Anitta desvenda a jornada espiritual por trás de seu novo álbum sobre

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Em uma fusão de ritmos que abrangem atabaques, agogôs, sanfonas e batidas de funk, a cantora Anitta lança seu oitavo álbum de carreira, Equilibrivm II, uma obra que transcende a música ao transformar experiências de fé, ancestralidade e a busca por equilíbrio em profunda inspiração artística. O novo trabalho reúne sonoridades marcantes das religiões afro-brasileiras, da música popular e dos ritmos urbanos, revelando uma faceta mais íntima e espiritual da artista. Este álbum não é apenas uma escolha estética, mas um reflexo direto de sua trajetória pessoal e de sua conexão com a espiritualidade, que a acompanha desde a infância e se manifesta em diferentes momentos de sua vida, culminando nesta rica expressão musical. A artista, conhecida por sua projeção global, agora compartilha uma jornada que é tanto pessoal quanto universal, abordando temas de fé e superação.

A gênese de Equilibrivm II e a fé ancestral

Com 17 faixas, o álbum Equilibrivm II emerge como um testemunho da profunda conexão de Anitta com suas raízes espirituais. A cantora, que se tornou um ícone global, revela que as referências musicais e temáticas do projeto estão intrinsecamente ligadas à sua história de vida e à sua relação com as religiões afro-brasileiras, em especial o candomblé.

Raízes no candomblé e a jornada de Logunedé

Anitta é devota do candomblé e filha de Logunedé, um Orixá reverenciado por sua associação à beleza, riqueza e inteligência, qualidades que, de certa forma, ressoam com a própria persona pública e artística da cantora. A espiritualidade esteve presente em sua vida desde cedo, em um contexto familiar que abraçava diferentes manifestações de fé. Enquanto sua mãe a levava à igreja católica todos os domingos na infância, seu pai, ligado à umbanda, posteriormente se tornou pai de santo no candomblé. Essa dualidade e o convívio com diversas expressões religiosas moldaram sua percepção e aprofundaram sua fé, elementos que agora convergem para a sonoridade e a lírica de seu novo álbum. A artista enfatiza que sua religião é mais do que uma influência; é um pilar de sua identidade e jornada.

Enfrentando o preconceito e a exposição pública

A decisão de Anitta de falar abertamente sobre sua ligação com o candomblé marcou um ponto de virada significativo em sua carreira, desafiando preconceitos arraigados e expondo vulnerabilidades que muitos artistas evitam no cenário público. Sua experiência revela as pressões e os riscos associados à visibilidade, especialmente quando se trata de temas sensíveis como a religião.

O período de reclusão e a decisão de se abrir

Em 2018, Anitta enfrentou uma intensa cobrança por sua ausência de posicionamento político em um momento de efervescência social. No entanto, o que o público não sabia era que a cantora estava imersa em um processo de reclusão religiosa para “fazer santo” — um período de profundo recolhimento e iniciação espiritual no terreiro de candomblé, que pode durar cerca de um mês. Durante esse tempo, a pessoa permanece em um estado de introspecção e conexão espiritual, afastada das atividades cotidianas.

A artista explicou que, por muito tempo, manteve sua fé em segredo devido ao medo das repercussões negativas que a revelação poderia trazer para sua imagem e, consequentemente, para contratos de publicidade e campanhas comerciais. “Era perigosíssimo”, afirmou, destacando o forte preconceito ainda existente contra as religiões afro-brasileiras na sociedade brasileira e no mercado publicitário. A decisão de “sair do armário” religioso foi um ato de coragem, um rompimento com o silêncio imposto pelo estigma, afirmando sua identidade e inspirando muitos a abraçarem suas próprias crenças sem receio.

A influência de Carmen Miranda e o desafio à exaustão

A trajetória de Anitta, marcada por uma ascensão meteórica e uma carreira internacional exigente, a levou a uma reflexão profunda sobre os custos da fama e a importância do bem-estar. Essa introspecção encontrou um eco inesperado na figura de Carmen Miranda, uma das primeiras artistas brasileiras a conquistar projeção global.

