Quarenta e dois anos após Moraes Moreira eternizar em canção a paixão flamenguista, milhões de torcedores extravasaram alegrias no Rio de Janeiro, impulsionados pelo gol de Danilo que garantiu o tetracampeonato do Flamengo na Libertadores. No domingo, uma maré rubro-negra tomou as ruas do centro da cidade para celebrar a conquista.
Em um caminhão aberto do Corpo de Bombeiros, os jogadores compartilharam a festa com a “Nação”, como é conhecida a torcida do Flamengo, após a vitória no Estádio Monumental de Lima, no Peru. A Rua Primeiro de Março e a Avenida Presidente Antônio Carlos, no coração da cidade, ficaram lotadas de pessoas unidas pela paixão clubística.
A reportagem conversou com diversos torcedores que madrugaram e viajaram longas distâncias para participar da celebração, a mais de 5 mil quilômetros do palco da final.
Para o casal Eduardo Ferreira Henrique e Valéria Nunes Domingos, moradores do Cosme Velho, o título simboliza mais do que uma vitória esportiva. No dia do jogo, Valéria recebeu a notícia de que um exame para detecção de câncer havia dado negativo. “Ontem, a gente teve duas vitórias. Foi um dia maravilhoso, sensacional! Comemoração dupla”, comemorou Eduardo.
Valéria vê no sucesso do Flamengo um estímulo para manter o otimismo. Eduardo complementa, destacando a união promovida pelo futebol: “Na hora da euforia, todo mundo se abraça, todo mundo demonstra felicidade. Esse negócio de violência já foi do passado, agora a galera toda se une, todo mundo junto”.
Já Andressa Vitória, vinda de São Gonçalo, enfrentou quase duas horas de deslocamento com a família para participar da festa. Segundo ela, a emoção da vitória alivia a ansiedade. “Se você estiver vendo um jogo no bar, parece que todo mundo se conhece, começa a trocar assunto sobre isso. Você acaba fazendo uma amizade porque sempre vê um jogo naquele lugar, acaba se tornando uma família”, disse.
Eusébio Carlos André, morador de Resende, já havia planejado estar no Rio para a possível comemoração. Ele acredita que as alegrias proporcionadas pelo futebol tornam a vida mais leve: “O Flamengo ganhando deixa o pai de família feliz, todo mundo feliz. O cara feliz no trabalho, feliz no amor, feliz com o filho”. Eusébio também enaltece a capacidade do futebol de unir diferentes classes sociais e etnias.
De acordo com o professor Mauricio Murad, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o futebol é um dos maiores eventos da cultura de massa no Brasil, mobilizando paixões coletivas e expressando a identidade nacional. Murad argumenta que o valor simbólico do futebol se estende para toda a vida social, superando até mesmo o carnaval em alcance e duração.
Maurício Braz e Flávia Torres, de Magé, levaram o pequeno João Vicente, de apenas 9 meses, para a celebração. Maurício explicou que a paixão pelo Flamengo passa de geração em geração. “É algo que passa de pai para filho. Essa camisa eu guardo desde novembro de 1995. Estou passando para ele aqui hoje com o tetra da Libertadores”, disse, apontando para a camisa rubro-negra do filho.
Hélio Marcos Ferreira Chaves, que esteve presente nas conquistas de 2019 e 2022 com seus filhos, celebrou o título de forma um pouco mais solitária desta vez. “Em 2019 e em 2022, eu estava com os meus filhos. Agora estou sem eles”, brincou. No entanto, ele prometeu estar acompanhado na próxima quarta-feira, quando o Flamengo enfrentará o Ceará em busca de mais um título.
Assim, a Nação Flamenguista, embalada pelo samba de João Nogueira, celebrou mais um título, reafirmando o poder do futebol de unir e emocionar.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


