Feminicídio em Praia Grande: Homem deixou filhas na avó antes do crime

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A cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo, foi palco de um brutal feminicídio que chocou a comunidade e expôs a gravidade da violência doméstica. Pedro Ubiratan de Oliveira, acusado de assassinar sua esposa, Thais Rodrigues Rocha de Oliveira, tomou uma medida premeditada antes do crime, deixando as três filhas do casal na residência da avó. Este ato precede o trágico desfecho que culminou na morte de Thais na madrugada de um domingo, na Rua Cantor Renato Russo, no bairro Caieiras, dentro da própria casa da família. O caso ganhou grande repercussão após o agressor publicar vídeos nas redes sociais, nos quais pedia perdão pela violência cometida. A investigação revelou um histórico de conflitos e uma tentativa frustrada de reconciliação, desvendando os detalhes dolorosos de uma tragédia familiar que abalou a região.

A cronologia dos eventos e a denúncia prévia
A investigação sobre o feminicídio de Thais Rodrigues Rocha de Oliveira revelou um histórico de tensões e agressões nos dias que antecederam a tragédia. De acordo com o boletim de ocorrência, Pedro Ubiratan de Oliveira já havia sido denunciado por agredir a esposa dias antes do assassinato. Essa denúncia levou à sua remoção temporária da residência familiar, um mecanismo de proteção para a vítima e uma tentativa de conter a escalada da violência. Contudo, apesar do incidente e da intervenção policial, Pedro havia expressado à sua família o desejo de se reconciliar com Thais, o que adiciona uma camada de complexidade e aparente contradição aos eventos subsequentes. A expectativa de uma reaproximação, comunicada aos familiares, contrastava drasticamente com a violência que viria a seguir, culminando na perda irreparável de uma vida.

A suposta motivação e o histórico de conflitos
Em seu depoimento às autoridades, Pedro Ubiratan relatou uma discussão acalorada com Thais, ocorrida dois dias antes do crime fatal. A origem da discórdia, segundo o acusado, teria sido a descoberta de uma calcinha usada na residência, levando-o a desconfiar de uma suposta traição. Durante o confronto, Pedro confessou ter desferido um tapa em Thais, o que motivou a vítima a acionar a polícia. A intervenção policial resultou no afastamento do agressor da casa, conforme a lei de proteção à mulher. No entanto, o acusado, em contato com membros da família, reiterou sua intenção de buscar a reconciliação. Em uma ligação feita ao sobrinho na noite de sábado, poucas horas antes do feminicídio, Pedro afirmou que estava rindo com Thais e que havia deixado as filhas na casa da avó justamente para tentar uma reaproximação. Ele também mencionou a intenção de procurar tratamento para o uso de drogas, indicando um cenário de problemas pessoais e conjugais que se agravavam progressivamente.

A noite do crime e a comunicação pós-assassinato
A madrugada de domingo, por volta das 4h, marcou o ponto de não retorno na escalada de violência. Pedro Ubiratan de Oliveira, utilizando o telefone de Thais, fez uma nova ligação para seu sobrinho. No entanto, o sobrinho informou que não poderia comparecer à residência, alegando mal-estar. Diante da impossibilidade de contato pessoal, Pedro optou por uma comunicação perturbadora, enviando mensagens através do celular da vítima. Nas mensagens, ele confessava o assassinato da própria esposa, revelando detalhes chocantes da motivação. “Não foi por causa de ‘gaia’ não, foi por pilantragem, dando dentro da minha casa e na minha cama. Eu queria o cara , mas ela não quis falar”, escreveu o assassino. A comunicação pós-crime não se limitou às mensagens diretas. O acusado também recorreu às redes sociais, onde publicou vídeos pedindo perdão pelo ato cometido, um desdobramento que amplificou a perplexidade e a dor da família e da comunidade.

Os vídeos de perdão e a descoberta da tragédia
As mensagens enviadas pelo celular de Thais, que relatavam o crime, foram visualizadas pela esposa do sobrinho de Pedro. Rapidamente, ela alertou a sogra, que é irmã de Pedro, sobre o ocorrido. A família, ao tomar ciência da situação, correu para verificar as publicações do acusado nas redes sociais, onde se depararam com os vídeos de perdão, confirmando o temor. Diante da gravidade da situação e da confissão virtual, a Polícia Militar (PM) foi acionada imediatamente. Ao chegarem à residência na Rua Cantor Renato Russo, bairro Caieiras, os policiais e os familiares encontraram Thais Rodrigues Rocha de Oliveira já sem vida, caída no chão da sala, com ferimentos visíveis no rosto e sinais de grande perda de sangue. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi chamada e constatou o óbito no local. Pedro Ubiratan, por sua vez, não estava na cena do crime. Ele havia se dirigido à casa de sua mãe, no mesmo bairro, para relatar o que havia feito. A polícia o localizou pouco depois, na rua, em estado de desorientação e com um corte na cabeça. O acusado alegou que o ferimento havia sido infligido por sua própria mãe, após ela descobrir sobre a morte de Thais.

Consequências e desdobramentos
Após ser localizado, Pedro Ubiratan de Oliveira foi prontamente encaminhado ao Pronto-Socorro Quietude para receber atendimento médico devido ao corte na cabeça. Em seguida, foi levado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, onde foi interrogado e formalmente preso em flagrante. Durante o depoimento, Pedro confessou às autoridades que agrediu a esposa com socos e a esganou, confirmando a brutalidade do ataque. Ele reiterou que não utilizou nenhum objeto durante a agressão, e que a motivação alegada para o crime teria sido a suposta traição. O crime foi qualificado como feminicídio, dada a natureza da violência contra a mulher no contexto de uma relação íntima de afeto. A prisão de Pedro Ubiratan de Oliveira representa um passo crucial na busca por justiça para Thais Rodrigues Rocha de Oliveira, deixando para trás não apenas a dor da perda, mas também três filhas menores que foram deixadas sob os cuidados da avó antes da consumação da tragédia, evidenciando a desestruturação familiar causada por um ato de extrema violência.

Perguntas frequentes (FAQ)
Quem são as pessoas envolvidas neste caso de feminicídio?
O caso envolve a vítima, Thais Rodrigues Rocha de Oliveira, e o acusado, seu marido Pedro Ubiratan de Oliveira. Eles eram casados e tinham três filhas juntos.

Qual foi a motivação alegada pelo acusado para o crime?
Pedro Ubiratan alegou que a motivação para o assassinato foi uma suposta traição, após encontrar uma calcinha usada na residência e discutir com a esposa dias antes.

O que Pedro Ubiratan fez antes e depois de cometer o feminicídio?
Antes do crime, ele deixou as filhas na casa da avó e tentou uma reconciliação. Após o assassinato, ele publicou vídeos pedindo perdão nas redes sociais e enviou mensagens confessando o ato a um familiar, antes de ser encontrado pela polícia.

Onde e quando o crime ocorreu?
O feminicídio aconteceu na madrugada de domingo, na Rua Cantor Renato Russo, no bairro Caieiras, na cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo.

Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda ou está em situação de violência, não hesite em procurar apoio. Ligue 180 para o Canal de Denúncias de Violência Contra a Mulher ou procure a delegacia mais próxima.

Fonte: https://g1.globo.com

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