Jovens negros do Rio e Bahia: bolsas impulsionam estudos no exterior

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Estudar no exterior é um sonho acalentado por muitos, que anseiam por acesso a centros de excelência acadêmica e a ricas trocas culturais. No entanto, os desafios financeiros e burocráticos podem ser barreiras intransponíveis, especialmente para grupos sub-representados. É neste cenário que o programa Black STEM, uma iniciativa do Fundo Baobá para a Equidade Racial, surge como um catalisador de oportunidades. O projeto selecionou três talentosos estudantes negros — Caio Ramos, Quezia Fernanda e João Vitor — que, em setembro, embarcarão para universidades em Dubai, Espanha e Estados Unidos, respectivamente, com uma bolsa de estudos no exterior de R$ 42 mil destinada à sua permanência. Essa iniciativa não apenas abre portas para a educação global de alta qualidade, mas também reforça o compromisso com a promoção da equidade racial, empoderando jovens talentos a transcenderem suas realidades e a conquistarem espaços de destaque internacional. As histórias desses jovens são um testemunho de resiliência e ambição, pavimentando o caminho para um futuro promissor.

Histórias de superação e excelência acadêmica

A jornada rumo ao conhecimento global é marcada por determinação e a superação de obstáculos significativos para Caio, Quezia e João. Cada um traz consigo uma trajetória única, que reflete a importância de programas de apoio como o Black STEM para democratizar o acesso à educação de ponta. Suas escolhas acadêmicas e os destinos que os aguardam não são apenas passos em suas carreiras individuais, mas também representam um avanço coletivo na luta pela equidade racial e pela valorização do talento negro.

Caio Ramos: do Rio a Dubai com design

Aos 23 anos, Caio Ramos, morador de Irajá, no Rio de Janeiro, é um dos talentos que alçarão voo. Seu destino é o Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), nos Emirados Árabes Unidos, uma escolha inspirada por uma viagem em família que o encantou com a modernidade de Dubai. A trajetória de Caio é um exemplo de resiliência diante de adversidades. Durante a pandemia de COVID-19, em 2020, ele ficou um ano inteiro sem aulas, pois sua escola carecia de estrutura para o ensino online. No mesmo ano, sua família enfrentou um duro golpe com o avanço do Alzheimer e Parkinson em seu pai, que precisou parar de trabalhar. Sem recursos para um cuidador e com altos custos de medicação, Caio começou a trabalhar em 2022 para auxiliar no sustento da casa, o que impactou sua entrada no ensino superior. Apesar de tudo, ele se recusa a ser limitado por suas circunstâncias. “Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, declarou Caio, expressando a dimensão social de sua conquista.

Quezia Fernanda: energia elétrica na Espanha com visão sustentável

Nascida em Rio das Ostras, também no estado do Rio de Janeiro, Quezia Fernanda, de 19 anos, trilhou um caminho promissor no ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense. Foi por meio de uma parceria entre a instituição e a Faculdade de Jaén, na Espanha, que a jovem descobriu a oportunidade de uma bolsa de estudos no exterior, transformando um sonho distante em realidade palpável. Durante o evento de boas-vindas do programa, em um bate-papo com a jornalista Adriana Couto, Quezia compartilhou sua motivação para cursar Engenharia Elétrica. “Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica a possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável”, explicou, demonstrando uma visão clara e um forte compromisso com o futuro do planeta.

João Vitor: da Bahia ao berço da computação nos EUA

O terceiro estudante contemplado pela bolsa é João Vitor, da cidade de Cruz das Almas, na Bahia. Desde a infância, João demonstrou uma notável facilidade com computadores e um grande interesse pela manutenção de equipamentos, uma afinidade que foi consolidada ao ingressar no Instituto Federal para cursar informática. Sua formação cultural é profundamente enraizada no Recôncavo Baiano, o que lhe proporcionou um convívio próximo com lideranças negras e comunidades quilombolas. A decisão de estudar Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos, foi influenciada pela descoberta de que a instituição contava com Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola. “Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, ressaltou João Vitor, evidenciando o impacto de sua comunidade e a inspiração de representantes em sua jornada.

Além da bolsa: o suporte integral para a permanência

O programa Black STEM, do Fundo Baobá, vai muito além da concessão de recursos financeiros. A bolsa de R$ 42 mil, embora fundamental, é apenas uma parte de um pacote de suporte abrangente, cuidadosamente desenhado para garantir não apenas o acesso, mas a permanência e o sucesso dos estudantes negros no exterior. Esse valor é destinado a cobrir despesas essenciais como moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, aliviando uma das maiores preocupações financeiras.

Adicionalmente, o programa oferece uma rede de apoio robusta, que inclui mentorias de carreira personalizadas, workshops para desenvolvimento de habilidades, e a criação de conexões valiosas com lideranças negras globais. Reconhecendo os desafios emocionais e psicológicos que podem surgir ao se viver em um novo país, longe da família e da cultura de origem, o Black STEM também providencia acompanhamento psicológico. Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, enfatiza a importância dessa abordagem holística. “Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte”, explicou Harvey, destacando que a iniciativa busca criar condições para despertar em pessoas negras a crença de que é possível alcançar e ocupar espaços de destaque, transformando não apenas vidas individuais, mas também a representatividade em setores estratégicos globalmente.

O impacto transformador e o futuro

A iniciativa do Fundo Baobá, através do programa Black STEM, representa um marco significativo na promoção da equidade racial e no acesso à educação de excelência. Ao investir em talentos como Caio, Quezia e João, a organização não apenas empodera indivíduos a alcançar seus sonhos, mas também constrói pontes para um futuro mais justo e inclusivo. Esses jovens, ao retornarem ao Brasil ou ao atuarem internacionalmente, trarão consigo não apenas um diploma de uma universidade estrangeira, mas também uma bagagem de experiências culturais, redes de contato e conhecimentos que podem impulsionar o desenvolvimento de suas comunidades e do país. A crença no potencial ilimitado de pessoas negras e o fornecimento de ferramentas para que ocupem espaços de destaque são essenciais para desconstruir barreiras históricas e inspirar futuras gerações, reafirmando que o investimento na educação é a semente mais poderosa para a transformação social.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o programa Black STEM?
O Black STEM é uma iniciativa do Fundo Baobá para a Equidade Racial que visa promover o acesso de estudantes negros a ambientes de excelência acadêmica global. O programa oferece bolsas de estudo para graduação no exterior em áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

Quais estudantes foram beneficiados nesta edição e para onde vão?
Nesta edição do programa Black STEM, três estudantes foram contemplados: Caio Ramos, que irá para Dubai estudar Design; Quezia Fernanda, que cursará Engenharia Elétrica na Espanha; e João Vitor, que seguirá para os Estados Unidos para estudar Ciência da Computação.

Qual o tipo de apoio oferecido além da bolsa em dinheiro?
Além da bolsa de R$ 42 mil para custeio de despesas como moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, o programa Black STEM oferece um suporte integral que inclui mentorias de carreira, workshops, conexão com lideranças negras e acompanhamento psicológico.

Como o programa Black STEM contribui para a equidade racial?
Ao remover barreiras financeiras e oferecer um suporte abrangente, o programa Black STEM empodera jovens negros a acessar oportunidades educacionais de elite. Ele busca desafiar a sub-representação em áreas estratégicas e inspirar a ocupação de espaços de destaque por esses talentos, promovendo a crença de que é possível alcançar o sucesso.

Descubra mais sobre iniciativas que transformam a vida de jovens brasileiros e promovem um futuro mais equitativo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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