Primeiro as melhorias, depois a taxação: será um elefante branco? Por Nilton Ramos

0

Os moradores de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá e Praia Grande estão prestes a receber um pacote de obras que promete transformar a mobilidade no Litoral Paulista. O projeto, conduzido pelo Governo de São Paulo e executado pela concessionária CNL, prevê a entrega de novas marginais urbanas entre os municípios, totalmente gratuitas, com calçamento, sinalização e iluminação completa — esta última já em andamento. A proposta é oferecer alternativas não tarifadas para o tráfego local, com a promessa de que a cobrança nos pórticos eletrônicos só começará em 2027, e apenas após a conclusão integral dessas vias.

Em teoria, é um modelo que soa justo: primeiro entrega, depois cobra. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) ficará responsável pela fiscalização, garantindo que os benefícios realmente cheguem antes de qualquer tarifa. O contrato de R$ 4,3 bilhões abrange não apenas as marginais, mas também a duplicação de quase 90 km de rodovias, a construção de mais de 100 km de marginais e mais de 200 km de melhorias estruturais na Baixada Santista, no Alto Tietê e no Vale do Ribeira. O objetivo é claro: mais segurança, fluidez e mobilidade para quem vive e circula entre os municípios.

Desde novembro de 2024, já foram entregues melhorias significativas: 34 km de faixas novas, aplicação de mais de 17 mil toneladas de pavimento, reparos em trechos críticos e a instalação de oito bases de atendimento ao usuário, operando 24 horas. O pacote ainda inclui passarelas, ciclovias, monitoramento por câmeras, conectividade wi-fi e reforço na sinalização e iluminação, criando um padrão viário mais moderno e funcional.

Mas é impossível ignorar a pergunta que ecoa nas ruas: e depois? A população da Baixada já sente no bolso o peso de pedágios e tarifas cada vez mais altos. Será que, em 2027, essa promessa não se transformará em mais um “elefante branco” — uma obra grandiosa na aparência, mas que, na prática, onera ainda mais o cidadão? Os moradores não aguentam mais pagar tanto para se deslocar dentro da própria região.

É hora de acompanhar de perto cada etapa dessa execução. O investimento é bem-vindo, mas a confiança só virá se a entrega corresponder à expectativa e se o direito de ir e vir sem custos abusivos for respeitado. Afinal, modernizar é importante. Mas modernizar cobrando caro da população que já paga demais é um caminho perigoso — e, no fim, todos sabemos quem carrega esse peso.

Compartilhar.
Deixe Uma Resposta

Olá vamos conversar!