Em um movimento significativo para fortalecer a proteção às mulheres no Brasil, o Congresso Nacional aprovou recentemente importantes projetos de lei que visam intensificar o combate à violência de gênero. As iniciativas, que tramitaram entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, representam um avanço legislativo substancial, consolidando medidas que buscam não apenas punir agressores, mas também prevenir ocorrências e garantir o suporte adequado às vítimas. Essas novas leis promovem uma abordagem mais integrada e abrangente, fundamental para enfrentar um problema que ainda aflige milhões de brasileiras. O foco está na criação de uma estrutura nacional articulada e na massificação de canais de denúncia, elementos cruciais para a eficácia das políticas públicas no enfrentamento à violência contra as mulheres, marcando um novo capítulo na legislação de defesa feminina.
O novo sistema nacional de enfrentamento à violência
A Câmara dos Deputados deu um passo decisivo na última terça-feira (7) ao aprovar um projeto que estabelece o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. Esta proposta legislativa, que agora segue para análise do Senado, é projetada para unificar e coordenar esforços em âmbito nacional, visando ampliar significativamente a capacidade do país em combater a violência de gênero. A iniciativa surge da necessidade premente de uma rede de proteção e atendimento mais robusta e eficiente, capaz de responder de forma contundente e célere às diversas manifestações de violência que as mulheres enfrentam diariamente.
Articulação e financiamento para a proteção
De acordo com o texto aprovado pelos deputados, o Sistema Nacional tem como meta principal o fortalecimento da rede de proteção e atendimento às mulheres, com atenção prioritária às situações de risco iminente de feminicídio. A proposta visa estabelecer uma atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – em todas as esferas federativas: federal, estadual e municipal. Esta coordenação interfederativa é vital para assegurar que as ações de prevenção, acolhimento e repressão sejam contínuas, integradas e harmonizadas em todo o território nacional, evitando lacunas e sobreposições de esforços. O objetivo é criar um fluxo de atendimento padronizado e acessível, desde a denúncia até o acompanhamento psicossocial e jurídico da vítima.
Um dos pilares fundamentais do novo sistema é a previsão de financiamento robusto para a implementação de suas diretrizes. O projeto autoriza a União a destinar até R$ 5 bilhões, a serem distribuídos entre os anos de 2026, 2027 e 2028. Essa verba será crucial para financiar uma série de ações e para o fortalecimento contínuo da política de proteção às mulheres. A alocação desses recursos ocorrerá no âmbito do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro, que representa um compromisso governamental de longo prazo para erradicar essa forma extrema de violência. O pacto prevê estratégias integradas, incluindo a capacitação de profissionais que atuam na linha de frente do combate à violência, a melhoria dos serviços de atendimento às vítimas e a implementação de campanhas educativas e de conscientização em nível nacional, garantindo que o investimento financeiro se traduza em resultados tangíveis e duradouros na vida das mulheres brasileiras.
Ampliação da divulgação do Ligue 180
Paralelamente aos avanços na criação do Sistema Nacional, o Senado Federal também garantiu a aprovação de uma lei que irá massificar a divulgação do Ligue 180, o serviço telefônico de denúncias de violência contra a mulher. A medida, aprovada na última quarta-feira (8) e que agora aguarda a sanção do Presidente da República, é um passo crucial para tornar o canal de denúncias mais acessível e conhecido por todas as mulheres no Brasil, rompendo o ciclo de silêncio e impunidade.
Acesso facilitado e serviço completo
Com a implementação desta nova lei, o governo federal será responsável por garantir a ampla publicidade do Ligue 180. Isso significa que o número de telefone e as informações sobre o serviço deverão ser divulgados em todos os principais meios de comunicação de massa, alcançando um vasto público por meio de rádio, televisão, internet e mídias sociais. Além disso, a lei exige que a divulgação seja feita em locais públicos e privados de grande circulação de pessoas, ampliando capilaridade e visibilidade. Entre os locais especificados estão escolas, universidades, casas de espetáculos e outros espaços de diversão, órgãos públicos, hospitais e unidades de saúde, e, crucialmente, em todos os meios de transporte de massa, como ônibus, trens e metrôs. Essa estratégia visa assegurar que a informação chegue a mulheres em diferentes contextos sociais e econômicos, muitas das quais podem estar isoladas ou sem acesso fácil a informações de suporte.
