Após a maior operação policial dos últimos 15 anos no Rio de Janeiro, ativistas que acompanharam a remoção de corpos em uma área de mata no Complexo da Penha classificaram o ocorrido como uma “chacina” e um “massacre” promovido pelas forças de segurança.
O empreendedor Raull Santiago, nascido no Morro do Alemão, foi um dos primeiros a divulgar o encontro dos corpos, utilizando suas redes sociais para transmitir ao vivo a situação. “Essa é a face da cidade maravilhosa, capital na América Latina quando pensamos em turismo”, lamentou Santiago, expressando seu amor pela cidade, estado e favela, mas ressaltando os momentos em que a desigualdade se manifesta de forma brutal.
Na terça-feira, dia da operação, 64 mortes foram confirmadas, incluindo a de quatro policiais. Moradores também retiraram um número ainda maior de corpos de áreas de mata. Moradores encontraram 64 corpos no Complexo da Penha, reunindo-os em uma praça da comunidade, de onde foram posteriormente recolhidos pelo Corpo de Bombeiros. Se todos os corpos encontrados forem contabilizados como vítimas da operação, o número de mortos pode ultrapassar 130.
Santiago criticou a política de segurança pública do Rio de Janeiro, afirmando que ela é ineficiente ou, pior, eficiente na forma como é estruturada e aplicada para lidar com algumas vidas. “Da favela para dentro, tiro, porrada, bomba, invasão, desrespeito, chacina, massacre. Em outros endereços, o tratamento é quase vip”, denunciou.
Antônio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz, também acompanhou a remoção dos corpos e pediu a responsabilização do governador do estado, Cláudio Castro, pela tragédia. Ele ressaltou que esse episódio se assemelha a muitos outros já ocorridos no estado. “O que há de novo nesse massacre? Apenas a sua extensão, a quantidade de mortos… O que não há de novo é essa política de segurança pública, a destruição da vida do morador de comunidade”, lamentou Costa.
O governador Claudio Castro tem defendido a operação, afirmando que a ação foi planejada ao longo de seis meses, resultado de mais de um ano de investigações, teve o aval do Poder Judiciário e foi acompanhada pelo Ministério Público do estado.
Especialistas criticaram a ação, alegando que ela gerou um grande impacto na capital fluminense sem atingir o objetivo de conter o crime organizado. A professora Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense (UFF), classificou a operação como amadora e uma “lambança político-operacional”. Movimentos populares e de favelas também condenaram as ações policiais, afirmando que “segurança não se faz com sangue”.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


