Ameaçado de extinção, o Pau-Brasil, árvore que simboliza a história nacional, recebe um importante reforço em sua preservação. Uma resolução adotada na 20ª Reunião da Conferência das Partes (COP20) da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens em Perigo de Extinção busca aprimorar a regulamentação internacional em torno da espécie.
A decisão, fruto de uma iniciativa brasileira, foi tomada por consenso e visa distinguir de forma mais clara os usos comerciais e não comerciais do Pau-Brasil. Segundo o Ibama, a principal ameaça à espécie provém da exploração comercial de sua madeira para a fabricação de arcos de instrumentos musicais. Essa demanda é particularmente forte em mercados internacionais, como a Europa e os Estados Unidos.
A nova resolução estabelece critérios mais precisos para a circulação internacional de instrumentos musicais feitos com madeira de Pau-Brasil, mantendo a permissão para a circulação de instrumentos fabricados antes da Convenção e reforçando a proibição do comércio de espécimes selvagens.
Além disso, a resolução impõe obrigações aos países compradores, incluindo o rastreamento e a identificação dos estoques, bem como o incentivo à pesquisa de espécies alternativas para a fabricação de instrumentos musicais. O Ministério das Relações Exteriores considera que essa decisão representa um avanço significativo na conservação do Pau-Brasil.
A extração ilegal já dizimou 84% da população de Pau-Brasil nos últimos 150 anos. Estima-se que restem apenas 10 mil árvores, muitas delas isoladas e com baixa capacidade de regeneração. A nova regulamentação internacional representa um passo crucial para garantir a sobrevivência desta espécie emblemática e proteger o patrimônio natural do país. O objetivo é equilibrar o uso sustentável da madeira com a necessidade urgente de preservar o Pau-Brasil para as futuras gerações.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