O Ligue 180 é um serviço gratuito e opera 24 horas por dia, todos os dias da semana, garantindo que a mulher em situação de violência possa buscar ajuda a qualquer momento, sem custo ou burocracia. Além do sigilo de quem realiza a denúncia, a central oferece acolhimento, orientação e o registro formal das denúncias. Este atendimento especializado é fundamental para fornecer o primeiro suporte emocional e prático, encaminhando a vítima para a rede de apoio local, que inclui delegacias especializadas, centros de referência e abrigos. Para mulheres brasileiras que se encontram no exterior, o serviço também é acessível via chat no WhatsApp, através do número (61) 9610-0180, ampliando ainda mais seu alcance global. Adicionalmente, o Ligue 180 realiza atendimento em quatro idiomas – português, inglês, espanhol e Libras – demonstrando um compromisso com a inclusão e a acessibilidade para diversas comunidades. A massificação da sua divulgação é, portanto, um pilar estratégico para fortalecer a rede de apoio e encorajar as denúncias, essencial para que as vítimas rompam o ciclo de violência e busquem a proteção necessária.
Perspectivas e o futuro da proteção feminina no Brasil
As recentes aprovações legislativas no Congresso Nacional marcam um período de renovado compromisso com a proteção das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero no Brasil. A criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência, com sua proposta de articulação interfederativa e investimento multimilionário, sinaliza uma abordagem estrutural e de longo prazo, buscando atacar as raízes do problema e construir um ambiente mais seguro. Complementarmente, a lei que amplia a divulgação do Ligue 180 representa um esforço vital para tornar as ferramentas de denúncia mais acessíveis e visíveis, empoderando as vítimas a buscarem ajuda e quebrando barreiras de silêncio e medo. Juntas, essas iniciativas prometem fortalecer a rede de proteção, aprimorar a capacidade de resposta do Estado e, mais importante, salvar vidas e promover a dignidade. O desafio agora reside na efetiva implementação e monitoramento dessas políticas, garantindo que os recursos e as estruturas criadas se traduzam em uma diminuição real e sustentável dos índices de violência contra mulheres e meninas em todo o país. O horizonte aponta para um Brasil mais seguro e justo para todas as suas cidadãs.
Perguntas frequentes sobre as novas medidas
1. O que é o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres?
É um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados que visa criar uma estrutura coordenada entre os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e as esferas de governo (federal, estadual, municipal) para prevenir e combater a violência contra a mulher, com foco especial no risco de feminicídio.
2. Qual o valor do investimento previsto para o Sistema Nacional?
A União está autorizada a destinar até R$ 5 bilhões, a serem distribuídos entre os anos de 2026, 2027 e 2028. Esses recursos financiarão ações e o fortalecimento das políticas de proteção, no âmbito do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.
3. Onde o Ligue 180 será divulgado com a nova lei?
A divulgação será em meios de comunicação de massa (TV, rádio, internet) e em locais públicos e privados de grande circulação, como escolas, casas de espetáculos, órgãos públicos, hospitais e meios de transporte de massa. O objetivo é alcançar o maior número possível de mulheres e aumentar a visibilidade do serviço.
4. O Ligue 180 funciona para brasileiras no exterior?
Sim, para mulheres que estão fora do Brasil, o serviço pode ser acessado via chat no WhatsApp pelo número (61) 9610-0180. O atendimento também é oferecido em português, inglês, espanhol e Libras, garantindo acessibilidade e suporte global.
Para mais informações sobre como denunciar ou buscar apoio, não hesite em contatar o Ligue 180. Sua voz é fundamental na luta contra a violência de gênero e pode mudar uma vida.


