A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o tiro que resultou na trágica morte de Ryan da Silva Andrade Santos, um menino de apenas quatro anos, foi disparado por um policial militar em legítima defesa. O incidente ocorreu em 5 de novembro de 2024, durante uma operação de perseguição a suspeitos no Morro São Bento, em Santos, no litoral paulista. As investigações detalhadas apontaram que os agentes de segurança pública não tinham como prever que a criança seria atingida pelo disparo. O relatório final, encaminhado ao Ministério Público de São Paulo em 2 de dezembro, destaca a complexidade do cenário e a impossibilidade de atribuir culpa, imprudência ou negligência criminal aos policiais envolvidos na ação que culminou na morte de Ryan. Este desfecho lança luz sobre os desafios das operações em áreas densamente povoadas e a busca por justiça em casos que envolvem vítimas inocentes.
As investigações e a conclusão da Polícia Civil
O incidente no Morro São Bento
Na tarde de 5 de novembro de 2024, o Morro São Bento, em Santos, foi palco de uma operação policial que resultou na morte do pequeno Ryan da Silva Andrade Santos. O menino, que brincava na calçada com outras crianças, foi atingido por um disparo no abdômen. A ação policial tinha como objetivo capturar dois adolescentes suspeitos de envolvimento em atividades criminosas; um deles, Gregory Ribeiro Vasconcelos, veio a óbito no local, enquanto o outro foi ferido.
A morte de Ryan gerou grande comoção e intensificou o debate sobre a segurança pública e a atuação das forças policiais em comunidades. A família do menino já havia enfrentado outra tragédia, uma vez que o pai de Ryan também foi baleado e morto em uma ocorrência anterior, durante a Operação Verão. A investigação do caso Ryan, conduzida pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, sob a responsabilidade do delegado Thiago Bonametti, buscou detalhar cada aspecto da ocorrência para chegar a uma conclusão precisa sobre as circunstâncias da morte da criança.
Análise pericial e a tese da legítima defesa
O relatório final da Polícia Civil, com base em laudos periciais e depoimentos, apontou que o tiro que vitimou Ryan partiu da arma do cabo da Polícia Militar Clovis Damasceno de Carvalho Junior. Contudo, as evidências coletadas, incluindo o laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, foram cruciais para a tese de legítima defesa e a imprevisibilidade da fatalidade.
As investigações revelaram que o menino foi atingido a vários metros de distância do epicentro do confronto entre os policiais e os suspeitos. O projétil que atingiu Ryan apresentava uma deformidade, conhecida como abaulamento, e chegou ao seu corpo com energia final reduzida. Essa característica levou à conclusão de que a hipótese mais provável é a de que o projétil tenha ricocheteado antes de atingir a criança. Segundo o delegado Bonametti, essa evidência, combinada com o cenário de confronto, inviabilizou a previsão de que o disparo atingiria Ryan por parte dos militares que agiam em legítima defesa. Embora a esfera criminal não aponte culpa, imprudência ou negligência dos PMs, o delegado ressaltou que a responsabilização civil ainda pode ser considerada. O relatório foi remetido ao Ministério Público de São Paulo, que agora analisará o material para determinar os próximos passos jurídicos.
Elementos que fundamentam a versão policial
Confronto armado e evidências materiais
A investigação da Polícia Civil destacou que uma série de elementos periciais, depoimentos e análises corroboram a versão apresentada pelos policiais militares. O exame pericial do local da ocorrência confirmou que houve, de fato, um confronto armado entre os agentes da lei e os dois adolescentes perseguidos.
Entre as evidências materiais que sustentaram essa conclusão, destacam-se a localização de armas de fogo encontradas ao lado dos suspeitos. Além disso, um exame de comparação balística foi fundamental para demonstrar que não apenas os policiais efetuaram disparos; também houve tiros provenientes de armas que não pertenciam à corporação, indicando que os adolescentes revidaram ou iniciaram o tiroteio. Esses achados são cruciais para validar a alegação de legítima defesa por parte dos policiais, que se viram em uma situação de troca de tiros com indivíduos armados. Os depoimentos dos policiais e de testemunhas, aliados aos laudos técnicos, foram considerados elementos de grande credibilidade para a reconstrução dos fatos.
