Em um discurso contundente realizado em Santa Marta, Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo e criticou o que chamou de “velhas manobras retóricas” utilizadas para justificar intervenções ilegais e o uso da força em países. A declaração foi feita durante a sessão plenária da 4ª Reunião de Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE).
Sem citar nomes de países específicos, Lula expressou preocupação com a crescente ameaça do uso da força militar na América Latina e no Caribe. “Ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, afirmou o presidente, ressaltando que a região é uma área de paz e que as democracias não devem combater o crime violando o direito internacional.
O encontro ocorre em meio a crescentes tensões na região, especialmente com a ofensiva dos Estados Unidos contra o narcotráfico em águas internacionais no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Militares americanos têm atacado embarcações sob a alegação de transporte de drogas da Venezuela para os EUA, resultando em mortes. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nega as acusações e denuncia a ação como uma tentativa de criar pretextos para uma invasão.
Lula enfatizou que a Celac e a UE desempenham um papel crucial na construção de uma ordem mundial baseada na paz, no multilateralismo e na multipolaridade. No entanto, reconheceu que a América Latina e o Caribe enfrentam divisões internas e ameaças como extremismo político, desinformação e crime organizado. Ele lamentou a falta de implementação de ideias e iniciativas discutidas em diversas reuniões.
Abordando a questão da segurança pública, o presidente Lula afirmou que o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas e armas é um desafio que nenhum país pode enfrentar sozinho. Ele mencionou o comando tripartite da tríplice fronteira com Argentina e Paraguai e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia como exemplos de plataformas permanentes de cooperação.
Lula também aproveitou a oportunidade para destacar a importância da COP30, que será realizada em Belém, no coração da Amazônia. Ele ressaltou que o evento é uma chance para a América Latina e o Caribe demonstrarem ao mundo o valor da conservação das florestas para o futuro do planeta. O presidente exaltou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, uma das principais iniciativas do Brasil na COP30, e pediu esforços para a transição energética, visando a redução da dependência de combustíveis fósseis.
Em um apelo por igualdade de gênero, Lula defendeu a nomeação de uma mulher latino-americana para o cargo de secretária-geral da ONU, argumentando que, apesar de representarem mais da metade da população mundial, as mulheres nunca ocuparam a mais alta função na organização.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


