Um estudo inédito, fruto da colaboração entre a Fiocruz, a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), revelou disparidades significativas no impacto da dengue e da chikungunya em diferentes grupos populacionais no Brasil. A pesquisa, publicada em uma revista científica do Reino Unido, demonstra que indivíduos negros e indígenas enfrentam um número maior de anos de vida perdidos em decorrência dessas duas doenças, em comparação com a população branca.
A investigação aponta que, enquanto a chikungunya afeta de forma mais severa a população negra, a dengue causa um impacto mais significativo nos indígenas. Segundo Thiago Cirqueira Silva, pesquisador associado ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde da Fiocruz Bahia e líder do estudo, a pesquisa surgiu da necessidade de analisar ambas as doenças de forma unificada, explorando fatores associados à perda de anos de vida que ainda não haviam sido abordados na literatura científica.
O estudo se baseou em dados de casos notificados de dengue e chikungunya no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. A análise considerou fatores de risco como idade, gênero e comorbidades.
Os resultados revelam um impacto desigual da dengue e da chikungunya, tanto em termos de distribuição geográfica quanto em relação à raça. A pesquisa mediu os anos de vida perdidos por pessoas afetadas por essas doenças, demonstrando que os grupos negros e indígenas morrem, em média, 22 anos antes do esperado, em comparação com a população branca. Esse dado reflete a perda de expectativa de vida causada pela doença.
O estudo enfatiza a importância de políticas públicas de saúde focadas no combate às desigualdades estruturais presentes no país, visando reduzir o impacto desproporcional da dengue e da chikungunya em grupos vulneráveis.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