Histórico dos suspeitos e suas ações
O relatório final da Polícia Civil também incorporou informações relevantes sobre o histórico e as ações dos adolescentes envolvidos no confronto. Análises de vídeos publicados pelo adolescente Gregory Ribeiro Vasconcelos nas redes sociais foram determinantes. Nessas imagens, Gregory aparecia ostentando armas de fogo e, segundo a polícia, provocando a atuação das forças de segurança.
Adicionalmente, o suspeito que sobreviveu ao confronto confessou às autoridades que atuava no tráfico de drogas em parceria com Gregory, que morreu na operação. Ele detalhou que a dupla era responsável por abastecer pontos de venda de entorpecentes na região. Essas informações, aliadas às evidências balísticas e aos achados no local, reforçam o contexto de uma operação policial legítima contra indivíduos armados e envolvidos com o crime organizado, o que, de acordo com a Polícia Civil, embasa a tese de que os policiais agiram conforme o protocolo de legítima defesa diante de uma ameaça real e iminente.
Desdobramentos e perspectivas futuras
O papel do Ministério Público
Com o relatório final da Polícia Civil em mãos, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) assume agora um papel crucial na análise e nos desdobramentos do caso Ryan. É responsabilidade do órgão avaliar todas as provas, laudos e depoimentos para decidir se há elementos para oferecer uma denúncia criminal contra os policiais envolvidos ou se o caso será arquivado na esfera criminal. O MPSP também pode solicitar diligências adicionais, caso entenda que há lacunas ou pontos a serem esclarecidos na investigação. A decisão do Ministério Público é um passo fundamental para a definição da responsabilização criminal, caso haja, e para a satisfação da sociedade quanto à transparência e à justiça no tratamento deste caso sensível.
Impacto na comunidade e a busca por justiça
A morte de Ryan da Silva Andrade Santos, uma criança de apenas quatro anos, teve um impacto profundo na comunidade do Morro São Bento e em toda a cidade de Santos. O caso reabriu feridas sobre a violência urbana e as consequências de operações policiais em áreas conflagradas, especialmente quando inocentes são vitimados. A busca por justiça, neste contexto, transcende a mera responsabilização individual, englobando também a exigência por maior segurança, protocolos mais rigorosos e a minimização de danos colaterais em ações de combate ao crime. A sociedade espera que, independentemente da conclusão sobre a legítima defesa, o caso sirva de catalisador para aprimoramentos que garantam a proteção de crianças e cidadãos em geral, sem comprometer a eficácia das forças de segurança.
Perguntas frequentes
Quem foi Ryan e como ele morreu?
Ryan da Silva Andrade Santos era um menino de quatro anos que morreu em 5 de novembro de 2024, no Morro São Bento, em Santos (SP), após ser atingido por um tiro no abdômen durante uma operação da Polícia Militar contra suspeitos de tráfico.
Qual foi a conclusão da Polícia Civil sobre o caso?
A Polícia Civil concluiu que o tiro que matou Ryan foi disparado por um policial militar em legítima defesa. A investigação apontou que o projétil ricocheteou antes de atingir a criança, e os policiais não tinham como prever a tragédia.
O que é legítima defesa no contexto policial?
Legítima defesa, no contexto policial, é a ação de um agente para repelir uma agressão injusta, atual ou iminente, utilizando os meios necessários e moderados. No caso Ryan, a polícia entendeu que os PMs agiram diante de um confronto armado com suspeitos.
O que acontece agora com o relatório final?
O relatório final da Polícia Civil foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). O MPSP analisará o documento para decidir se há elementos para oferecer uma denúncia criminal contra os policiais ou se o caso será arquivado na esfera criminal.
Para mais informações e acompanhamento dos desdobramentos sobre este e outros casos de segurança pública, mantenha-se informado através de fontes de notícias confiáveis.
Fonte: https://g1.globo.com


