O Brasil iniciou o ano de 2026 com um cenário preocupante em relação aos focos de calor, registrando um aumento significativo em janeiro. Dados apontam 4.347 focos ativos detectados, um número que representa o dobro da média histórica para o mês e um incremento de 46% em comparação com o mesmo período de 2025. Este patamar elevado acende um alerta para a gestão ambiental do país, especialmente diante das condições climáticas adversas observadas em diversas regiões. O mês de janeiro de 2026 se posiciona como o sexto maior desde o início dos levantamentos em 1999 e o segundo maior da década atual, apenas atrás de 2024. A concentração desses focos ativos de calor está intrinsecamente ligada à persistência de secas e chuvas abaixo do esperado, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Aumento alarmante de focos ativos de calor em janeiro
O panorama de janeiro de 2026 revela uma escalada preocupante nos registros de focos ativos de calor em território brasileiro. Os 4.347 focos detectados por satélite marcam um recorde ao dobro da média para o mês, superando em 46% os dados de 2025. Este volume coloca janeiro de 2026 como o sexto maior resultado já registrado para o primeiro mês do ano desde o início da série histórica em 1999, e o segundo maior da década, ficando ligeiramente abaixo dos 4.555 focos contabilizados em janeiro de 2024.
Cenário histórico e distribuição geográfica
A análise detalhada dos dados revela uma concentração geográfica preocupante. O Pará liderou o ranking dos estados com maior número de focos, somando 985 registros. Este cenário no estado nortista é agravado pela presença de áreas consideradas em seca, conforme a última atualização do Monitor de Secas do Brasil da Agência Nacional de Águas (ANA), divulgada em dezembro. A situação de seca no Nordeste também é um fator determinante para a alta incidência. Três estados da região estão entre os mais afetados: Maranhão, com 945 focos; Ceará, com 466; e Piauí, com 229.
No Maranhão, a situação é particularmente alarmante, com todo o seu território sofrendo sob condições de seca. O ano de 2026 já se destaca como o período com o maior número de focos de calor no estado desde o início da série histórica, superando o ano de 2019, que havia registrado 712 focos. Ceará e Piauí, por sua vez, têm enfrentado a seca de forma contínua em partes de suas extensões desde o inverno de 2023, contribuindo para a vulnerabilidade dessas áreas. Além disso, a Região Norte tem experimentado chuvas abaixo da normalidade, o que agrava ainda mais o risco de ocorrência de queimadas e incêndios florestais.
É importante ressaltar que a quantidade de focos ativos de calor, embora seja um indicador crucial, não é a única métrica para dimensionar a totalidade dos incêndios ou queimadas. Contudo, serve como uma ferramenta essencial para a formulação de políticas de prevenção e combate. Uma incidência elevada em janeiro não garante, por si só, que o ano terá um volume de queimadas acima da média anual. No entanto, o histórico aponta para uma correlação significativa: dos anos em que janeiro apresentou um número de focos superior à média, apenas 2016 teve o resultado anual abaixo da média nacional de 200 mil registros por ano, o que sugere que o dado atual deve ser tratado com grande atenção.
Estados reagem: cautela e intensificação de medidas
Diante do cenário alarmante de focos ativos de calor, os estados mais atingidos têm emitido pronunciamentos e detalhado as ações que estão sendo implementadas para lidar com a situação. As secretarias de meio ambiente de Pará, Ceará e Maranhão, embora reconheçam os números, também expressam ressalvas sobre a interpretação imediata dos dados e enfatizam a complexidade do fenômeno.
Análises regionais e ações de prevenção
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) do Pará, o estado com o maior número de registros, adotou uma postura de cautela. Segundo a Semas, “recortes temporais muito curtos devem ser analisados com cautela”, pois “janelas reduzidas podem refletir ocorrências concentradas em poucos dias ou localidades específicas, o que não permite antecipar uma tendência anual consolidada”. O estado assegurou que está monitorando continuamente os registros de 2026 e que todas as medidas necessárias, previstas em sua política estadual de enfrentamento às queimadas e incêndios florestais, serão adotadas.
