Uma força-tarefa composta por diversos órgãos de segurança pública mobiliza-se para desvendar o mistério por trás do roubo no mar de São Vicente. Recentemente, um casal foi vítima de criminosos que utilizaram uma moto aquática para abordar sua embarcação de caiaque, a cerca de 100 metros da Praia dos Milionários. O incidente chocou a população e levantou questões sobre a segurança náutica na região. As investigações focam em identificar a procedência da moto aquática, já que a suspeita inicial de que teria saído de marinas locais esbarra no fato de muitos estabelecimentos estarem fechados no dia do ocorrido. As autoridades buscam identificar todos os envolvidos, enquanto um dos suspeitos, Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, é procurado pela Justiça. A complexidade do caso exige uma atuação coordenada para trazer respostas e justiça às vítimas.
A dinâmica do assalto e a busca pelos envolvidos
O roubo, que ocorreu em pleno domingo, dia 21, a aproximadamente 100 metros da faixa de areia da Praia dos Milionários, em São Vicente, gerou grande repercussão. A cena, capturada por testemunhas, mostra o casal em um caiaque sendo abordado por dois indivíduos em uma moto aquática, em um dia em que diversas crianças brincavam despreocupadamente na beira do mar. A Polícia Civil intensifica as investigações para identificar o segundo autor do roubo, enquanto Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, já foi identificado e é considerado foragido da Justiça.
O flagrante e o relato das vítimas
As imagens do incidente são claras: os criminosos permanecem por alguns segundos em contato com o casal, em um momento de tensão visível. Eles subtraíram os remos que as vítimas utilizavam, e um dos agressores chegou a desferir golpes com o objeto na cabeça de uma das vítimas. Após a agressão e o roubo, a dupla se afastou rapidamente, abandonando os remos no mar antes de acelerar a moto aquática e fugir.
O relato da mulher, de 47 anos, oferece detalhes angustiantes sobre a sequência dos fatos. Ela contou que os criminosos se aproximaram de forma agressiva, realizando uma manobra brusca com a moto aquática para jogar água no caiaque. Em um primeiro momento, pediram desculpas, mas logo em seguida gritaram uma frase enigmática para outra moto aquática: “É casal”. Rapidamente, anunciaram o assalto, exigindo as alianças.
A vítima descreve o terror vivido: “Começou a andar em círculo em volta da gente apavorando. Aí deu aquela desestabilizada”. Seu marido, de 53 anos, tentou argumentar, informando que eram moradores da cidade, mas a dupla de criminosos começou a perder a paciência. A situação se agravou quando o remo do casal caiu no mar. “Eles aproveitaram que o nosso remo caiu no mar e começaram a bater no meu marido”, afirmou a mulher. O homem sofreu ferimentos na perna e na cabeça, além de golpes nas costas e na nuca. “Eu fiquei em pânico porque eu falei assim: ‘Se ele desmaia aqui, morre afogado'”, relembrou a vítima. Após as agressões, as alianças foram entregues, e os ladrões fugiram em alta velocidade.
O enigma da moto aquática e a fiscalização de marinas
Um dos principais desafios para as autoridades é determinar a origem da moto aquática utilizada no assalto. A informação de que as marinas da cidade estavam fechadas e sem embarcações nas águas no dia do roubo é um ponto crucial na investigação. Essa condição pode indicar que os criminosos não partiram de nenhum dos estabelecimentos locais com a embarcação. No entanto, a possibilidade de terem utilizado um dos 19 estabelecimentos desse tipo na cidade não foi completamente descartada pela polícia, que mantém todas as linhas de investigação abertas.
Força-tarefa intensifica investigação sobre a procedência da embarcação
Para esclarecer a origem do veículo, equipes da Polícia Militar (PM) e da Guarda Civil Municipal (GCM) formaram uma força-tarefa e já realizaram fiscalizações em mais de dez marinas, localizadas entre os bairros Japuí e Parque Bitaru. A iniciativa visa não apenas rastrear a moto aquática, mas também coibir irregularidades. Como resultado dessas fiscalizações, três marinas foram autuadas por falta de documentação.
O Tenente Coronel Renato dos Santos Abreu destacou a importância da continuidade dessas ações. “Continuaremos nessa fiscalização durante todo o verão porque a marina também é responsabilizada no caso de uma pessoa não habilitada fazer o uso de uma embarcação por meio “, explicou o tenente. Essa declaração sublinha a responsabilidade dos estabelecimentos náuticos e o compromisso das autoridades em garantir o cumprimento das normas, especialmente em um período de alta temporada e maior fluxo de embarcações. A investigação sobre a procedência da moto aquática é fundamental para desvendar a logística do crime e prevenir futuros incidentes semelhantes.
Repercussão e respostas dos órgãos públicos
Após o incidente, o casal assaltado recebeu ajuda de testemunhas no local. A mulher relatou que o marido, atordoado pelas agressões, saiu do mar cambaleante. Em busca de apoio imediato, ela se dirigiu a um policial que estava na base da Operação Verão, mas foi informada de que não havia o que fazer naquele momento. “Foi uma sensação horrível, de impunidade”, desabafou a vítima, expressando sua revolta e frustração. Ela registrou um boletim de ocorrência online na delegacia, mas clama por mais ações e presença dos órgãos de segurança e dos políticos da região. “Precisa ter policiamento no mar”, enfatizou a mulher, apontando para uma lacuna na segurança pública marítima.
