O ministro da Fazenda, defendeu uma estratégia mais agressiva no combate ao crime organizado, focando na asfixia de suas fontes de financiamento. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, ao comentar os resultados da Operação Fronteira da Receita Federal.
“Temos insistido com os governantes que, além do controle territorial e dos mandados de prisão, é crucial asfixiar o financiamento do crime organizado para obtermos sucesso. Precisamos atacar o problema em sua raiz, combatendo e estrangulando as fontes de recursos do crime,” afirmou o ministro.
Haddad enfatizou a necessidade de ir além das ações nas comunidades e alcançar os líderes das organizações criminosas. “Não adianta apenas combater o ‘chão de fábrica’; precisamos chegar aos CEOs. Os líderes do crime organizado precisam ser responsabilizados por seus atos. Se não atingirmos a gerência, a diretoria, o CEO, esse dinheiro continuará alimentando o crime organizado”, ressaltou.
A declaração do ministro ocorre em um momento de repercussão de uma operação policial no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que resultou em um alto número de mortes e gerou críticas.
Para o ministro da Fazenda, o combate ao crime organizado deve se estender a todas as camadas da organização. “Não podemos acreditar que estamos combatendo o crime organizado atuando apenas nas comunidades, enquanto os verdadeiros criminosos estão em outros lugares, em outros países, usufruindo de riquezas ilícitas, aliciando jovens, ceifando vidas e colocando a população em risco. Precisamos atuar em todas as camadas do crime”, reiterou.
Durante a entrevista, o ministro fez um apelo ao governador do Rio de Janeiro para que seu partido apoie a lei do devedor contumaz, que visa endurecer as regras para sonegadores que utilizam a inadimplência fiscal como estratégia de negócio. Segundo Haddad, muitos desses devedores contumazes estão envolvidos com a criminalidade no Rio de Janeiro.
Para auxiliar no combate ao crime organizado, a Receita Federal publicou uma instrução normativa que obriga os fundos a divulgarem os CPFs dos beneficiários. “Agora, todos os fundos serão obrigados a informar o CPF. Com essa determinação, vamos saber quem está por trás dos esquemas, se é um laranja, um residente, um não-residente, e aumentar nosso poder fiscalizador”, explicou.
Haddad também apresentou os resultados da Operação Fronteira, realizada em 60 municípios de 20 estados. A ação resultou na prisão de 27 pessoas, apreensão de 213 mil litros de bebida adulterada, mais de 3 toneladas de drogas e mais de mil armas. Os agentes retiraram de circulação mais de R$ 160 milhões em mercadorias ilegais e apreenderam uma aeronave com mais de 500 smartphones de alto valor. A operação envolveu diversas instituições de segurança pública, fiscalização e defesa.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