No Ceará, a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) explicou que o elevado quantitativo de focos de calor observado em janeiro “reflete, em grande medida, o cenário registrado em dezembro de 2025”, que teve o maior número de focos em 20 anos. A Sema-CE também fez uma importante distinção, esclarecendo que os focos de calor podem estar associados a incêndios ou queimadas, mas também podem ser decorrentes de outras fontes de calor. Portanto, não é possível afirmar automaticamente que todos os focos representem eventos de fogo em vegetação, o que exige uma análise mais aprofundada.
Já o Governo do Estado do Maranhão, que enfrenta uma situação preocupante com a seca em todo o seu território, intensificou suas ações de prevenção e combate às queimadas. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou sobre a realização de campanhas educativas, a implementação de medidas preventivas, a doação de equipamentos de combate a incêndios florestais para as brigadas municipais e o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, além de uma resposta rápida às ocorrências. A secretaria reconheceu que “a severa estiagem que afeta o Estado cria condições extremamente favoráveis para esse aumento, apesar das ações preventivas”. Complementarmente, houve um reforço nas operações de fiscalização, incluindo o uso de drones para identificar áreas críticas. O estado tem priorizado ações de apoio às comunidades rurais e pequenas cidades, bem como de resgate e cuidado de animais silvestres, evidenciando uma abordagem multifacetada diante da crise.
Perspectivas e o desafio da seca
O início de 2026 com um número de focos de calor significativamente acima da média histórica representa um alerta substancial para o Brasil. Embora os estados solicitem cautela na interpretação de dados de curto prazo, a correlação entre janeiro com alta incidência e um ano com maiores queimadas, historicamente, é um indicativo que não pode ser ignorado. A persistência de condições de seca severa em regiões estratégicas como o Pará e grande parte do Nordeste é o principal catalisador dessa escalada. Este cenário exige uma vigilância contínua e a aplicação de políticas ambientais robustas, que não apenas reajam às emergências, mas também invistam em prevenção e educação. A coordenação entre os diferentes níveis de governo e a conscientização da população são essenciais para mitigar os impactos ambientais, sociais e econômicos que as queimadas e incêndios florestais podem acarretar ao longo do ano. O desafio da seca se intensifica, e a resposta do país será crucial para a preservação de seus biomas e a segurança de suas comunidades.
Perguntas frequentes sobre focos de calor
O que são focos de calor?
Focos de calor são pontos detectados por satélites que indicam a presença de anomalias térmicas na superfície terrestre, ou seja, áreas com temperaturas elevadas em relação ao ambiente circundante. Embora frequentemente associados a queimadas e incêndios, eles também podem ser causados por outras fontes de calor, como atividades industriais ou fenômenos naturais.
Qual a diferença entre foco de calor e incêndio?
Um foco de calor é um indicativo de calor, detectado remotamente por satélites. Nem todo foco de calor é, necessariamente, um incêndio em vegetação. Pode ser uma queimada controlada, uma atividade industrial ou até um engano na leitura. Um incêndio, por sua vez, é um fogo descontrolado que consome vegetação ou outras estruturas, causando danos. Os focos de calor são, portanto, ferramentas de monitoramento que ajudam a identificar e prevenir incêndios.
Quais estados foram mais afetados em janeiro de 2026?
Em janeiro de 2026, os estados com o maior número de focos de calor foram o Pará (985 focos), seguido pelo Maranhão (945 focos), Ceará (466 focos) e Piauí (229 focos). A concentração desses focos é observada principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, onde as condições de seca são mais severas.
O que causa o aumento desses focos?
O aumento dos focos de calor em janeiro de 2026 está diretamente ligado a condições climáticas desfavoráveis, como a persistência de secas e a ocorrência de chuvas abaixo da normalidade, especialmente no Norte e Nordeste. Essas condições criam um ambiente propício para a ignição e propagação de queimadas, sejam elas de origem natural ou provocadas por ação humana.
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