Sentimento de impunidade e o clamor por mais segurança
O assalto ao casal não é apenas um caso isolado de crime, mas um sintoma de um problema maior relacionado à segurança no litoral, especialmente em áreas aquáticas. O sentimento de impotência e a percepção de impunidade expressos pelas vítimas refletem uma preocupação crescente da comunidade. A solicitação por “policiamento no mar” ressoa como um pedido urgente de medidas concretas para garantir que cidadãos possam desfrutar do espaço público marítimo sem o temor de se tornarem alvos de criminosos. A ausência de uma resposta imediata e ostensiva no local do crime reforça a necessidade de reavaliar e aprimorar os protocolos de segurança e atendimento em áreas litorâneas.
Posicionamento das autoridades
Em resposta ao ocorrido e às demandas por maior segurança, os órgãos competentes se manifestaram:
A Polícia Militar informou que, em casos de infrações penais já consumadas e sem configuração de flagrante delito, a providência adequada é o registro formal do boletim de ocorrência junto à Delegacia de Polícia Civil competente. Segundo a corporação, tal medida visa subsidiar o planejamento de ações preventivas e apoiar as atividades investigativas e de polícia judiciária desenvolvidas pela Polícia Civil.
A Prefeitura de São Vicente confirmou que a ocorrência foi atendida pela Polícia Militar. A administração municipal afirmou estar apoiando ativamente as investigações conduzidas pela Polícia Civil. Além disso, a prefeitura tem promovido fiscalizações em marinas por meio de forças-tarefa e blitzes surpresa em conjunto com a PM, com o objetivo de inibir irregularidades, como o aluguel de motos náuticas sem registro, que podem ser utilizadas para fins ilícitos. A prefeitura também anunciou que estuda novas formas de regulamentar, com maior rigor, o trânsito de qualquer tipo de embarcação em sua orla. A administração municipal reiterou que a Marinha do Brasil é a principal responsável pela segurança no mar e já oficiou os órgãos competentes, solicitando fiscalizações e monitoramento intensificados, especialmente durante a alta temporada.
A Capitania dos Portos de São Paulo, órgão da Marinha do Brasil, esclareceu que não foi notificada oficialmente sobre o fato relatado. O órgão destacou que a Marinha do Brasil, por meio da Capitania, realiza ações de inspeção naval, com foco em Santos, São Vicente e Guarujá, “na segurança da navegação, na salvaguarda da vida humana no mar e na prevenção da poluição hídrica, atuando dentro de suas atribuições legais, conforme a Lei 9.537/97 – Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (Lesta)”. Contudo, a Capitania ressaltou que questões específicas relacionadas à segurança pública, como o assalto em questão, são de competência dos órgãos de segurança pública, responsáveis pela apuração criminal e adoção das medidas cabíveis.
Persistência na busca por justiça e segurança no mar
O assalto em São Vicente expõe a vulnerabilidade da segurança em áreas marítimas e a complexidade das investigações que envolvem crimes incomuns. Enquanto a força-tarefa se empenha em rastrear a origem da moto aquática e capturar os responsáveis, a experiência traumática do casal ressalta a urgência de um policiamento mais eficaz e de regulamentações mais rigorosas para o uso de embarcações. A colaboração entre Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Polícia Civil, Prefeitura e Marinha do Brasil é crucial para que este tipo de crime não se repita e para que a população possa desfrutar do litoral com a tranquilidade merecida, reforçando a importância da persistência na busca por justiça e na promoção de um ambiente seguro para todos.
Perguntas frequentes
Qual foi o crime ocorrido em São Vicente?
Um casal que passeava de caiaque foi assaltado no mar, a cerca de 100 metros da Praia dos Milionários, por criminosos que utilizavam uma moto aquática.
Quem são os principais suspeitos envolvidos?
Um dos suspeitos, Rael Fabiano Veiga Ungaretti, de 19 anos, já foi identificado e é procurado como foragido da Justiça. A identidade do segundo autor do roubo ainda está sendo investigada pela Polícia Civil.
Qual o papel das marinas na investigação?
As marinas da região estão sendo fiscalizadas pela força-tarefa para tentar descobrir a origem da moto aquática usada no crime. Embora muitas estivessem fechadas no dia do assalto, a possibilidade de a moto ter saído de algum dos 19 estabelecimentos não foi totalmente descartada. Algumas marinas foram autuadas por irregularidades na documentação.
Quais órgãos estão envolvidos na força-tarefa?
A força-tarefa inclui equipes da Polícia Militar (PM), da Guarda Civil Municipal (GCM) e da Polícia Civil, com o apoio da Prefeitura de São Vicente e o conhecimento da Marinha do Brasil sobre a segurança marítima.
As vítimas receberam apoio imediato no local do crime?
Após o assalto, o casal buscou ajuda de um policial da Operação Verão, mas foi informado de que não havia o que fazer naquele momento, o que gerou um sentimento de impunidade. Posteriormente, registraram um boletim de ocorrência online.
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Fonte: https://g1.globo.com


