Dez anos após a primeira edição, mulheres negras de todo o país convergem para Brasília, unidas em uma marcha em busca de reparação e melhores condições de vida. Militantes, ativistas, professoras, artistas, escritoras, representantes de religiões de matriz africana, jovens, políticas, mães, irmãs e filhas se reúnem para o ato que promete ser um marco.
A marcha carrega consigo a força da transformação. A escritora Conceição Evaristo, às vésperas de completar 79 anos, enfatiza a persistência do movimento. “O que marca é que a gente não desiste”, afirma. Ela destaca que a luta é contínua, impulsionada pela determinação de mulheres negras e jovens que buscam construir um futuro com dignidade.
Evaristo, que participou ativamente da primeira marcha, ressalta o significado de marchar: “Acho que marchar significa, de certa forma, pisar no solo, afirmando que esse solo é seu. E aqui, você marchar, mulheres negras marcharem na capital federal, é reivindicar. Cada passo, cada pé, cada pisada que a gente dá nesse asfalto, reivindica o direito à vida e afirma que temos direito. Marchar é tomar de assalto um território que é nosso”.
A trajetória de luta de Conceição Evaristo é longa e frutífera. Ela relembra os primeiros tempos de militância, quando a prioridade era formar novos líderes para dar continuidade ao movimento. “Era muito angustiante ir para reuniões e ver as mesmas pessoas. A gente tinha a impressão de que estava sendo repetitivo”, recorda.
Hoje, ela observa com satisfação o crescimento do movimento e a presença de jovens mulheres que dão continuidade à luta. Evaristo destaca a importância da cultura como ferramenta política. “Quem pensa que a gente está só dançando ou cantando, é porque não prestou atenção no que dizem as nossas músicas, no que dizem os nossos corpos”, conclui.
Neste dia, mulheres brasileiras e estrangeiras se unem em Brasília, reafirmando a busca por reparação e bem-viver.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