Espelho na “Pequena Notável” e a busca por um novo desfecho

Anitta revelou que se deparou com a história de Carmen Miranda através de um livro e se identificou intensamente com a “Pequena Notável”. Ela percebeu semelhanças notáveis entre suas personalidades e trajetórias, com as diferenças se devendo principalmente às particularidades de suas respectivas épocas. Durante uma exibição de Carmen Miranda dançando, a cena em que a artista tropeça e se retira para o camarim, morrendo pouco depois de um infarto, tocou profundamente Anitta. Esse episódio levou a cantora a uma epifania: “Eu falei: eu preciso mudar esse final.”

Essa frase encapsula a determinação de Anitta em não repetir o ciclo de exaustão e sobrecarga que muitas vezes acompanha o sucesso internacional. A identificação com Carmen Miranda tornou-se um catalisador para Anitta repensar sua própria carreira, a exposição pública e, crucially, os limites físicos e mentais impostos por uma rotina de celebridade global, impulsionando-a a buscar um caminho mais saudável e sustentável.

Saúde, bem-estar e a redefinição de prioridades

A jornada de Anitta em direção ao equilíbrio não é apenas espiritual, mas também física e mental. A artista compartilhou abertamente os desafios que enfrentou devido à exaustiva rotina de sua carreira internacional, que a levou a um ponto de intenso desgaste.

O esgotamento físico e a busca pelo equilíbrio

Anitta descreveu um período em que estava “bem doente, fisicamente”, resultado de uma agenda implacável, com viagens constantes e poucas pausas. Ela relatou que chegava a dormir no avião na metade da semana, uma rotina que impedia seu corpo de se recuperar adequadamente. “E aí o seu corpo vai ficando muito inflamado. O corpo vai perdendo a capacidade de processar”, explicou a cantora, evidenciando os efeitos deletérios do excesso de trabalho no organismo.

Foi nesse contexto de esgotamento que, há cerca de quatro anos, Anitta buscou auxílio profissional e encontrou a terapeuta Max Tovar. Sua participação em um retiro, orientado por Tovar, foi um momento crucial de recuperação e autoconhecimento. Durante esse retiro, a artista não apenas iniciou um processo de cura e redefinição de suas prioridades de saúde e bem-estar, mas também escreveu parte das falas e reflexões que compõem o novo álbum Equilibrivm II. O projeto, portanto, não é apenas um trabalho musical, mas um documento de sua jornada de superação e reconexão consigo mesma e com sua espiritualidade.

Conclusão

Equilibrivm II é mais do que um álbum musical; é um manifesto da jornada pessoal de Anitta, que utiliza sua plataforma global para expressar sua fé, ancestralidade e a busca incessante por equilíbrio. A artista desvenda as camadas de sua identidade, desde as raízes no candomblé até a superação de desafios como o preconceito e o esgotamento físico. Ao compartilhar abertamente sua vivência com a religião afro-brasileira e as dificuldades impostas pela fama, Anitta não apenas inspira, mas também desafia estereótipos e promove um diálogo essencial sobre a diversidade cultural e a importância da saúde mental no cenário artístico. Este trabalho se solidifica como um marco em sua carreira, demonstrando uma artista em plena evolução, que encontra força em suas origens e utiliza a música como um poderoso veículo de autoconhecimento e transformação.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual o nome do novo álbum de Anitta e quais temas ele aborda?
O novo álbum de Anitta se chama Equilibrivm II. Ele aborda temas de fé, ancestralidade, busca por equilíbrio e as experiências da cantora com as religiões afro-brasileiras e sua vida pessoal.

Como a religião afro-brasileira se manifesta na vida e obra de Anitta?
Anitta é devota do candomblé e filha de Logunedé. A religião faz parte de sua trajetória desde a infância, influenciando diretamente a sonoridade e as letras de Equilibrivm II, além de ser um pilar fundamental em sua identidade e autodescoberta.

Qual a importância da busca por equilíbrio na trajetória recente da cantora?
Após um período de intenso desgaste físico e mental provocado pela rotina internacional, Anitta buscou auxílio terapêutico e participou de um retiro. Essa busca por equilíbrio foi crucial para sua recuperação e se tornou uma fonte de inspiração para o novo álbum, reforçando a mensagem de cuidar da saúde em meio às exigências da carreira.

Descubra mais sobre a jornada de Anitta e as mensagens poderosas de Equilibrivm II ouvindo o álbum nas principais plataformas digitais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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