O carnaval de rua em São Paulo transformou o centro da capital paulista em um palco de celebração e diversidade musical neste domingo de folia. O circuito de blocos da República, conhecido por sua atmosfera vibrante e acessibilidade, atraiu milhares de foliões para uma tarde de desfiles embalados por ritmos nordestinos contagiantes, como o axé e o forró. Nomes como Domingo Ela Não Vai e Explode Coração foram os grandes destaques, puxando a multidão por ruas históricas. Apesar da grande presença de público, a organização garantiu boa mobilidade, permitindo que famílias e amigos desfrutassem da festa com tranquilidade e espaço, consolidando o centro como um polo importante da festividade carnavalesca na cidade, que a cada ano ganha mais adeptos e opções de blocos.
A folia no circuito da república
A tarde de domingo no circuito de blocos da República foi marcada por uma energia contagiante e uma organização que garantiu fluidez para os participantes. Os blocos Domingo Ela Não Vai e Explode Coração foram os protagonistas, arrastando uma multidão por entre as ruas do centro de São Paulo. A aposta em ritmos nordestinos, como o axé e o forró, provou ser um sucesso, criando uma atmosfera de festa autêntica e inclusiva. Mesmo com o grande número de foliões, a circulação era facilitada, permitindo que as pessoas se movessem entre os blocos e acessassem com tranquilidade os pontos de apoio e as saídas.
A experiência dos foliões
A satisfação dos foliões era palpável. Luma Gregória, estudante de jornalismo e foliã experiente desde a infância, ressaltou a atmosfera acolhedora do evento. “Está gostoso, para brincar com família e amigos. Alegre, tranquilo e com mais espaço do que em outros circuitos”, afirmou, enquanto aproveitava a festa com parentes e amigos. Após sair do bloco Domingo Ela Não Vai, o grupo de Luma planejava seguir com o Explode Coração, demonstrando a energia inesgotável dos participantes. Para ela, o axé é a essência do carnaval, um ritmo que pulsa nas veias da festividade. Contudo, Luma também destacou a importância de escolher os blocos com cautela, planejando ir às marchinhas da Charanga do França na segunda e explorar outros blocos de rua na terça. Ela revelou sua preferência por blocos de médio porte, evitando a aglomeração excessiva dos megablocos, uma lição aprendida em uma experiência menos positiva no pré-carnaval na Consolação, onde “tinha muita gente e uma parte ficou prensada lá”, forçando seu grupo a se deslocar para um local mais seguro.
Diversidade musical e encontros culturais
Além do axé e do forró que dominaram grande parte do circuito, a diversidade musical foi um dos pontos altos do carnaval de rua no centro. O Bloco Afro Tô na Rua, por exemplo, trouxe um espetáculo à parte, com duas baterias, um percussionista no atabaque, guitarra, baixo e teclado, todos acompanhando o axé nas vozes potentes de Lia, Paula e Marcos. Enfrentando o sol forte das 14h, na Rua São Luiz com a Consolação, a banda demonstrou uma energia admirável. Neste ponto do circuito, o ritmo da folia diminuía ligeiramente, permitindo que as pessoas dançassem mais livremente, circulassem entre os blocos e começassem a dispersão, aproveitando os bares e restaurantes locais, muitos dos quais abriram suas portas excepcionalmente no domingo de carnaval.
Tradição e novidade nos blocos
Próximo à icônica Biblioteca Mário de Andrade, a reportagem conversou com as irmãs Estela e Josy Madeira, que acompanham a festa há mais de uma década. Estela, bibliotecária que já trabalhou na Mário de Andrade, comentou sobre a dinâmica atual do carnaval de rua. “Está um pouco mais vazio, sabe. Deve ser por conta dos megablocos, que estão esvaziando um pouco os mais tradicionais, aqui do Centro. Claro que ainda estão bem maiores, hoje, do que quando o carnaval era na Tiradentes”, explicou Estela, que estava em seu terceiro bloco do fim de semana e planejaria mais para os próximos dias. As irmãs, que viram os blocos de rua ganharem popularidade na cidade, destacaram a evolução do cenário carnavalesco paulistano. Josy complementou, mencionando a variedade de opções: “Tem uns muito legais. Ontem fomos no Bollywood, com indianos, e no Perdi Tudo na Augusta. Amanhã ainda não decidimos, mas acho que vamos para o Bixiga.” A menção ao tradicional bloco Esfarrapado, que desfila desde 1947 no Bixiga com os sambas da Vai-Vai, reforça a riqueza cultural do carnaval paulistano, mesclando o novo com o histórico.
No meio da tarde, por volta das 15h, quem retornava à República ainda encontrava surpresas. Apesar da grande quantidade de vendedores ambulantes e do movimento ocasionalmente enfraquecido pela aglomeração de guarda-sóis, o pequeno e animado público do Bloco SP Forró dava início ao seu desfile. Vestidos de Lampião e Maria Bonita, Juarez e Ana puxavam o bloco, organizado pelo amigo e produtor cultural Zé da Lua. O casal, que se apresenta durante o ano com a indumentária no Trio da Lua, expressava seu amor pela folia. “A gente brinca sempre que pode, se apresenta o ano todo. Adoro”, disse Ana Freire, paraibana radicada em São Paulo, onde ensina música e violão. Seu parceiro, Juarez Martins dos Anjos, baiano e arte-educador e escultor, mora em São Miguel, na zona leste, desde 1973. Com seis anos de apresentações no carnaval, o Bloco SP Forró seguia animado, adicionando mais um tom de celebração nordestina ao vibrante carnaval de rua paulistano.
A consolidação do carnaval de rua paulistano
O domingo de carnaval no centro de São Paulo demonstrou a força e a diversidade do carnaval de rua da capital paulista. Com a mistura de ritmos como axé e forró, a presença de blocos tradicionais e a efervescência de novos grupos, a cidade oferece uma experiência democrática e acolhedora para todos os foliões. A boa mobilidade, a segurança e a infraestrutura adequada permitiram que famílias e amigos desfrutassem da festa com tranquilidade, reforçando a imagem de um carnaval cada vez mais consolidado e autêntico. A capacidade de integrar diferentes culturas e gerações, mantendo a essência da folia popular, prova que o centro de São Paulo é um epicentro vibrante para a celebração carnavalesca, prometendo ainda mais alegria nos próximos dias e edições.
FAQ
Quais ritmos musicais animaram o centro de São Paulo no domingo de carnaval?
O centro de São Paulo foi amplamente animado por ritmos nordestinos, com destaque para o axé e o forró, presentes em blocos como Domingo Ela Não Vai, Explode Coração e Bloco SP Forró, além do Bloco Afro Tô na Rua, que também trouxe muito axé.
Como foi a experiência dos foliões em termos de mobilidade e espaço?
Apesar da grande afluência de público, os foliões reportaram boa mobilidade e facilidade de acesso no circuito da República. Muitos, como a estudante Luma Gregória, elogiaram a tranquilidade e o espaço disponível, destacando o ambiente propício para a folia com família e amigos.
Quais são as opções de blocos para quem busca experiências mais tradicionais ou nichadas?
Além dos blocos maiores, o carnaval de rua paulistano oferece opções para diversos gostos. O Bloco SP Forró, por exemplo, celebra a cultura nordestina com um toque regional. Para os amantes de tradição, há o histórico bloco Esfarrapado, que desfila desde 1947 no Bixiga com sambas da Vai-Vai, ou as marchinhas da Charanga do França.
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