficiente é de 0,99987, o que se traduz em um desconto equivalente a 99,99% sobre o valor dos impostos que seriam cobrados. No caso do biodiesel, o coeficiente é de um inteiro, significando que a tributação sobre este combustível permanecerá completamente zerada. Essa desoneração total do biodiesel e a quase total do QAV, que estariam prestes a expirar, agora estão garantidas até o dia 31 de julho. A medida é parte de um conjunto de ações emergenciais implementadas pelo governo federal no mês anterior, com o objetivo primordial de conter o aumento generalizado nos preços dos combustíveis e, por consequência, o avanço da inflação. Ao aliviar a carga tributária sobre esses produtos estratégicos, o governo busca oferecer um fôlego financeiro às empresas de transporte, em particular às companhias aéreas, que enfrentam desafios significativos devido à alta global dos preços energéticos, exacerbada por conflitos geopolíticos, como os observados no Oriente Médio.

O cenário da aviação e a relevância dos incentivos

O setor de aviação comercial é um dos mais diretamente beneficiados e impactados pela política de combustíveis. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o querosene de aviação representa uma parcela substancial dos custos operacionais das companhias, respondendo por aproximadamente 45% do total. Este percentual elevado demonstra a vulnerabilidade do setor às flutuações nos preços do QAV e a importância de medidas de apoio como a prorrogação dos descontos. A entidade tem sido uma voz ativa na defesa de soluções que ajudem a estabilizar os custos. Em uma audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, realizada no último dia 21, o presidente da Abear, Juliano Norman, argumentou pela extensão da isenção do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação até o final do ano, destacando a urgência da situação.

Desafios operacionais e o reflexo nos voos domésticos

O impacto do aumento do preço do QAV tem sido drástico. Especialistas presentes na audiência pública apontaram que, de fevereiro até o período recente, o preço do produto mais que dobrou, passando de R$ 3,30 para R$ 6,65 por litro. Essa escalada de custos obrigou as empresas aéreas a “redesenhar” suas malhas de voos, resultando em uma redução significativa na oferta de assentos e itinerários. As projeções apresentadas pela Abear são preocupantes: para maio, estimava-se uma redução de 93 voos por dia, e para junho, a previsão era ainda mais severa, com 121 voos a menos diariamente. As regiões Norte e Nordeste do Brasil, que frequentemente dependem mais do transporte aéreo devido às grandes distâncias e infraestrutura terrestre desafiadora, são as mais afetadas por essa diminuição da oferta. Juliano Norman ressaltou a complexidade da situação: “Estamos reduzindo a oferta, o tamanho do avião para não desatender os destinos. Mas a pior face da crise é o desatendimento de um destino ou quando a indústria devolve uma aeronave para o fabricante, porque a retomada não é tão simples.” A prorrogação dos descontos, portanto, representa um fôlego essencial para que as companhias possam minimizar esses ajustes e continuar atendendo à demanda, ainda que de forma contida.

Perspectivas e o caminho à frente

A decisão de prorrogar os descontos no querosene de aviação e no biodiesel reflete o compromisso do governo em gerenciar os impactos econômicos da volatilidade dos preços dos combustíveis. Ao estender esses benefícios fiscais até 31 de julho, o executivo busca evitar um aumento imediato nos custos operacionais para transportadoras e companhias aéreas, que inevitavelmente seria repassado aos consumidores, contribuindo para o ciclo inflacionário. Embora a medida seja temporária, ela oferece um respiro crucial para setores estratégicos, permitindo um tempo para que o mercado se ajuste ou que novas políticas de longo prazo sejam formuladas. A continuidade da monitoração dos mercados globais de energia e das pressões inflacionárias será fundamental para futuras decisões sobre o tema, mantendo o equilíbrio entre a sustentabilidade fiscal e o apoio à atividade econômica.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que são os descontos no querosene de aviação e no biodiesel?
São benefícios fiscais que reduzem as alíquotas das contribuições PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a importação e venda desses combustíveis. Para o querosene de aviação (QAV), o desconto é de 99,99%, e para o biodiesel, a tributação é zerada.

Por que o governo prorrogou esses descontos?
A prorrogação visa conter a alta dos preços dos combustíveis, iniciada por conflitos no Oriente Médio, e evitar que as empresas de transporte, especialmente as aéreas, repassem esses aumentos para os consumidores, o que poderia gerar um forte impacto inflacionário.

Até quando esses descontos serão válidos?
Os benefícios fiscais foram prorrogados até o dia 31 de julho, estendendo por mais dois meses a validade das alíquotas reduzidas para ambos os combustíveis.

Qual o impacto da medida para as empresas aéreas?
Para as empresas aéreas, onde o querosene de aviação representa 45% dos custos operacionais, a prorrogação oferece um alívio financeiro crucial. Sem os descontos, a alta nos preços do QAV levaria a cortes ainda maiores na oferta de voos e aumentos de tarifas.

Acompanhe as próximas atualizações sobre a política de combustíveis e seus reflexos na economia brasileira para se manter informado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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