Falso corretor é denunciado por golpe na venda de apartamentos em Guarujá

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Uma série de denúncias sobre um golpe na venda de apartamentos em Guarujá, litoral de São Paulo, veio à tona, revelando um esquema fraudulento que lesou dezenas de pessoas. Um indivíduo, que se apresentava falsamente como corretor de imóveis, é acusado de receber pagamentos significativos por unidades habitacionais que nunca foram entregues. As vítimas, que somam mais de 30 pessoas, criaram um grupo para articular ações e buscar justiça, enquanto a prefeitura da cidade confirmou a fraude nos contratos apresentados. A situação gerou um alerta importante sobre a necessidade de verificar a autenticidade de ofertas e profissionais no mercado imobiliário, especialmente em transações que prometem condições muito vantajosas. As autoridades municipais orientaram os lesados a registrarem boletins de ocorrência, dando início a uma investigação policial para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos neste crime que abalou a confiança de muitos moradores da região.

A ascensão do golpe: promessas falsas e prejuízos

O esquema de fraude, que se desenrolou em Guarujá, revelou-se através de denúncias de moradores que, atraídos por uma suposta oportunidade de adquirir imóveis a preços convidativos, acabaram sendo enganados por um falso corretor. O modus operandi do suspeito envolvia a criação de contratos de compra e venda fictícios, prometendo a entrega de unidades habitacionais que, na realidade, não estavam disponíveis para venda direta ou eram parte de programas sociais da prefeitura.

O modus operandi e o desespero das vítimas

Uma das vítimas, uma mulher de 34 anos, narrou sua experiência angustiante, que ilustra o padrão do golpe. Em junho de 2025, ela foi apresentada ao indivíduo por uma amiga. Confiando na indicação e na apresentação profissional do suposto corretor, ela prosseguiu com a negociação. Em julho, acreditando estar prestes a concretizar o sonho da casa própria, transferiu R$ 13 mil via Pix e entregou mais R$ 3 mil em dinheiro, totalizando R$ 16 mil como entrada. O contrato, que posteriormente se revelou falso, estipulava a entrega das chaves para 29 de agosto de 2025.

No entanto, a data-limite chegou e o imóvel não foi entregue. A cada cobrança da vítima, o suspeito apresentava uma nova justificativa para o atraso. As desculpas variavam entre problemas burocráticos, questões de liberação da obra ou pequenas pendências, sempre postergando a entrega e minando a esperança da compradora. Meses se passaram nessa dinâmica, e o imóvel prometido nunca se materializou, deixando a vítima com um prejuízo financeiro considerável e uma profunda sensação de impotência e frustração. A falsa sensação de segurança, muitas vezes proporcionada por indicações ou uma aparente seriedade, é um fator crucial que os golpistas exploram para enganar suas vítimas. A falta de transparência e a dificuldade de contato com o falso corretor após o prazo de entrega se tornaram sinais de alerta para a mulher e outras pessoas que caíram no mesmo esquema.

Reação oficial e o papel da comunidade

A gravidade do golpe começou a tomar proporções maiores quando a foto do suspeito e alertas sobre o esquema fraudulento passaram a circular intensamente nas redes sociais, a partir da quinta-feira, 12 de outubro. A ampla divulgação fez com que outras pessoas, que haviam sofrido prejuízos semelhantes e até então estavam isoladas em sua dor, reconhecessem o golpista e percebessem que não eram as únicas vítimas.

A postura da prefeitura e a união das vítimas

A disseminação da informação nas redes sociais foi crucial para a formação de um grupo de WhatsApp, que rapidamente reuniu mais de 30 pessoas lesadas pelo mesmo indivíduo. A vítima entrevistada, por exemplo, foi adicionada a este grupo pela mesma amiga que a havia indicado ao falso corretor, o que demonstra a amplitude da rede de contatos usada pelo criminoso. Esse grupo se tornou um espaço de apoio mútuo, troca de informações e articulação para buscar providências conjuntas.

Na sexta-feira seguinte à circulação da foto, um grupo de vítimas compareceu à prefeitura de Guarujá para relatar a situação e cobrar uma posição do poder público. Em reunião com os moradores, o secretário de Habitação, Pedro Luís de Freitas Gouvêa Jr., confirmou a existência da fraude e salientou que os contratos apresentados pelos lesados eram falsos. O secretário reforçou uma informação fundamental: a Secretaria de Habitação do município não realiza venda direta de unidades habitacionais. As próximas 600 unidades, por exemplo, serão destinadas a famílias selecionadas por critérios sociais rigorosos, como situações de locação social, desmoronamento ou alagamento, assegurando que o acesso a esses imóveis se dá exclusivamente por canais oficiais e programas específicos, sem qualquer possibilidade de comercialização direta por terceiros.

As vítimas questionaram se a prefeitura poderia registrar um boletim de ocorrência coletivo, mas foram informadas de que a análise jurídica do caso seria feita pela Assessoria Geral do Município (AGM). A orientação primordial para todos os lesados foi o registro individual de boletim de ocorrência na delegacia, para que a Polícia Civil pudesse dar início às investigações e tomar as medidas legais cabíveis contra o suposto golpista. A transparência da prefeitura em esclarecer os procedimentos e a forma de acesso à moradia social foi essencial para orientar os cidadãos e prevenir futuras fraudes.

Conclusões e alertas para o futuro

O golpe na venda de apartamentos em Guarujá serve como um doloroso lembrete dos riscos presentes no mercado imobiliário e da importância da vigilância. A atuação de um falso corretor, que se aproveitou da confiança e do sonho da casa própria de dezenas de pessoas, resultou em prejuízos financeiros significativos e em um abalo emocional profundo para as vítimas. A rápida mobilização da comunidade através das redes sociais e a postura transparente da prefeitura foram cruciais para expor o esquema e iniciar o processo de busca por justiça. É fundamental que os cidadãos estejam sempre atentos a ofertas que pareçam “boas demais para ser verdade” e que sempre verifiquem a autenticidade de corretores e imobiliárias junto aos órgãos competentes, como o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), e as informações sobre imóveis diretamente com as secretarias municipais e proprietários. A investigação policial em andamento é um passo importante para responsabilizar os culpados e prevenir que casos semelhantes ocorram no futuro, protegendo assim a população de novas fraudes imobiliárias.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Como posso verificar a autenticidade de um corretor de imóveis?
É fundamental verificar o registro do corretor no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) da sua região. Você pode consultar o site do CRECI ou entrar em contato diretamente com o órgão para confirmar se o profissional está devidamente credenciado e autorizado a atuar no mercado imobiliário.

2. O que devo fazer se suspeitar que fui vítima de um golpe imobiliário?
A primeira e mais importante medida é registrar um Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia de polícia mais próxima, detalhando todos os fatos, valores envolvidos, documentos e qualquer informação sobre o suposto golpista. Guarde todos os comprovantes de pagamento, contratos, conversas e outros registros que possam servir como prova. Além disso, procure orientação jurídica.

3. A prefeitura de Guarujá vende diretamente unidades habitacionais?
Não. A prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Habitação, não realiza a venda direta de unidades habitacionais. O acesso a esses imóveis ocorre exclusivamente por meio de programas sociais, com famílias sendo selecionadas com base em critérios específicos, como situações de vulnerabilidade, desmoronamento, alagamento ou locação social. É crucial desconfiar de qualquer oferta de venda direta de imóveis ligados à prefeitura por terceiros.

Denuncie qualquer suspeita de fraude e proteja seu investimento. Não seja a próxima vítima.

Fonte: https://g1.globo.com

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