Daniel Ferraz, absolvido pela Justiça de São Paulo da acusação de envolvimento na construção de um túnel com destino ao cofre principal do Banco do Brasil, busca reconstruir sua vida como criador de conteúdo. Após a experiência no sistema prisional, ele relata dificuldades em conseguir um emprego formal e a persistente discriminação que enfrenta.
O caso, que ganhou notoriedade em outubro de 2017 com a descoberta do túnel na Zona Sul de São Paulo, envolveu a alegação de que a organização criminosa planejava um roubo de R$ 1 bilhão. A quantia, segundo as autoridades na época, faria do crime “o maior assalto do mundo”.
Ferraz, de 32 anos e morador do Guarujá, foi preso em flagrante em 2020 por porte ilegal de arma e roubo a residência, acusações das quais também foi absolvido por falta de provas. Ele passou quase dois meses na prisão, período que descreve como traumático. “Mesmo negando o conhecimento dessa arma, o delegado me encaminhou ao presídio. Lá, fiquei doente e pedia para Deus […] para ele me recolher”, relatou.
O influenciador lamenta que a mãe, de 70 anos, tenha gasto suas economias com advogados e investido em sua educação, incluindo uma graduação em Engenharia Civil e estudos de inglês no exterior, que não resultaram em oportunidades de trabalho. Atualmente, ele compartilha sua paixão por motocicletas, carros e veículos marítimos com seus mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.
Segundo o advogado de defesa, Marcos Jesuino Junior, a acusação contra Ferraz se baseou em uma luva encontrada em uma residência roubada. A polícia utilizou este item para realizar um exame de DNA, comparando o material genético com uma escova de dentes encontrada no túnel. O laudo técnico apontou uma probabilidade superior a 99,9% de compatibilidade.
A decisão de absolvição, proferida pelo juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa, Lavagem de Bens e Valores da Capital, considerou que a acusação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) se fundamentou apenas na coincidência genética, sem apresentar provas conclusivas de que a luva pertencia a Ferraz.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que não comenta decisões judiciais.
Para aqueles que necessitam de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo número 188, disponível em todo o território nacional. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS), através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), também oferece acolhimento sem necessidade de agendamento. Serviços de atenção básica, como postos de saúde, podem realizar consultas com enfermeiras para um acolhimento inicial.
Fonte: g1.globo.com


